Questão de Medicina — Epidemiologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce181820
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim - ES
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Especialidade: Clínico Geral
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. O hemograma não é exame obrigatório para qualquer caso suspeito de dengue; sua solicitação depende da classificação de risco do paciente (grupos A, B, C ou D), conforme o Ministério da Saúde. Apenas nos grupos B, C e D o hemograma é rotineiramente indicado, enquanto no grupo A ele é reservado a situações específicas (doença crônica prévia, idade > 65 anos, crianças < 1 ano). A base dessa orientação está no manual "Dengue: diagnóstico e manejo clínico" do Ministério da Saúde, que define os exames conforme o estadiamento clínico.
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, com espectro clínico que varia de formas oligossintomáticas a quadros graves, podendo evoluir para choque e óbito. O manejo adequado depende da classificação de risco, que orienta não apenas o local de tratamento (domicílio, unidade de saúde, hospital, UTI), mas também a solicitação de exames complementares. O hemograma completo (com contagem de plaquetas) é um exame inespecífico, mas de grande utilidade para avaliar hemoconcentração e plaquetopenia, que são marcadores de gravidade. No entanto, sua indicação não é universal: ela segue o estadiamento clínico do paciente.
Segundo o Ministério da Saúde, a conduta laboratorial é estratificada:
Grupo A (sem sinais de alarme, sem sangramento, sem comorbidades): hemograma e plaquetas apenas em pacientes com doença crônica prévia, idade > 65 anos ou crianças < 1 ano; sorologia após o 6º dia de sintomas; alternativamente, teste rápido de NS1.
Grupo B (sem sinais de alarme, mas com sangramento de pele ou comorbidades): hemograma e plaquetas em todos os casos; sorologia após o 6º dia ou NS1.
Grupos C e D (com sinais de alarme ou dengue grave): hemograma (com plaquetas) e hematócrito a cada 6 horas; sorologia no 6º dia ou NS1; tipagem sanguínea; raio X de tórax/abdome se suspeita de derrames.
Portanto, a afirmativa "Hemograma é um exame obrigatório para qualquer caso suspeito de dengue" é falsa, pois a obrigatoriedade é condicionada à classificação de risco. No grupo A, por exemplo, um paciente jovem, sem comorbidades e sem sinais de alarme pode ser acompanhado sem hemograma inicial, desde que haja orientação adequada e retorno se houver piora.
A pegadinha da banca está em generalizar a indicação do hemograma para todos os casos suspeitos, ignorando a estratificação de risco que é a base do manejo da dengue. O candidato que memoriza que "hemograma é importante na dengue" pode marcar como certo, mas a banca cobra o conhecimento mais fino: a indicação é seletiva, conforme o grupo clínico.
A banca explora a generalização indevida: o hemograma é um exame útil e frequentemente solicitado, mas não é obrigatório para qualquer caso suspeito. A palavra "qualquer" é o gatilho — lembre-se de que a solicitação depende da classificação de risco (grupos A, B, C, D).
A afirmativa está incorreta porque o hemograma não é obrigatório para todos os casos suspeitos de dengue. A indicação é estratificada: no grupo A, apenas em situações específicas (doença crônica, idade > 65 anos, crianças < 1 ano); nos grupos B, C e D, é rotineiramente solicitado. A banca troca a regra seletiva por uma regra universal, o que contraria o manejo preconizado pelo Ministério da Saúde.
Gabarito: ERRADO.
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