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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce178520
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-PE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Agente de Polícia
Texto 1A1-I



     
          De modo geral, os dados sobre crime e segurança pública divulgados na edição de 2022 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública são reveladores de um quadro que, em uma primeira leitura, rende boas notícias para governos e sociedade. A violência letal, aquela que envolve, sob diferentes tipos jurídicos possíveis, situações em que uma pessoa mata a outra, manteve a tendência nacional de queda iniciada em 2018, mesmo que os números de 2022 indiquem uma curva de desaceleração. Porém, em uma segunda e mais panorâmica leitura do cenário sobre crime e violência no Brasil, há movimentos preocupantes e tendências que começam a ganhar corpo e merecem maior atenção dos profissionais da segurança pública, dos tomadores de decisão política e dos pesquisadores. Esse é o caso dos crimes patrimoniais, cujos movimentos sinalizam uma forte reconfiguração de como tais crimes são cometidos, sobretudo a partir da pandemia de covid-19, incluindo-se a migração dos roubos para modalidades como furtos, estelionatos e golpes virtuais.

       Vale ressaltar, no entanto, que essa não é uma tendência exclusivamente brasileira. As oportunidades para o cometimento de ilícitos variam de acordo com as modalidades criminais. Roubos e furtos, por exemplo, dependem em grande medida do fluxo de pessoas que circulam pelas cidades, o que foi severamente restringido pelas medidas de isolamento social em todo o mundo. Já crimes que envolvem roubo e invasão de residências tornaram-se mais complexos para os criminosos, já que as famílias passaram mais tempo dentro de suas casas. Um estudo que analisou dados criminais de 27 cidades em 23 países, para compreender o impacto da pandemia e das medidas de isolamento social nas dinâmicas criminais, constatou redução de 37% nos crimes globalmente. Agressões tiveram queda de 35% em decorrência das restrições de circulação e os homicídios tiveram, em média, queda de 14%, com apenas três cidades com crescimento. As violações de domicílio caíram cerca de 28% após a implementação das restrições e os roubos de veículos apresentaram redução de 39%.

      No Brasil, o mesmo contexto foi observado, com queda generalizada dos indicadores de crimes patrimoniais nos anos de 2020 e 2021. A partir de 2022, no entanto, algumas modalidades criminais retomaram tendências pré-pandemia, com crescimento dos roubos e furtos de celulares e de veículos. Outras, entretanto, seguem em queda, como é o caso de roubos a instituições financeiras (-21,9%), de carga (-4,4%), a estabelecimentos comerciais (-15,6%) e a residências (-13,3%). 



Renato Sérgio de Lima e Samira Bueno. As novas configurações dos crimes patrimoniais no Brasil. In: Anuário Brasileiro de Segurança Pública / Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São Paulo: FBSP, 2023, pp. 90-91 (com adaptações)
Assinale a opção correta em relação a aspectos linguísticos do seguinte período do primeiro parágrafo do texto 1A1-I: “A violência letal, aquela que envolve, sob diferentes tipos jurídicos possíveis, situações em que uma pessoa mata a outra, manteve a tendência nacional de queda iniciada em 2018, mesmo que os números de 2022 indiquem uma curva de desaceleração.”
  1. AEstariam mantidas a correção gramatical do texto e sua coerência caso o vocábulo “aquela” fosse suprimido do período.
  2. BO deslocamento da expressão “sob diferentes tipos jurídicos possíveis”, com as vírgulas que a isolam, para imediatamente depois da forma verbal “manteve” não prejudicaria nem a correção gramatical nem os sentidos do período.
  3. CEstariam mantidas a correção gramatical e a coerência das ideias do período caso se substituísse “em que” por onde.
  4. DA forma verbal “indiquem”, empregada no modo subjuntivo, denota que os “números de 2022” são duvidosos.
  5. EA flexão da forma verbal “manteve” na terceira pessoa do singular justifica-se pela concordância do verbo com o termo “tendência”, que é o sujeito da oração.
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GabaritoA — Estariam mantidas a correção gramatical do texto e sua coerência caso o vocábulo “aquela” fosse suprimido do período.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise de aspectos linguísticos do período

Gabarito: Letra A. A supressão do vocábulo “aquela” não compromete a correção gramatical nem a coerência do período, pois o pronome demonstrativo é um realce que pode ser omitido sem prejuízo da estrutura ou do sentido. As demais opções incorrem em erros de concordância, deslocamento indevido, uso inadequado de “onde” ou interpretação equivocada do subjuntivo.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No trecho original: “A violência letal, aquela que envolve, sob diferentes tipos jurídicos possíveis, situações em que uma pessoa mata a outra, manteve a tendência…”. O termo “aquela” é um pronome demonstrativo que retoma “violência letal” de forma enfática. Sua supressão resulta em: “A violência letal, que envolve...”, estrutura igualmente correta e coerente. A oração subordinada adjetiva explicativa (“que envolve...”) permanece clara, e o sentido do período não se altera. Portanto, manter-se-iam a correção e a coerência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A expressão “sob diferentes tipos jurídicos possíveis” funciona como adjunto adverbial de modo, ligada semanticamente ao verbo “envolve” (especifica como a violência letal envolve situações). Deslocá-la para imediatamente depois de “manteve” alteraria a relação sintática: passaria a modificar “manteve” (a tendência foi mantida sob diferentes tipos jurídicos), o que muda o sentido original. Além disso, a vírgula após “manteve” quebraria a fluência. Logo, a correção gramatical até se manteria, mas o sentido seria prejudicado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No trecho “situações em que uma pessoa mata a outra”, o pronome relativo “em que” equivale a “nas quais”, referindo-se a “situações” (substantivo abstrato, não locativo). O advérbio relativo “onde” é usado exclusivamente para indicar lugar físico ou, em alguns contextos, lugar figurado, mas não para referentes abstratos como “situações”. A substituição por “onde” seria considerada inadequada pela norma culta, prejudicando a correção gramatical e, possivelmente, a coerência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A oração “mesmo que os números de 2022 indiquem” é uma oração subordinada adverbial concessiva. O modo subjuntivo é exigido pela conjunção “mesmo que”, que expressa um fato admitido como real, mas que não impede a ocorrência da oração principal. O subjuntivo, nesse caso, não denota dúvida sobre a veracidade dos números; ao contrário, a informação de que eles indicam uma desaceleração é apresentada como verdadeira, mas em contraste com a tendência de queda. Portanto, a afirmação de que o subjuntivo denota “dúvida” é equivocada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O verbo “manteve” está na terceira pessoa do singular porque seu sujeito é “A violência letal” (núcleo: “violência”). O termo “tendência” é o objeto direto da forma verbal, e não o sujeito. A banca confunde a função sintática: o verbo concorda com o sujeito, não com o objeto. Assim, a justificativa apresentada é falsa.

Gabarito: letra A

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