Pular para o conteúdo principal

Questão de Raciocínio Lógico — Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos — CESPE / CEBRASPE 2024

Raciocínio LógicoLógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos
Código
ce178497
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-PE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Agente de Polícia
A partir dos dados da situação hipotética 1A3-II e do argumento construído por Pablo em sua defesa, assinale a opção correta.
  1. ASob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, o que evidencia que Pablo é culpado.
  2. BSob o ponto de vista lógico, o argumento é válido, o que isenta Pablo de culpa.
  3. CSob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, mas isso não evidencia a culpa de Pablo.
  4. DO argumento é válido, mas isso não isenta nem evidencia a culpa de Pablo.
  5. ESob o ponto de vista lógico, o argumento não é válido, o que indica que Pablo precisará juntar novos elementos para provar sua inocência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O argumento é válido, mas isso não isenta nem evidencia a culpa de Pablo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Lógica de Argumentação – Validade e Verdade

Gabarito: letra D. O argumento de Pablo é formalmente válido: a conclusão "não cometi esse crime" é consequência lógica das premissas "P2, P3 e P4" (modus ponens encadeado). Contudo, a validade lógica não depende da verdade das premissas ou da conclusão – um argumento pode ser válido mesmo com todas as proposições falsas. Portanto, a validade não isenta nem evidencia a culpa de Pablo.

Estrutura do argumento

Simbolicamente:

  • P2: B = "Meu celular vale muito mais que o que me acusam de tentar roubar"

  • P3: B → C (C = "não preciso tentar roubá-lo")

  • P4: C → D (D = "não cometi esse crime")

  • Conclusão: D

Das premissas B, B→C, C→D, obtém-se C (por modus ponens) e depois D (novo modus ponens). Logo, a conclusão é necessária se as premissas forem verdadeiras – o argumento é válido, independentemente de B, C, D serem realmente verdadeiros ou falsos.

Análise das alternativas

Caso

Premissas (B, B→C, C→D)

Conclusão D

Validade

Implicação sobre culpa

1

B=V, B→C=V, C→D=V

D=V

Válido

Não isenta nem evidencia

2

B=F, B→C=V, C→D=V

D=V ou F

Válido

Não isenta nem evidencia

3

B=V, B→C=F, C→D=V

D=V ou F

Inválido

Não evidencia culpa

4

B=V, B→C=V, C→D=F

D=F

Inválido

Não evidencia culpa

Alternativa A – ❌ Incorreta

Afirma que o argumento não é válido e que isso evidenciaria a culpa de Pablo. Duplo erro: o argumento é válido, e mesmo que fosse inválido, a invalidade não prova culpa – apenas indicaria que a conclusão não decorre necessariamente das premissas.

Alternativa B – ❌ Incorreta

Afirma que o argumento é válido e que isso isenta Pablo de culpa. A validade lógica não garante a verdade da conclusão; apenas estabelece que, se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão seria obrigatória. Como as premissas são falsas (Pablo de fato estava na cidade? etc.), a conclusão pode (e provavelmente é) falsa. Logo, não há isenção de culpa.

Alternativa C – ❌ Incorreta

Afirma que o argumento não é válido, mas que isso não evidencia culpa. A primeira parte está errada: o argumento é válido.

Alternativa D – ✅ Correta ⟵ GABARITO

O argumento é válido (como demonstrado), mas a validade não implica verdade nem falsidade – portanto, não isenta nem evidencia a culpa de Pablo. Essa é a posição lógica correta.

Alternativa E – ❌ Incorreta

Afirma que o argumento não é válido e que Pablo precisaria juntar novos elementos. Além de incorrer no erro de invalidar o argumento, a conclusão não se segue.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre validade lógica (forma) e verdade (conteúdo). Muitos candidatos pensam que, por as premissas serem obviamente falsas, o argumento seria inválido ou que a validade implicaria a verdade da conclusão. Lembre-se: um argumento válido é aquele em que, se as premissas fossem verdadeiras, a conclusão seria necessariamente verdadeira – independentemente de serem realmente verdadeiras ou falsas. É exatamente o que ocorre aqui.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/ce178497