Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Hematologia
Código
ce183291
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Hematologista
A DVW hereditária e as hemofilias A e B são as coagulopatias congênitas mais comuns, correspondendo a mais de 95% dos casos. As coagulopatias restantes são conhecidas como coagulopatias hereditárias raras, destacando-se as alterações do fibrinogênio, protrombina, fatores V, VII, X, XI, XIII, e a deficiência combinada dos fatores V e VIII. A respeito das coagulopatias hereditárias raras, assinale a opção correta.
AOs pacientes com deficiência grave de fator X podem apresentar hemartroses e hematomas. A menorragia e a epistaxe são sintomas comuns que afetam as mulheres com deficiência de FX. Os exames de triagem diagnósticos evidenciam prolongamento do TAP e do TTPA.
BIndivíduos com deficiência de FVII apresentam o TP prolongado, com TTPA, TT e tempo de sangramento dentro dos limites da normalidade. Os portadores de deficiência de fator VII apresentam uma correlação fraca entre o nível plasmático de FVII e os sintomas hemorrágicos — apenas os pacientes com níveis abaixo de 1% apresentam fenômenos hemorrágicos leves.
CA deficiência de fator V deve ser suspeitada mediante prolongamento do TP e do TTPA e com TT normal, principalmente devido às manifestações clínicas graves prevalentes em todos os pacientes com deficiências leves desse fator. A inclusão da dosagem sérica de fator VII deve ser realizada somente nos pacientes não responsivos à reposição terapêutica do concentrado de complexo protrombínico.
DOs pacientes com deficiência de protrombina apresentam prolongamento do TAP e níveis normais do TTPA. A deficiência grave ou completa do fator II acarreta fenômenos leves a moderados.
EOs testes de triagem da hemostasia na deficiência de fator XI demostram um prolongamento dos níveis de TTPA com TAP normal e tempo de sangramento prolongado pela metodologia de Ivy. Há forte correlação entre histórico familiar da deficiência de fator XI e origem asiática.
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GabaritoA — Os pacientes com deficiência grave de fator X podem apresentar hemartroses e hematomas. A menorragia e a epistaxe são sintomas comuns que afetam as mulheres com deficiência de FX. Os exames de triagem diagnósticos evidenciam prolongamento do TAP e do TTPA.
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Coagulopatias hereditárias raras: deficiências de fatores de coagulação
Gabarito: letra A. A alternativa correta descreve com precisão a deficiência grave de fator X (FX): manifestações hemorrágicas como hemartroses e hematomas, sintomas comuns em mulheres (menorragia e epistaxe) e prolongamento tanto do tempo de protrombina (TAP) quanto do tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), pois o FX participa da via comum da cascata de coagulação. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de correlação clínico-laboratorial que as tornam incorretas.
As coagulopatias hereditárias raras englobam deficiências de fibrinogênio, protrombina (fator II), fatores V, VII, X, XI, XIII e a deficiência combinada dos fatores V e VIII. Para compreendê-las, é essencial dominar a cascata de coagulação e os testes de triagem da hemostasia. O TAP avalia a via extrínseca e a via comum (fatores VII, X, V, II e fibrinogênio), enquanto o TTPA avalia a via intrínseca e a via comum (fatores XII, XI, IX, VIII, X, V, II e fibrinogênio). O tempo de trombina (TT) avalia especificamente a conversão de fibrinogênio em fibrina. Assim, a interpretação dos padrões de prolongamento desses testes é a chave para o diagnóstico diferencial das deficiências de fatores.
A deficiência de fator X (FX) é uma das mais graves entre as coagulopatias raras. Como o FX é um componente central da via comum, sua deficiência prolonga tanto o TAP quanto o TTPA. As manifestações clínicas incluem sangramento de tecidos profundos, como hemartroses e hematomas, além de menorragia e epistaxe, que são queixas frequentes em mulheres afetadas. A gravidade dos sintomas geralmente se correlaciona com o nível de atividade do fator, sendo os pacientes com níveis muito baixos os mais sintomáticos.
A deficiência de fator VII (FVII) é um caso particular: como o FVII participa apenas da via extrínseca, o TAP é prolongado, mas o TTPA, o TT e o tempo de sangramento permanecem normais. Uma característica marcante dessa deficiência é a fraca correlação entre os níveis plasmáticos de FVII e a gravidade dos sintomas hemorrágicos. Diferentemente do que afirma a alternativa B, mesmo pacientes com níveis baixos (não apenas abaixo de 1%) podem apresentar sangramentos, e a correlação é imprevisível.
A deficiência de fator V (FV) também afeta a via comum, prolongando TAP e TTPA, com TT normal. No entanto, a alternativa C erra ao afirmar que as manifestações clínicas são graves em todos os pacientes com deficiências leves — na verdade, a gravidade é variável e muitos pacientes com deficiência leve são assintomáticos ou apresentam sangramentos leves. Além disso, a dosagem de fator VII não é um procedimento padrão na investigação da deficiência de FV.
A deficiência de protrombina (fator II) prolonga o TAP, mas também pode prolongar o TTPA, pois o fator II participa da via comum. A alternativa D erra ao afirmar que o TTPA é normal. Além disso, a deficiência grave ou completa do fator II geralmente causa fenômenos hemorrágicos graves, não leves a moderados.
A deficiência de fator XI (FXI) afeta a via intrínseca, prolongando o TTPA, com TAP normal. No entanto, o tempo de sangramento é normal, pois a hemostasia primária (plaquetária) não é afetada. A alternativa E erra ao afirmar que o tempo de sangramento é prolongado. Além disso, a associação com origem asiática é uma característica epidemiológica, mas não há uma correlação forte e universal com histórico familiar, como afirma a alternativa.
A pegadinha central desta questão é a correlação entre a via da cascata de coagulação afetada e o padrão de prolongamento dos testes de triagem. O aluno deve memorizar quais fatores pertencem a cada via e, a partir disso, deduzir quais testes estarão alterados. A alternativa A é a única que acerta essa correlação para o fator X, que é um fator da via comum.
Deficiência
TAP
TTPA
TT
Tempo de Sangramento
Manifestações Clínicas
Fator X (FX)
Prolongado
Prolongado
Normal
Normal
Hemartroses, hematomas, menorragia, epistaxe
Fator VII (FVII)
Prolongado
Normal
Normal
Normal
Correlação fraca entre nível plasmático e sintomas; gravidade variável
Fator V (FV)
Prolongado
Prolongado
Normal
Normal
Gravidade variável; deficiência leve pode ser assintomática
Protrombina (Fator II)
Prolongado
Prolongado
Normal
Normal
Deficiência grave causa fenômenos hemorrágicos graves
Fator XI (FXI)
Normal
Prolongado
Normal
Normal
Sangramento mucocutâneo; mais comum em judeus asquenazes
Coagulopatias hereditárias raras
1Via comum (TAP e TTPA alterados)
Fator X
Hemartroses e hematomas
Menorragia e epistaxe
Fator V
TT normal
Gravidade variável
Protrombina (fator II)
Fenômenos graves
2Via extrínseca (só TAP alterado)
Fator VII
Correlação fraca com sintomas
3Via intrínseca (só TTPA alterado)
Fator XI
Tempo de sangramento normal
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A deficiência grave de fator X (FX) causa hemartroses e hematomas, pois o FX é essencial na via comum da coagulação, e sua ausência compromete a formação do coágulo de fibrina. Em mulheres, a menorragia e a epistaxe são sintomas comuns, refletindo o sangramento mucocutâneo e de tecidos profundos. Os exames de triagem mostram prolongamento do TAP e do TTPA, pois ambos os testes dependem da via comum, da qual o FX faz parte. Essa combinação de achados clínicos e laboratoriais é característica e corretamente descrita.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que apenas pacientes com níveis de FVII abaixo de 1% apresentam fenômenos hemorrágicos leves. Na deficiência de FVII, a correlação entre o nível plasmático e a gravidade dos sintomas é fraca e imprevisível; pacientes com níveis baixos, mas não necessariamente abaixo de 1%, podem apresentar sangramentos significativos. O restante da alternativa está correto (TAP prolongado, TTPA, TT e tempo de sangramento normais), mas o erro na correlação clínico-laboratorial torna a afirmação incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa contém dois erros. Primeiro, afirma que as manifestações clínicas são graves em todos os pacientes com deficiências leves de fator V, o que é falso — a gravidade é variável, e muitos pacientes com deficiência leve são assintomáticos ou têm sangramentos leves. Segundo, sugere que a dosagem sérica de fator VII deve ser realizada em pacientes não responsivos à reposição de complexo protrombínico, o que não é uma conduta padrão na investigação da deficiência de fator V. O padrão laboratorial descrito (TAP e TTPA prolongados, TT normal) está correto, mas os demais pontos invalidam a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a deficiência de protrombina (fator II) apresenta níveis normais de TTPA. Como o fator II participa da via comum, sua deficiência prolonga tanto o TAP quanto o TTPA. Além disso, a deficiência grave ou completa do fator II geralmente causa fenômenos hemorrágicos graves, não leves a moderados. A alternativa mistura a apresentação clínica e laboratorial de forma incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o tempo de sangramento é prolongado na deficiência de fator XI. O FXI participa da via intrínseca, portanto o TTPA é prolongado e o TAP é normal, mas o tempo de sangramento (que avalia a hemostasia primária) permanece normal. Além disso, a afirmação sobre a correlação entre histórico familiar e origem asiática é imprecisa: embora a deficiência de FXI seja mais comum em judeus asquenazes, não há uma correlação forte e universal com histórico familiar como descrito.