Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce180388
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Aracaju - SE
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Disciplina: Língua Portuguesa
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado (E). A afirmação de que o leitor “Mais esperto que os outros” é capaz de adivinhar os propósitos do autor baseando-se no narrador em 3.ª pessoa, onisciente e neutro não se sustenta no texto. O próprio texto mostra que o narrador é em 1.ª pessoa ("vou apresentar-lhes Miss Dollar") e não neutro — ele se entrega à "volúpia de imaginar" leitores e desmente suas previsões. O leitor “Mais esperto” é uma dessas invenções do narrador, e sua esperteza consiste apenas em interpretar Miss Dollar como brasileira rica, não em adivinhar propósitos do autor.
O item pede uma inferência a partir do texto. Toda inferência deve estar ancorada em pistas textuais. Vejamos:
O texto descreve o narrador: “Engana-se, no entanto, a boa-fé de quem acreditar nessas promessas: ao contrário do que apregoara, o narrador entrega-se à volúpia de imaginar diferentes e variados tipos de leitores”.
Sobre o leitor “Mais esperto”, o texto diz: “ele convoca uma outra imagem de leitor que, lisonjeiramente, qualifica de ‘Mais esperto que os outros’ e cuja esperteza parece consistir na interpretação de Miss Dollar como ‘brasileira dos quatro costados’, vindo seu nome à conta de sua riqueza: ‘Miss Dollar quer dizer apenas que a rapariga é rica’.”
Prova da incorreção:
O narrador não é em 3.ª pessoa: ele se dirige diretamente ao leitor com “vou apresentar-lhes Miss Dollar”, caracterizando 1.ª pessoa do discurso.
O narrador não é neutro: ele manipula as expectativas, inventa leitores e ironiza as previsões. A palavra “volúpia” já indica envolvimento emocional.
O leitor “Mais esperto” não adivinha propósitos do autor; ele apenas imagina a identidade da personagem-título (riqueza e nacionalidade), como os outros leitores imaginados fazem. Não há qualquer menção a “propósitos do autor” ou a uma capacidade de adivinhá-los.
O texto sequer menciona que esse leitor se baseia “nas informações oferecidas pelo narrador”. Pelo contrário, as informações que o narrador dá inicialmente são enganosas; os leitores imaginados formam suas hipóteses por conta própria, sem apoio do narrador.
A alternativa comete extrapolação e contradição com o texto:
Extrapola: atribui ao leitor “Mais esperto” uma capacidade (adivinhar propósitos do autor) que não é mencionada no texto.
Contradiz: afirma que o narrador é em 3.ª pessoa, onisciente e neutro, quando o texto mostra um narrador em 1.ª pessoa, participativo e nada neutro.
Em inferência textual, todo elemento inferido deve ter pista no texto. Se a alternativa acrescenta informação que o texto não autoriza (como a natureza do narrador ou a capacidade do leitor), está errada.
Conclusão: O texto não sustenta a afirmação. Logo, o item está ERRADO.
Gabarito: letra E (Errado).
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