Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce181969
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim - ES
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Procurador
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A afirmação extrapola o texto: não há elementos que permitam inferir que considerar o desmatamento como crime contra a humanidade implique tratar as plantas como pessoas. O autor usa a expressão "crime contra a humanidade" para enfatizar a gravidade do desmatamento, mas jamais equipara árvores a seres humanos ou sugere personalidade jurídica para as plantas.
O texto apenas defende:
"O desmatamento deveria ser tratado como um crime contra a humanidade e punido como tal."
E segue argumentando sobre a necessidade de proteção ambiental, constituições, educação e mobilização. Em nenhum trecho há qualquer menção a "pessoas" ou "personalidade" vegetal. A proposta é proteger as florestas por sua função ecológica ("a sobrevivência da nossa espécie depende da funcionalidade desses ecossistemas").
Item: Infere-se do texto que a proposta de considerar os desmatamentos como um crime contra a humanidade implica considerar as plantas como pessoas.
Comando: "Infere-se" — exige uma conclusão apoiada em pistas textuais. Neste caso, a pista necessária (que plantas sejam vistas como pessoas) simplesmente não existe. Trata-se de uma extrapolação: o candidato acrescenta uma ideia que o texto não contém.
Passagem decisiva: A única referência a "crime contra a humanidade" está no parágrafo único do texto, mas o contexto imediato é a defesa da vida humana e do planeta, não a atribuição de direitos subjetivos a plantas.
Extrapolação: O texto não estabelece vínculo lógico entre a tipificação do desmatamento e a personificação das plantas. Crime contra a humanidade é uma classificação jurídica que visa proteger seres humanos; o autor a empresta metaforicamente para dar ênfase, mas não equipara florestas a pessoas.
Ausência de pista textual: Não há palavras como "pessoa", "direito", "personalidade" ou "sujeito" aplicadas às plantas. A inferência exigiria que o texto ao menos sugerisse essa equiparação, o que não ocorre.
Contradição com a tese central: O autor defende a proteção das florestas para o bem da humanidade ("a sobrevivência da nossa espécie depende"), não por considerá-las pessoas.
O candidato pode achar que "crime contra a humanidade" envolve necessariamente tratar o objeto do crime (as florestas) como humano. Mas a banca quer que se perceba que a expressão é figurada e não implica personalização das plantas.
Em questões de inferência, pergunte-se: "que pista no texto autoriza essa conclusão?" Se a pista não existir, a resposta é errada, mesmo que a afirmação pareça razoável no mundo real.
Gabarito: letra E (Errado).
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