Questão de Medicina — Geriatria — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Geriatria
Código
ce183273
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Geriatra
Judith, com 65 anos de idade, procurou assistência médica com um ginecologista por sentir muito ressecamento vaginal desde que entrou na menopausa, aos cinquenta e nove anos de idade, o que tem limitado sua disponibilidade para relações sexuais. O médico prescreveu reposição hormonal combinada e contínua por via sistêmica.Acerca desse quadro clínico hipotético, considerando-se os riscos envolvidos, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para a paciente em questão.
Areposição hormonal sistêmica cíclica
Breposição hormonal sistêmica apenas com estrogênio
Cevitar o uso da reposição hormonal sistêmica e preferir o uso de estrogênio tópico
Dreposição hormonal combinada e contínua sistêmica por, no máximo, dez anos
Enão fazer uso de nenhum tipo de tratamento hormonal, pois todos eles apresentam riscos altos para a saúde
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GabaritoC — evitar o uso da reposição hormonal sistêmica e preferir o uso de estrogênio tópico
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome geniturinária da menopausa: estrogênio tópico versus terapia hormonal sistêmica
Gabarito: letra C. Para Judith, de 65 anos, com queixa isolada de ressecamento vaginal (síndrome geniturinária da menopausa), a conduta adequada é evitar a reposição hormonal sistêmica e preferir o estrogênio tópico vaginal, pois o tratamento local é a primeira escolha para sintomas exclusivamente urogenitais, com menor risco sistêmico. A recomendação atual, no caso de atrofia urogenital, é manter o tratamento com estrogênio tópico enquanto durarem os sintomas, conforme as diretrizes de climatério.
A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da atrofia urogenital causada pela deficiência estrogênica após a menopausa. Os sintomas mais comuns são ressecamento vaginal, prurido, dispareunia (dor durante a relação sexual) e alterações do pH vaginal, além de sintomas urinários como incontinência e infecções de repetição. O diagnóstico é clínico, e o tratamento deve ser individualizado conforme a intensidade dos sintomas e o perfil de risco da paciente.
A regra de ouro é: para sintomas exclusivamente urogenitais, a terapia hormonal local (estrogênio tópico vaginal) é a primeira escolha, pois atua diretamente no tecido-alvo com mínima absorção sistêmica e, portanto, menor risco de eventos adversos sistêmicos. O estrogênio tópico pode ser usado em cremes, comprimidos vaginais ou anéis, e a recomendação é iniciar com aplicações diárias no primeiro mês e, depois, espaçar para 1 a 4 vezes por semana, mantendo enquanto houver sintomas. Já a terapia hormonal sistêmica (TH) — combinada ou isolada — é indicada principalmente para o alívio de sintomas vasomotores (fogachos) e para prevenção de osteoporose, e não é a primeira opção quando a queixa é apenas vaginal.
Na prática, imagine uma paciente de 65 anos, como Judith, que entrou na menopausa aos 59 anos e apresenta apenas ressecamento vaginal que limita a vida sexual. O ginecologista prescreveu TH combinada e contínua sistêmica. Essa conduta é questionável porque, para uma queixa exclusivamente urogenital, a via tópica é mais segura e igualmente eficaz. Além disso, a paciente tem 65 anos, idade em que os riscos da TH sistêmica (cardiovascular, tromboembólico, câncer de mama) aumentam, especialmente se iniciada tardiamente após a menopausa. A regra é: quanto maior o tempo desde a menopausa e maior a idade, menor o benefício e maior o risco da TH sistêmica.
A distinção crucial é entre a terapia hormonal sistêmica e a tópica. A sistêmica (oral, transdérmica, adesiva) atinge todo o organismo e é usada para sintomas sistêmicos (fogachos, osteoporose), mas carrega riscos como tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral e câncer de mama, especialmente em mulheres acima de 60 anos ou com mais de 10 anos de menopausa. A tópica (creme, comprimido, anel vaginal) age localmente, com absorção sistêmica mínima, e é a escolha para atrofia urogenital isolada, mesmo em mulheres com contraindicação à TH sistêmica, como histórico de câncer de mama não hormônio-dependente.
A pegadinha da banca está em fazer o candidato acreditar que, por ser uma paciente de 65 anos, a TH sistêmica é contraindicada de forma absoluta ou que a conduta correta seria não tratar. Na verdade, o tratamento local é seguro e recomendado, e a TH sistêmica pode ser usada em casos selecionados, mas não é a primeira escolha para queixa exclusivamente vaginal. A alternativa C captura exatamente essa nuance: evitar a via sistêmica e preferir a tópica.
Guarde a fronteira entre sintoma urogenital isolado (→ tópico) e sintoma sistêmico (→ sistêmico): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Terapia hormonal na menopausa
1Via tópica (estrogênio vaginal)
Sintomas urogenitais isolados
Mínima absorção sistêmica
Menor risco
2Via sistêmica
Sintomas vasomotores (fogachos)
Prevenção de osteoporose
Riscos: TEV, AVC, câncer de mama
↑ risco com idade avançada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A reposição hormonal sistêmica cíclica (estrogênio + progestagênio em ciclos) é uma modalidade da TH sistêmica, mas não é a conduta adequada para queixa exclusivamente vaginal. A via sistêmica, cíclica ou contínua, expõe a paciente a riscos sistêmicos desnecessários quando o sintoma é apenas urogenital. O tratamento local com estrogênio tópico seria mais apropriado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A reposição hormonal sistêmica apenas com estrogênio (sem progestagênio) é contraindicada em mulheres com útero intacto, pois o estrogênio isolado aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. Além disso, a via sistêmica não é a primeira escolha para atrofia vaginal isolada. A alternativa ignora tanto a necessidade de progestagênio quanto a preferência pela via tópica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta adequada. Para a síndrome geniturinária da menopausa com sintomas exclusivamente vaginais (ressecamento, dispareunia), a recomendação é o uso de estrogênio tópico vaginal, que melhora os sintomas com mínima absorção sistêmica e menor risco. A via sistêmica deve ser evitada nesse cenário, pois expõe a paciente a riscos desnecessários. A recomendação atual é manter o tratamento tópico enquanto durarem os sintomas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A reposição hormonal combinada e contínua sistêmica por, no máximo, dez anos não é a conduta adequada para queixa exclusivamente vaginal. Além de a via sistêmica não ser a primeira escolha, o limite de dez anos não é uma regra rígida e universal; a duração da TH deve ser individualizada, com reavaliação periódica dos riscos e benefícios. Para sintomas urogenitais, o tópico é preferível.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirmar que nenhum tipo de tratamento hormonal deve ser usado porque todos apresentam riscos altos é uma generalização incorreta. O estrogênio tópico vaginal tem absorção sistêmica mínima e é seguro e eficaz para a SGM, mesmo em mulheres com contraindicação à TH sistêmica. A alternativa confunde os riscos da via sistêmica com os da via tópica, que são muito menores.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por ser uma paciente de 65 anos, qualquer terapia hormonal é arriscada e deve ser evitada (alternativa E) ou que a TH sistêmica é a única opção (alternativas A, B e D). A armadilha está em não distinguir a via sistêmica da via tópica: para sintomas exclusivamente urogenitais, o estrogênio tópico é a primeira escolha, com riscos mínimos. Lembre-se: a idade avançada contraindica a via sistêmica, mas não a via tópica.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão trouxer uma paciente na pós-menopausa com queixa exclusivamente vaginal (ressecamento, dispareunia, prurido), a resposta quase sempre será estrogênio tópico. A via sistêmica fica para sintomas vasomotores (fogachos) ou prevenção de osteoporose. Essa distinção entre sintoma urogenital isolado e sintoma sistêmico é o critério que separa as alternativas.