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Questão de Medicina — Medicina Preventiva — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaMedicina Preventiva
Código
ce183124
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Clínico do Posto de Saúde da Família (PSF)
A solicitação indiscriminada de exames é uma problemática para o Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que, além dos próprios gastos desnecessários relacionados a esses pedidos, muitos usuários ficam meses ou até anos em filas de regulação aguardando a marcação de exames. Tendo em vista esse contexto, assinale a opção que apresenta o caso clínico em que a solicitação do exame complementar é necessária para o diagnóstico, a classificação e, consequentemente, a melhor conduta terapêutica.
  1. AHomem, 45 anos de idade, febre há 4 dias, tosse com expectoração amarelada. No exame: frequência respiratória (FR) = 29 ir/m; PA = 120 mmHg × 80 mmHg; estertores crepitantes em base pulmonar esquerda. Sem comorbidades. Solicitada radiografia de tórax AP e perfil.
  2. BMulher, 25 anos de idade, febre alta há 4 dias, tosse com expectoração amarelada. No exame: frequência respiratória = 35 ir/m; PA = 85 mmHg × 55 mmHg. Estertores crepitantes em base pulmonar esquerda. Solicitada tomografia de tórax.
  3. CMulher, 53 anos de idade, assintomática, tabagista 20 anos-maço. No exame: ausculta normal; PA = 140 mmHg × 89 mmHg. Comorbidades: diabetes melito e hipertensão arterial sistêmica. Solicitada radiografia de tórax PA e perfil.
  4. DAdolescente, 17 anos de idade, com dor de cabeça, tosse seca há 5 dias, sem febre. No exame físico: FR = 20 ir/m, SatO₂= 98%, murmúrio vesicular simétrico. Solicitada radiografia de tórax PA, perfil e oblíquo.
  5. EHomem, 70 anos de idade, com tosse há vários meses e dispneia aos médios esforços. Tabagista 20 anos-maço. No exame: frequência respiratória = 20 ir/m; PA = 129 mmHg × 77 mmHg. Murmúrio vesicular reduzido globalmente. Solicitada espirometria.
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GabaritoE — Homem, 70 anos de idade, com tosse há vários meses e dispneia aos médios esforços. Tabagista 20 anos-maço. No exame: frequência respiratória = 20 ir/m; PA = 129 mmHg × 77 mmHg. Murmúrio vesicular reduzido globalmente. Solicitada espirometria.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Racionalidade na solicitação de exames complementares

Gabarito: letra E. A espirometria é o exame complementar necessário para o diagnóstico, a classificação e a conduta terapêutica no caso de um homem de 70 anos com tosse crônica, dispneia aos médios esforços, tabagismo de 20 anos-maço e murmúrio vesicular reduzido globalmente — quadro fortemente sugestivo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cuja confirmação e classificação de gravidade dependem da espirometria. As demais alternativas apresentam situações em que o exame solicitado é desnecessário ou inadequado para o contexto clínico descrito, configurando a solicitação indiscriminada que o enunciado critica.

A questão aborda um tema central da medicina baseada em evidências e da racionalidade na prática médica: a solicitação criteriosa de exames complementares. O problema da solicitação indiscriminada é real e relevante no SUS, pois gera custos desnecessários e sobrecarrega as filas de regulação. O médico deve solicitar exames apenas quando o resultado pode alterar o diagnóstico, a classificação de gravidade ou a conduta terapêutica. No caso da DPOC, a espirometria é o exame padrão-ouro, indispensável para confirmar a obstrução ao fluxo aéreo (relação VEF1/CVF < 0,70 após broncodilatador), classificar a gravidade (GOLD 1 a 4) e orientar o tratamento farmacológico e não farmacológico. Sem a espirometria, o diagnóstico de DPOC permanece apenas presuntivo, e a conduta pode ser inadequada.

A radiografia de tórax, por sua vez, é um exame de imagem que avalia a anatomia pulmonar, sendo útil para detectar consolidações, nódulos, derrames pleurais, entre outros. No entanto, não é o exame de escolha para o diagnóstico de DPOC, pois a doença é definida funcionalmente, não anatomicamente. A radiografia pode mostrar hiperinsuflação, mas esses achados são inespecíficos e não confirmam o diagnóstico. A tomografia de tórax é ainda mais detalhada, mas também não é indicada rotineiramente para o diagnóstico de DPOC, sendo reservada para casos específicos, como a avaliação de enfisema grave ou a exclusão de outras doenças.

A distinção crucial que a questão explora é entre exames que confirmam o diagnóstico funcional (espirometria) e exames de imagem que avaliam a anatomia (radiografia, tomografia). No caso da pneumonia, por exemplo, a radiografia de tórax é útil para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão do comprometimento, mas em casos leves, sem critérios de gravidade, o tratamento pode ser iniciado empiricamente sem a necessidade do exame. Já na DPOC, a espirometria é indispensável, pois o diagnóstico é funcional e a classificação de gravidade depende diretamente dos valores espirométricos.

A banca explora a pegadinha de apresentar casos em que o exame solicitado é desnecessário (como radiografia de tórax em paciente jovem com quadro viral autolimitado) ou inadequado (como tomografia em paciente com pneumonia comunitária sem critérios de gravidade). O candidato deve identificar qual caso clínico tem indicação formal do exame complementar solicitado, com base nas diretrizes de cada doença. No caso da DPOC, a espirometria é o exame que define o diagnóstico e a classificação, sendo, portanto, a alternativa correta.

1Espirometria
DPOC (suspeita clínica)
Confirma diagnóstico
Classifica gravidade (GOLD)
Orienta conduta
2Radiografia de tórax
PAC leve (sem gravidade)
Não obrigatória (tratamento empírico)
Sem rastreio em assintomático
Viral autolimitada (desnecessária)
3Tomografia de tórax
PAC grave
Não é 1ª linha (atrasa conduta)
Exames complementares
LEVELsoulevel.com.br
Exames complementares: Espirometria (DPOC (suspeita clínica), Confirma diagnóstico, Classifica gravidade (GOLD), Orienta conduta); Radiografia de tórax (PAC leve (sem gravidade), Não obrigatória (tratamento empírico), Sem rastreio em assintomático, Viral autolimitada (desnecessária)); Tomografia de tórax (PAC grave, Não é 1ª linha (atrasa conduta))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O caso descreve um homem de 45 anos com febre, tosse com expectoração amarelada, FR = 29 ir/m, estertores crepitantes em base pulmonar esquerda, sem comorbidades. O quadro é sugestivo de pneumonia adquirida na comunidade (PAC). A radiografia de tórax é um exame que pode ser solicitado para confirmar o diagnóstico, mas não é obrigatório em todos os casos de PAC. Em pacientes sem critérios de gravidade (como o descrito, que não apresenta hipotensão, FR > 30 ir/m, confusão mental, entre outros), o tratamento pode ser iniciado empiricamente, e a radiografia pode ser dispensada. A solicitação indiscriminada de radiografia em todos os casos de PAC é uma prática questionável, pois o exame não altera a conduta na maioria dos casos leves. Além disso, o enunciado pede um caso em que o exame é necessário para o diagnóstico, classificação e conduta, o que não se aplica a este caso, onde o diagnóstico é clínico e o tratamento é empírico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O caso descreve uma mulher de 25 anos com febre alta, tosse com expectoração amarelada, FR = 35 ir/m, PA = 85 × 55 mmHg, estertores crepitantes em base pulmonar esquerda. Este quadro é sugestivo de pneumonia comunitária grave, com critérios de gravidade (FR > 30 ir/m e PA sistólica < 90 mmHg). Nesse contexto, a conduta correta é a internação e o início imediato de antibioticoterapia empírica, além de medidas de suporte. A tomografia de tórax não é o exame de primeira linha para o diagnóstico de PAC, mesmo em casos graves. A radiografia de tórax é o exame inicial, e a tomografia é reservada para casos de dúvida diagnóstica ou complicações. A solicitação de tomografia neste caso é inadequada e atrasa a conduta, configurando solicitação indiscriminada. O exame necessário seria a radiografia de tórax, mas mesmo ela não deve atrasar o início do tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O caso descreve uma mulher de 53 anos, assintomática, tabagista de 20 anos-maço, com ausculta normal, PA = 140 × 89 mmHg, diabetes e hipertensão. A solicitação de radiografia de tórax em paciente assintomática, sem indicação clínica, é um exemplo clássico de solicitação indiscriminada. A radiografia de tórax não é um exame de rastreamento recomendado para tabagistas assintomáticos, pois não há evidência de que o rastreamento com radiografia reduza a mortalidade por câncer de pulmão. O rastreamento de câncer de pulmão em tabagistas é feito com tomografia de baixa dose, e apenas em populações específicas. Neste caso, a conduta correta seria o controle dos fatores de risco (tabagismo, diabetes, hipertensão) e o acompanhamento clínico, sem a necessidade de radiografia de tórax.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O caso descreve um adolescente de 17 anos com dor de cabeça, tosse seca há 5 dias, sem febre, FR = 20 ir/m, SatO₂ = 98%, murmúrio vesicular simétrico. O quadro é sugestivo de infecção viral de vias aéreas superiores, autolimitada, sem sinais de gravidade. A solicitação de radiografia de tórax (PA, perfil e oblíquo) é totalmente desnecessária, pois não há indicação clínica. A radiografia de tórax não é recomendada para o diagnóstico de infecções virais autolimitadas, e a solicitação de incidências oblíquas é ainda mais incomum e sem justificativa. A conduta correta seria orientar o paciente sobre a evolução benigna do quadro, hidratação e sintomáticos, sem a necessidade de exames complementares. Este caso é um exemplo claro de solicitação indiscriminada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O caso descreve um homem de 70 anos com tosse há vários meses, dispneia aos médios esforços, tabagista de 20 anos-maço, FR = 20 ir/m, PA = 129 × 77 mmHg, murmúrio vesicular reduzido globalmente. Este quadro é altamente sugestivo de DPOC, uma doença caracterizada por obstrução crônica ao fluxo aéreo, geralmente causada pelo tabagismo. A espirometria é o exame necessário para confirmar o diagnóstico, classificar a gravidade (GOLD 1 a 4) e orientar a conduta terapêutica. Sem a espirometria, o diagnóstico de DPOC permanece apenas presuntivo, e a classificação de gravidade, que define o tratamento, não pode ser feita. A espirometria é, portanto, o exame complementar que atende exatamente ao que o enunciado pede: necessário para o diagnóstico, a classificação e a melhor conduta terapêutica.

Gabarito: letra E

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