Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Angiologia
Código
ce183056
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Angiologista
Acerca do tabagismo e dos possíveis benefícios do abandono desse hábito, assinale a opção correta.
AOs danos do tabagismo na circulação sanguínea são irreversíveis, mesmo que o usuário pare de fumar.
BO hábito de fumar prejudica apenas a função pulmonar.
CAlgumas semanas depois de parar de fumar, o usuário tem melhora no nível de oxigenação nos tecidos e órgãos corporais.
DMesmo após o abandono do tabagismo, o risco de infarto se mantém elevado, com discreta melhora ao longo dos anos.
EA obstrução de artérias causada pelo tabagismo é irreversível, cabendo somente ser monitorada ao longo dos anos.
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GabaritoC — Algumas semanas depois de parar de fumar, o usuário tem melhora no nível de oxigenação nos tecidos e órgãos corporais.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tabagismo e benefícios do abandono
Gabarito: letra C. Após parar de fumar, o organismo inicia um processo de recuperação que inclui melhora da oxigenação dos tecidos e órgãos em poucas semanas, pois o monóxido de carbono é eliminado e a circulação sanguínea se normaliza progressivamente. As demais alternativas erram ao afirmar que os danos são irreversíveis ou que o risco cardiovascular permanece elevado sem melhora significativa.
O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, que lesa o endotélio vascular, promove aterosclerose, aumenta a coagulabilidade e reduz a oferta de oxigênio aos tecidos, pois o monóxido de carbono (CO) presente na fumaça tem afinidade muito maior pela hemoglobina do que o oxigênio, formando carboxiemoglobina e prejudicando o transporte de O2. Esses mecanismos explicam por que o fumo é fator de risco para infarto, AVC, doença arterial obstrutiva periférica e outras complicações vasculares.
A boa notícia é que muitos desses efeitos são reversíveis. O corpo começa a se recuperar logo após a última tragada: em 20 minutos, a frequência cardíaca e a pressão arterial caem; em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue normaliza; em algumas semanas, a circulação melhora e a função pulmonar aumenta. Com o passar dos anos, o risco de infarto e AVC diminui progressivamente, aproximando-se do risco de quem nunca fumou após 10 a 15 anos de abstinência. A obstrução arterial aterosclerótica já estabelecida pode não regredir completamente, mas o risco de novos eventos e de progressão da doença cai substancialmente.
A banca explora a confusão entre danos irreversíveis (como a destruição alveolar no enfisema) e danos funcionais reversíveis (como a vasoconstrição e a hipóxia). É importante distinguir: enquanto a DPOC avançada tem componente irreversível, os efeitos cardiovasculares agudos e subagudos do tabaco são amplamente reversíveis com a cessação. Além disso, o tabagismo não afeta apenas os pulmões — atinge todo o sistema cardiovascular, pele, sistema reprodutor, imunidade e aumenta o risco de diversos cânceres.
Guarde o critério que separa as alternativas: a reversibilidade dos danos e a temporalidade da melhora. As alternativas A, D e E negam a reversibilidade; a B restringe os danos ao pulmão; a C afirma corretamente a melhora da oxigenação em semanas.
20 minFC e PA caem
12 hCO no sangue normaliza
2 sem–3 mesesCirculação e função pulmonar melhoram
1 anoRisco coronariano cai ~50%
5–15 anosRisco se aproxima do não fumante
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que os danos do tabagismo na circulação são irreversíveis. Isso é falso: embora lesões ateroscleróticas avançadas possam persistir, a função endotelial, a vasodilatação e o fluxo sanguíneo melhoram após a cessação. A circulação periférica se beneficia já nas primeiras semanas, com redução da vasoconstrição e da viscosidade sanguínea.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Restringe os danos do fumo à função pulmonar. O tabagismo é fator de risco para doenças cardiovasculares (infarto, AVC, doença arterial periférica), cânceres (pulmão, boca, bexiga, pâncreas), além de afetar a pele, o sistema reprodutor e a imunidade. A afirmação é claramente incompleta e errada.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. Após parar de fumar, em poucas semanas há melhora da oxigenação tecidual, pois o monóxido de carbono é eliminado do sangue e a circulação periférica se normaliza. Isso é um benefício bem documentado da cessação do tabagismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que o risco de infarto se mantém elevado com "discreta melhora" ao longo dos anos. Na verdade, o risco cardiovascular cai rapidamente após a cessação: em 1 ano, o risco de doença coronariana reduz cerca de 50%; em 5 a 15 anos, aproxima-se do risco de não fumantes. A melhora é significativa, não discreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a obstrução de artérias é irreversível e apenas monitorada. Embora a placa aterosclerótica estabelecida não regrida completamente, a cessação do tabagismo estabiliza a placa, reduz a progressão e o risco de eventos agudos. Há também potencial de regressão parcial com tratamento clínico adequado. A afirmação é pessimista demais e contraria a evidência.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre tabagismo, lembre-se da linha do tempo da recuperação: 20 min (FC/PA), 12 h (CO), 2 semanas a 3 meses (circulação e função pulmonar), 1 ano (risco coronariano -50%), 5-15 anos (risco de AVC e câncer se aproxima do de não fumantes). A banca adora trocar "reversível" por "irreversível" e "melhora significativa" por "discreta melhora".