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Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaHematologia
Código
ce183297
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Hematologista
A hemofilia congênita (hereditária) é uma patologia relacionada ao distúrbio da hemostasia secundária. A hemofilia A é muito mais prevalente que a hemofilia B. O diagnóstico laboratorial bem como o histórico familiar associado à apresentação clínica das manifestações hemorrágicas são essenciais para o diagnóstico das hemofilias congênitas. Acerca do diagnóstico laboratorial da hemofilia A, assinale a opção correta.
  1. AA hemofilia A grave é apresentada nos exames de investigação de coagulopatias de TAP e de TTPA prolongado.
  2. BA hemofilia A é considerada grave quando níveis de fator VIII apresentarem valores < 1 UI/dL (< 0,01 UI/mL) ou < 1% do valor normal.
  3. COs resultados laboratoriais de dosagem de fator VIII entre 1 UI/dL – 5 UI/dL (0,01 UI/mL – 0,05 UI/mL) ou 1% – 5% do normal são considerados hemofílicos leves.
  4. DOs pacientes com níveis séricos de fatores entre 20 UI/dL – 40 UI/dL (0,05 UI/mL – 0,40 UI/mL) ou 5% – < 40% do normal são considerados portadores assintomáticos (apenas exames laboratoriais alterados), não necessitando de tratamento especializado ou reposição de concentrado de fatores profiláticos em situações pré-operatórias.
  5. EOs pacientes portadores de hemofilia A e com presença do tipo sanguíneo O apresentam níveis de dosagens de fator VIII fisiologicamente abaixo de 10% e sem evidência de sangramentos pós-traumáticos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — A hemofilia A é considerada grave quando níveis de fator VIII apresentarem valores < 1 UI/dL (< 0,01 UI/mL) ou < 1% do valor normal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemofilia A: diagnóstico laboratorial e classificação de gravidade

Gabarito: letra B. A hemofilia A é classificada como grave quando os níveis de fator VIII estão abaixo de 1% do normal (< 1 UI/dL), critério que define a forma mais severa da doença e que está diretamente relacionado ao risco de sangramentos espontâneos, especialmente hemartroses. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de valores, como a confusão entre os exames de triagem (TAP e TTPA) e a classificação incorreta dos níveis de fator VIII.

A hemofilia A é uma coagulopatia hereditária ligada ao cromossomo X, causada pela deficiência ou disfunção do fator VIII da coagulação. Ela afeta a hemostasia secundária, ou seja, a fase da cascata de coagulação que estabiliza o coágulo de fibrina. O diagnóstico laboratorial é fundamental e envolve a dosagem do fator VIII, além de exames de triagem como o tempo de protrombina (TAP) e o tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPA).

A classificação da gravidade da hemofilia A é baseada nos níveis plasmáticos de fator VIII, conforme critérios internacionalmente aceitos. A hemofilia é considerada grave quando os níveis de fator VIII são < 1% do normal (< 1 UI/dL), moderada quando os níveis estão entre 1% e 5% (1-5 UI/dL), e leve quando os níveis estão entre 5% e 40% (5-40 UI/dL). Essa classificação é essencial para orientar o tratamento e a profilaxia, pois pacientes com hemofilia grave apresentam sangramentos espontâneos, enquanto os leves geralmente sangram apenas após traumas ou procedimentos.

Na prática clínica, o TTPA é o exame de triagem que se encontra prolongado na hemofilia A, pois avalia a via intrínseca da coagulação, da qual o fator VIII faz parte. O TAP, por sua vez, avalia a via extrínseca e permanece normal na hemofilia A. Essa distinção é crucial para o diagnóstico diferencial e é um ponto frequentemente explorado em provas.

A pegadinha central desta questão está na classificação dos níveis de fator VIII e na interpretação dos exames de triagem. A banca explora a confusão entre os valores que definem cada grau de gravidade e a associação incorreta dos exames laboratoriais. É fundamental memorizar os valores de corte e entender qual via da coagulação cada exame avalia.

Classificação da Hemofilia A

Nível de Fator VIII

Manifestações Clínicas

Grave

< 1% (< 1 UI/dL)

Sangramentos espontâneos (hemartroses, hematomas musculares)

Moderada

1% – 5% (1–5 UI/dL)

Sangramentos após traumas leves ou procedimentos

Leve

> 5% – 40% (5–40 UI/dL)

Sangramentos apenas após traumas significativos ou cirurgias

Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemofilia A grave apresenta TTPA prolongado, mas o TAP é normal. O TAP avalia a via extrínseca (fator VII), enquanto o TTPA avalia a via intrínseca (fatores XII, XI, IX, VIII). Como o fator VIII é deficiente na hemofilia A, apenas o TTPA se altera. A alternativa erra ao afirmar que ambos os exames estão prolongados.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hemofilia A é considerada grave quando os níveis de fator VIII são < 1 UI/dL (< 0,01 UI/mL) ou < 1% do valor normal. Este é o critério exato para a forma grave da doença, que se manifesta com sangramentos espontâneos, especialmente hemartroses e hematomas musculares.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Níveis de fator VIII entre 1% e 5% do normal (1-5 UI/dL) são classificados como hemofilia moderada, não leve. A hemofilia leve é definida por níveis entre 5% e 40% do normal. A alternativa troca a classificação de moderada para leve.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Níveis de fator VIII entre 5% e 40% do normal (5-40 UI/dL) são classificados como hemofilia leve, não como portadores assintomáticos. Pacientes com hemofilia leve podem apresentar sangramentos após traumas ou cirurgias e necessitam de tratamento especializado, incluindo reposição de fator em situações de risco. A alternativa erra ao afirmar que não necessitam de tratamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tipo sanguíneo O está associado a níveis de fator VIII fisiologicamente mais baixos (cerca de 25% a 50% abaixo da média), mas não a níveis abaixo de 10%. Além disso, essa variação não causa sangramentos pós-traumáticos, pois os níveis permanecem dentro da faixa hemostática. A alternativa apresenta valores incorretos e uma associação clínica equivocada.

Gabarito: letra B

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