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Questão de Medicina — Geriatria — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaGeriatria
Código
ce183274
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Geriatra
As quedas de idosos são um importante marcador de diminuição da capacidade funcional desses indivíduos, acarretando-lhes fragilidade e vulnerabilidade. A esse respeito, julgue os itens a seguir.I Perda cognitiva e atividade física isométrica são causas comuns de quedas em idosos.II atrogenia no uso de anti-hipertensivos pode causar hipotensão postural, o que pode ensejar as quedas.III Neuropatia diabética e baixa acuidade visual podem facilitar as quedas.Assinale a opção correta.
  1. AApenas um item está certo.
  2. BApenas os itens I e II estão certos.
  3. CApenas os itens I e III estão certos.
  4. DApenas os itens II e III estão certos.
  5. ETodos os itens estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas os itens II e III estão certos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quedas em idosos: fatores de risco e causas

Gabarito: letra D — estão corretos apenas os itens II e III. A iatrogenia por anti-hipertensivos pode causar hipotensão postural, fator de risco clássico para quedas, e a neuropatia diabética e a baixa acuidade visual são causas reconhecidas de quedas em idosos. O item I está incorreto porque, embora a perda cognitiva seja um fator de risco, a atividade física isométrica não é causa comum de quedas — na verdade, o exercício regular é protetor.

As quedas no idoso são um dos grandes síndromes geriátricos, diretamente ligadas à capacidade funcional e à fragilidade. No Brasil, cerca de 29% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano, e 5 a 10% dessas quedas resultam em lesões graves, como fraturas e traumatismo craniano. A queda funciona como um evento sentinela: pode ser a manifestação de uma doença aguda (infecção, AVC) ou o reflexo de um declínio funcional crônico. Por isso, a avaliação do idoso que caiu deve ser ampla, investigando causas intrínsecas (do próprio organismo) e extrínsecas (ambientais).

Os fatores de risco para quedas são múltiplos e frequentemente se somam. Entre os principais estão: história prévia de quedas, medo de cair, diminuição da visão, comprometimento cognitivo, uso de medicamentos (sobretudo psicotrópicos, anticolinérgicos e cardiovasculares), neuropatia periférica, doenças que comprometem força e coordenação muscular, e fatores ambientais. A avaliação recomendada inclui aferição da pressão arterial em posição ortostática, teste de acuidade visual, avaliação cognitiva e da marcha e equilíbrio.

A iatrogenia medicamentosa é um dos pilares da prevenção de quedas. Anti-hipertensivos, especialmente alfabloqueadores, podem provocar ou piorar a hipotensão ortostática (HO), definida como queda ≥ 20 mmHg (ou ≥ 20%) da pressão arterial sistólica ao adotar a posição ortostática. Esse mecanismo é particularmente relevante no idoso, que já tem barorreflexo atenuado. A revisão e redução de medicamentos é uma das intervenções mais efetivas.

A neuropatia diabética compromete a propriocepção e a sensibilidade dos pés, prejudicando o equilíbrio e a marcha. A baixa acuidade visual (por catarata, glaucoma, degeneração macular) aumenta o risco de quedas e está associada a maior mortalidade. Ambos são fatores de risco bem estabelecidos e modificáveis.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir ao incluir "atividade física isométrica" como causa de queda. O candidato pode associar "atividade física" a "risco", mas o exercício — inclusive o isométrico, quando bem prescrito — é protetor contra quedas, pois melhora força e equilíbrio. O que aumenta o risco é o sedentarismo e a fraqueza muscular.

Quedas em idosos
  • 1Fatores de risco
    • Intrínsecos
      • Perda cognitiva
      • Baixa acuidade visual
      • Neuropatia diabética
      • Fraqueza muscular
      • Hipotensão postural
    • Extrínsecos
      • Fatores ambientais
      • Iatrogenia medicamentosa
  • 2Prevenção
    • Exercício regular (protetor)
    • Revisão de medicamentos
    • Correção visual
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Item I — ❌ Incorreto

A perda cognitiva é, de fato, um fator de risco para quedas (compromete o julgamento e a percepção de risco). No entanto, a atividade física isométrica não é causa comum de quedas — muito pelo contrário, o exercício regular, incluindo o de resistência, é recomendado na prevenção. O erro está em associar exercício a risco.

Item II — ✅ Correto

A iatrogenia por anti-hipertensivos é causa clássica de hipotensão postural, que pode levar à queda. A avaliação da pressão arterial ortostática é parte obrigatória da investigação de quedas. O manejo inclui revisão e redução de medicamentos, hidratação e medidas não farmacológicas.

Item III — ✅ Correto

A neuropatia diabética compromete a propriocepção e a sensibilidade plantar, e a baixa acuidade visual prejudica a percepção de obstáculos e do ambiente. Ambos são fatores de risco independentes e bem documentados para quedas.

Conclusão: corretos apenas os itens II e III → letra D.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de quedas em idosos, memorize os fatores de risco modificáveis: medicamentos (psicotrópicos, anti-hipertensivos), visão, neuropatia, força muscular, ambiente. Exercício é sempre protetor — desconfie de alternativas que o coloquem como causa.

Gabarito: letra D

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