Questão de Medicina — Epidemiologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce181815
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim - ES
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Especialidade: Clínico Geral
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. O paciente descrito — febre, dor no corpo, dor retro-orbitária e sangramento gengival evidente — não se enquadra no grupo B, mas sim no grupo C, pois a presença de sangramento espontâneo (gengival) é um sinal de alarme que o classifica como caso de maior gravidade, exigindo conduta diferenciada (internação e acompanhamento laboratorial). A classificação de risco da dengue, preconizada pelo Ministério da Saúde, divide os pacientes em quatro grupos (A, B, C e D) com base na presença de sinais de alarme, comorbidades, condições clínicas especiais e gravidade.
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, que pode apresentar amplo espectro clínico, variando desde formas oligossintomáticas até quadros graves, com risco de óbito. A classificação de risco é uma ferramenta essencial para a triagem e o manejo adequado dos pacientes, permitindo identificar aqueles que necessitam de maior vigilância e intervenção precoce. O reconhecimento dos sinais de alarme é fundamental, pois eles advertem sobre o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito.
Os sinais de alarme da dengue incluem: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural e/ou lipotimia, letargia e/ou irritabilidade, aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) e sangramento de mucosa. A presença de qualquer um desses sinais classifica o paciente no grupo C, que requer internação hospitalar para monitoramento e tratamento. O sangramento gengival evidente é um sangramento de mucosa, portanto, um sinal de alarme.
O grupo B, por sua vez, é composto por pacientes com sinais de alarme ausentes, mas que apresentam condições clínicas especiais (como gestantes, lactentes, idosos, hipertensos, diabéticos, entre outros) ou risco social. Esses pacientes necessitam de acompanhamento ambulatorial com reavaliação clínica e laboratorial, mas não de internação imediata. O grupo A é formado por pacientes sem sinais de alarme e sem condições especiais, que recebem tratamento ambulatorial com orientações de hidratação e sinais de alarme. O grupo D é o mais grave, com presença de sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgãos, exigindo internação em unidade de terapia intensiva.
A pegadinha da questão está em associar o sangramento gengival a uma manifestação comum da fase febril, quando, na verdade, ele é um sinal de alarme que muda a classificação de risco. O candidato que não conhece os critérios de classificação pode facilmente confundir o grupo B com o grupo C, subestimando a gravidade do caso. É crucial memorizar os sinais de alarme e as condições que definem cada grupo para responder corretamente a questões como esta.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que o sangramento gengival é uma manifestação comum da dengue, sem gravidade, e que o paciente se enquadra no grupo B. No entanto, o sangramento de mucosa é um sinal de alarme, que classifica o paciente no grupo C, exigindo internação. A confusão entre os grupos B e C é a armadilha central desta questão.
Grupo de Risco | Sinais de Alarme | Condições Clínicas Especiais / Risco Social | Conduta |
|---|---|---|---|
A | Ausentes | Ausentes | Ambulatorial (hidratação e orientação) |
B | Ausentes | Presentes (ex.: gestantes, idosos, hipertensos, diabéticos) | Ambulatorial com reavaliação clínica e laboratorial |
C | Presentes (ex.: sangramento de mucosa, dor abdominal intensa, vômitos persistentes) | — | Internação hospitalar para monitoramento |
D | Presentes (choque, sangramento grave, disfunção grave de órgãos) | — | UTI (internação em terapia intensiva) |
A afirmativa está incorreta. O paciente com dengue que apresenta febre, dor no corpo, dor retro-orbitária e sangramento gengival evidente deve ser classificado no grupo C, pois o sangramento de mucosa é um sinal de alarme. O grupo B é reservado para pacientes sem sinais de alarme, mas com condições clínicas especiais ou risco social. A presença de sangramento espontâneo indica maior gravidade e necessidade de internação para monitoramento e tratamento, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde.
Gabarito: ERRADO
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