Questão de Medicina — Geriatria — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Geriatria
Código
ce183140
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Clínico do Posto de Saúde da Família (PSF)
Em relação à saúde da pessoa idosa, assinale a opção correta.
AO declínio funcional não é um marcador de vitalidade no caso de idoso vítima de acidentes.
BO idoso robusto não necessita de cuidados especiais relacionados à assistência à saúde.
CO idoso robusto não necessita de cuidados especiais relacionados à promoção da saúde.
DAutonomia é a capacidade de realizar algo com os próprios meios, enquanto independência é a capacidade de tomar decisões.
EA insuficiência familiar é, em alguns casos, um dos motivos do adoecimento do idoso.
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GabaritoE — A insuficiência familiar é, em alguns casos, um dos motivos do adoecimento do idoso.
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Saúde da pessoa idosa: conceitos-chave e vulnerabilidades
Gabarito: letra E. A insuficiência familiar é, de fato, um dos fatores que podem levar ao adoecimento do idoso, pois a falta de suporte familiar adequado compromete o cuidado, a adesão ao tratamento e a proteção contra situações de risco. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou afirmações incompletas, como a inversão dos conceitos de autonomia e independência na letra D.
A saúde da pessoa idosa é um campo que exige uma abordagem multidimensional, indo muito além do modelo biomédico centrado na doença. O envelhecimento é um processo biológico natural, e não sinônimo de doença — atribuir doenças ao envelhecimento é um erro primário. A avaliação do idoso deve considerar aspectos físicos, nutricionais, cognitivos, psicológicos, sociais, ambientais e espirituais, com foco na capacidade funcional, na independência e na autonomia.
A capacidade funcional é a capacidade de executar tarefas e desempenhar papéis sociais, ou seja, a capacidade de autocuidado. O declínio funcional é um marcador importante de fragilidade e sugere a presença de doenças crônicas ou alterações ainda não diagnosticadas, afetando negativamente a qualidade de vida e a independência. Por isso, o declínio funcional é um sinal de alerta, e não um marcador de vitalidade.
A autonomia e a independência são conceitos distintos e frequentemente confundidos. Autonomia é a capacidade de tomar decisões e de governar a própria vida, enquanto independência é a capacidade de realizar atividades com os próprios meios, sem depender de outros. Um idoso pode ser independente (consegue se vestir sozinho) mas não autônomo (não pode decidir sobre seu tratamento), e vice-versa.
A fragilidade é uma síndrome caracterizada pela diminuição da reserva fisiológica e da resistência a estressores, aumentando a vulnerabilidade a desfechos adversos. Os idosos frágeis, ou em situação de risco, incluem os muito idosos (≥ 80 anos), os que vivem sozinhos, as mulheres idosas viúvas ou solteiras, os que vivem em instituições, os socialmente isolados, os sem filhos, os com limitações graves, os casais em que um é incapacitado e os com poucos recursos econômicos. A insuficiência familiar — a ausência ou inadequação do suporte familiar — é um fator de risco que pode levar ao adoecimento, pois compromete o cuidado e a proteção do idoso.
Mesmo o idoso robusto, que não apresenta fragilidade, necessita de cuidados especiais relacionados à promoção da saúde e à prevenção de doenças, como a manutenção da independência funcional, a extensão da expectativa de vida ativa e a melhora da qualidade de vida. Nenhum idoso está imune à necessidade de acompanhamento e de medidas preventivas.
A banca explora a confusão entre os conceitos de autonomia e independência, além de testar o conhecimento sobre os fatores de risco e vulnerabilidade do idoso. A alternativa correta é a única que apresenta uma afirmação verdadeira e alinhada com os princípios da geriatria.
Saúde da pessoa idosa
1Capacidade funcional
Executar tarefas e papéis sociais
Declínio funcional = sinal de alerta
2Autonomia
Capacidade de tomar decisões
3Independência
Capacidade de realizar com os próprios meios
4Fragilidade
Diminuição da reserva fisiológica
Maior vulnerabilidade a desfechos adversos
5Fatores de risco
Muito idosos (≥ 80 anos)
Vivem sozinhos
Isolamento social
Insuficiência familiar
6Idoso robusto
Necessita de promoção da saúde
Necessita de prevenção de doenças
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O declínio funcional é um marcador de fragilidade e de risco, e não de vitalidade. Ele sugere a presença de doenças crônicas ou alterações ainda sem diagnóstico, afetando negativamente a qualidade de vida e a independência. A banca inverte o sentido: o declínio funcional é um sinal de alerta, não de saúde.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O idoso robusto necessita de cuidados especiais relacionados à assistência à saúde. Mesmo sem fragilidade, o idoso precisa de acompanhamento regular, prevenção de doenças e promoção da saúde. A afirmação é uma generalização indevida, pois nenhum idoso está isento de cuidados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O idoso robusto necessita de cuidados especiais relacionados à promoção da saúde. A promoção da saúde é essencial em todas as fases da vida, incluindo a velhice, com o objetivo de manter a independência funcional, estender a expectativa de vida ativa e melhorar a qualidade de vida. A afirmação é incorreta por negar essa necessidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa inverte os conceitos. Autonomia é a capacidade de tomar decisões, enquanto independência é a capacidade de realizar algo com os próprios meios. A banca troca os termos, uma pegadinha clássica. A definição correta é: autonomia = decidir; independência = executar.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insuficiência familiar é, em alguns casos, um dos motivos do adoecimento do idoso. A falta de suporte familiar adequado compromete o cuidado, a adesão ao tratamento e a proteção contra situações de risco, contribuindo para o declínio funcional e o adoecimento. Essa afirmação está alinhada com os fatores de risco identificados pela OMS, que incluem os idosos que vivem sozinhos, os socialmente isolados e os sem filhos.