Questão de Medicina — Médico da Família — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Médico da Família
Código
ce183136
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Clínico do Posto de Saúde da Família (PSF)
A respeito da visita domiciliar, uma importante ferramenta da Atenção Primária à Saúde (APS), assinale a opção correta.
AO profissional comunitário deve priorizar as ações administrativas na unidade de saúde preferindo contatar os usuários por telefone ou por meio digital.
BO profissional de enfermagem, por sua atividade de coordenação da equipe, deve permanecer na unidade de saúde para favorecer uma melhor gestão de pessoal.
CO profissional que desenvolve suas ações na APS deve considerar a visita domiciliar como uma ferramenta possível, a depender das necessidades de seu território.
DO profissional médico deve priorizar as atividades de diagnóstico e terapêutica na unidade de saúde, sendo a sua saída para desenvolver outras atividades considerada mau uso do tempo.
EO profissional de odontologia, devido à dependência de tecnologia dura para realizar suas funções, encontra-se limitado no ambiente domiciliar, devendo dar prioridade a atividades no consultório.
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GabaritoC — O profissional que desenvolve suas ações na APS deve considerar a visita domiciliar como uma ferramenta possível, a depender das necessidades de seu território.
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Visita domiciliar na Atenção Primária à Saúde
Gabarito: letra C. A visita domiciliar é uma ferramenta essencial da Atenção Primária à Saúde (APS), mas não é obrigatória ou exclusiva de nenhum profissional: ela deve ser utilizada conforme as necessidades do território e da população adscrita, sendo uma atribuição compartilhada pela equipe multiprofissional. As demais alternativas erram ao engessar a atuação de categorias específicas, seja priorizando ações administrativas, seja restringindo o médico ao consultório ou limitando o dentista ao ambiente clínico.
A visita domiciliar é um dos principais instrumentos de trabalho da APS, especialmente na Estratégia Saúde da Família (ESF). Ela permite que a equipe conheça o contexto de vida do paciente, suas condições de moradia, relações familiares e acesso a recursos, ampliando a compreensão do processo saúde-doença para além do consultório. O médico de família e comunidade, por exemplo, utiliza a visita como parte da semiologia, principalmente para pacientes acamados ou com dificuldade de locomoção, mas as consultas de rotina ocorrem prioritariamente na unidade de saúde. Isso não significa que o médico não deva sair da unidade: a visita é uma ferramenta possível e necessária em diversas situações, como no acompanhamento de pacientes crônicos, idosos frágeis, puérperas e recém-nascidos.
A lógica da APS é centrada na pessoa, na família e na comunidade, com cuidado longitudinal, integral e coordenado. Nesse modelo, todos os profissionais da equipe — médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde (ACS), dentista e auxiliar de saúde bucal — têm atribuições que podem incluir a visita domiciliar, conforme o projeto terapêutico singular de cada usuário. O ACS, por exemplo, tem na visita domiciliar uma de suas principais atividades, realizando cadastramento, acompanhamento e educação em saúde. O enfermeiro também realiza visitas para cuidados de enfermagem, e o médico para avaliação clínica. A odontologia, embora dependa de equipamentos, pode realizar procedimentos no domicílio em situações específicas, como pacientes acamados, com adaptações e materiais portáteis.
A banca explora a ideia de que cada profissional tem um papel fixo e limitado, mas a realidade é que a APS exige flexibilidade e trabalho em equipe. A visita domiciliar não é um "privilégio" de uma categoria, nem uma "perda de tempo" para outra. Ela é uma ferramenta de cuidado que deve ser planejada e executada de acordo com as necessidades do território, respeitando as competências de cada profissional e a organização do serviço. A alternativa C captura exatamente essa essência: a visita é uma ferramenta possível, a depender das necessidades do território.
Visita domiciliar na APS
1Natureza
Ferramenta possível, não obrigatória
Conforme necessidades do território
Atribuição compartilhada da equipe
2Profissionais
ACS: cadastro, acompanhamento, educação
Enfermeiro: cuidados, curativos, orientação
Médico: avaliação clínica, acamados, frágeis
Dentista: procedimentos com material portátil
3Lógica da APS
Cuidado centrado na pessoa/família/comunidade
Longitudinal, integral e coordenado
Flexibilidade e trabalho em equipe
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o profissional comunitário deve priorizar ações administrativas na unidade e contatar usuários por telefone ou meios digitais. Isso contraria a lógica da APS, em que o ACS tem na visita domiciliar uma de suas principais atribuições, com contato direto e regular com as famílias. A alternativa inverte o papel do ACS, que é um elo entre a comunidade e a equipe, e não um profissional administrativo. O contato digital pode complementar, mas não substituir a visita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o enfermeiro deve permanecer na unidade para coordenar a equipe e gerir pessoal. Embora o enfermeiro tenha função de coordenação na ESF, isso não o impede de realizar visitas domiciliares. A coordenação não é uma atividade exclusiva de gabinete; o enfermeiro também participa do cuidado direto, incluindo visitas para avaliação, curativos, orientações e acompanhamento de pacientes. A alternativa cria uma falsa dicotomia entre gestão e assistência.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta afirma que o profissional da APS deve considerar a visita domiciliar como uma ferramenta possível, a depender das necessidades do território. Isso está alinhado com os princípios da APS e da ESF, em que a visita é uma prática legítima e necessária, utilizada conforme o planejamento da equipe e as demandas da população. Não há rigidez: a visita é uma opção entre várias ferramentas de cuidado, e sua indicação depende da avaliação clínica e social de cada caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o médico deve priorizar atividades de diagnóstico e terapêutica na unidade, e que sair para outras atividades seria mau uso do tempo. Isso é um erro conceitual: o médico de família e comunidade tem na visita domiciliar uma ferramenta importante, especialmente para pacientes acamados, idosos frágeis e situações de vulnerabilidade. A visita não é "mau uso do tempo", mas uma extensão do cuidado clínico, permitindo avaliar o contexto domiciliar e tomar decisões mais adequadas. A alternativa engessa a atuação médica, contrariando a prática da MFC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que o odontólogo está limitado no domicílio por depender de tecnologia dura e deve priorizar o consultório. Embora a odontologia dependa de equipamentos, existem procedimentos possíveis no domicílio com materiais portáteis, especialmente para pacientes acamados ou com dificuldade de acesso. A alternativa desconsidera a possibilidade de adaptação e a importância da atenção domiciliar em saúde bucal, que é uma realidade na APS. O dentista também pode realizar visitas para avaliação, orientação e procedimentos básicos.