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Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaAngiologia
Código
ce183062
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Angiologista
Um homem de 65 anos idade está internado por acidente vascular encefálico, fora de janela de trombólise, com sequela motora de hemiparesia direita. Sua ultrassonografia com doppler de carótidas mostra estenose de 80% em carótida interna esquerda.Quando comparada à endarterectomia cirúrgica, a angioplastia com stent está associada a menores taxas de
  1. Aacidente vascular encefálico perioperatório.
  2. Bacidente vascular encefálico no longo prazo.
  3. Cmortalidade no longo prazo.
  4. Dreestenose carotídea.
  5. Einfarto agudo do miocárdio perioperatório.
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GabaritoE — infarto agudo do miocárdio perioperatório.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estenose carotídea: endarterectomia versus angioplastia com stent

Gabarito: letra E. Quando comparada à endarterectomia cirúrgica, a angioplastia com stent está associada a menores taxas de infarto agudo do miocárdio perioperatório. Essa é uma diferença clássica entre os dois procedimentos: a endarterectomia, por ser uma cirurgia aberta, cursa com maior risco de eventos cardíacos isquêmicos no período perioperatório, enquanto a angioplastia com stent, por ser um procedimento endovascular, apresenta menor incidência desse desfecho. As demais alternativas invertem ou distorcem os resultados dos grandes estudos comparativos (como o CREST), que mostram que a angioplastia com stent tem maior risco de AVC perioperatório e de reestenose, sem diferença significativa na mortalidade em longo prazo.

A doença carotídea aterosclerótica é uma das principais causas de acidente vascular encefálico (AVE) isquêmico. Quando há estenose significativa (geralmente > 50% em sintomáticos ou > 70% em assintomáticos), o tratamento de revascularização pode ser indicado, e as duas principais opções são a endarterectomia carotídea (CEA) e a angioplastia com stent (CAS). A escolha entre elas depende de uma série de fatores, incluindo o risco cirúrgico do paciente, a anatomia da lesão e a experiência do serviço.

A endarterectomia é um procedimento cirúrgico aberto, realizado com anestesia geral ou regional, que envolve a remoção da placa aterosclerótica da carótida. Por ser uma cirurgia, está associada a riscos inerentes ao ato operatório, como complicações de ferida operatória, lesão de nervos cranianos (especialmente o nervo laríngeo recorrente e o hipoglosso) e, principalmente, eventos cardiovasculares perioperatórios, incluindo infarto agudo do miocárdio (IAM). A angioplastia com stent, por sua vez, é um procedimento endovascular, realizado por punção arterial (geralmente femoral), com a introdução de um stent na carótida para manter o vaso pérvio. Por ser menos invasivo, tende a causar menos trauma cirúrgico e, consequentemente, menor estresse cardiovascular no período perioperatório.

Os grandes ensaios clínicos randomizados que compararam as duas técnicas, como o CREST (Carotid Revascularization Endarterectomy versus Stenting Trial), demonstraram que a CAS está associada a um risco ligeiramente maior de AVC perioperatório, enquanto a CEA está associada a um risco maior de IAM perioperatório. No longo prazo, não houve diferença significativa na taxa de AVC ou na mortalidade entre os dois grupos. A reestenose, por sua vez, é mais frequente após a angioplastia com stent do que após a endarterectomia, embora a maioria das reestenoses seja assintomática e não exija nova intervenção.

É importante destacar que a decisão de revascularizar um paciente com estenose carotídea deve levar em conta o tempo desde o evento neurológico. O benefício da intervenção é maior nas primeiras 2 semanas após o AVC ou AIT, com redução de até 30% no risco de novo AVC, enquanto a intervenção realizada entre 3 e 6 meses tem benefício menor (cerca de 9%). Após 6 meses sem novos sintomas no território carotídeo, a estenose é considerada assintomática, e o benefício da revascularização é menos claro, especialmente com os avanços da terapia medicamentosa.

No caso apresentado, o paciente tem 65 anos, sofreu um AVE isquêmico com hemiparesia direita (sugerindo lesão no hemisfério esquerdo) e apresenta estenose de 80% na carótida interna esquerda. Como o AVE foi recente (fora da janela de trombólise, mas ainda dentro do período de maior benefício da revascularização), a estenose é sintomática e a revascularização está indicada. A escolha entre CEA e CAS deve considerar o perfil de risco do paciente, e a questão explora justamente a diferença nos desfechos perioperatórios entre as duas técnicas.

A pegadinha central desta questão é a inversão dos desfechos: muitos candidatos lembram que a CAS tem maior risco de AVC perioperatório, mas esquecem que a CEA tem maior risco de IAM perioperatório. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que atribuem à CAS os riscos que na verdade são maiores na CEA.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte os desfechos perioperatórios: a angioplastia com stent tem MAIOR risco de AVC perioperatório, mas MENOR risco de IAM perioperatório em relação à endarterectomia. O candidato que memoriza apenas o primeiro dado (maior AVC na CAS) tende a marcar a alternativa A, caindo na armadilha. Lembre-se: a endarterectomia, por ser cirurgia aberta, cursa com mais eventos cardíacos isquêmicos no perioperatório.

1Endarterectomia (CEA)
Cirurgia aberta
Maior risco de IAM perioperatório
Complicações de ferida
Lesão de nervos cranianos
2Angioplastia com stent (CAS)
Procedimento endovascular
Maior risco de AVC perioperatório
Maior reestenose
Menor risco de IAM perioperatório
3Longo prazo (CREST)
Sem diferença em AVC
Sem diferença em mortalidade
Revascularização carotídea
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Revascularização carotídea: Endarterectomia (CEA) (Cirurgia aberta, Maior risco de IAM perioperatório, Complicações de ferida, Lesão de nervos cranianos); Angioplastia com stent (CAS) (Procedimento endovascular, Maior risco de AVC perioperatório, Maior reestenose, Menor risco de IAM perioperatório); Longo prazo (CREST) (Sem diferença em AVC, Sem diferença em mortalidade)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a angioplastia com stent está associada a menores taxas de AVC perioperatório. Isso é o oposto do que mostram os estudos: a CAS tem maior risco de AVC perioperatório em comparação com a CEA. O AVC perioperatório na CAS pode ocorrer por embolização de debris ateroscleróticos durante a manipulação do stent ou por oclusão aguda do vaso. A banca inverte o desfecho, e o candidato que lembra apenas do maior risco de AVC na CAS pode marcar esta alternativa, mas ela está incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a angioplastia com stent está associada a menores taxas de AVC no longo prazo. Os estudos de longo prazo (como o CREST) não demonstraram diferença significativa na taxa de AVC entre CAS e CEA após o período perioperatório. Portanto, não se pode afirmar que a CAS tem menor risco de AVC no longo prazo. A alternativa é incorreta por não refletir a evidência disponível.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a angioplastia com stent está associada a menores taxas de mortalidade no longo prazo. Os estudos comparativos não mostraram diferença significativa na mortalidade em longo prazo entre CAS e CEA. A mortalidade perioperatória é baixa em ambos os procedimentos, e a mortalidade tardia está mais relacionada a comorbidades do paciente (como doença coronariana) do que à técnica de revascularização. Portanto, a alternativa é incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a angioplastia com stent está associada a menores taxas de reestenose carotídea. Na verdade, a reestenose é mais frequente após a angioplastia com stent do que após a endarterectomia. A reestenose intra-stent pode ocorrer por hiperplasia neointimal, e embora muitas vezes seja assintomática, sua incidência é maior na CAS. A alternativa inverte o desfecho, sendo incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A angioplastia com stent está associada a menores taxas de infarto agudo do miocárdio perioperatório quando comparada à endarterectomia. Isso ocorre porque a CAS é um procedimento endovascular menos invasivo, que não envolve incisão cirúrgica, anestesia geral prolongada ou manipulação direta do coração, resultando em menor estresse cardiovascular no perioperatório. A CEA, por ser uma cirurgia aberta, está associada a maior risco de eventos cardíacos isquêmicos, especialmente em pacientes com doença coronariana prévia, como é comum em pacientes com doença carotídea aterosclerótica.

Gabarito: letra E

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