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Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNefrologia
Código
ce183399
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Médico Nefropediatra
Os distúrbios hidroeletrolíticos mais frequentes em pacientes pediátricos com quadro de vômitos em pós-operatório são
  1. Ahipocalcemia e hipercloremia.
  2. Bdesidratação e hipomagnesemia.
  3. Cdesidratação e hipocalemia.
  4. Dhiperidratação e hiperfosfatemia.
  5. Ehipernatremia e hipercalemia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — desidratação e hipocalemia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Distúrbios hidroeletrolíticos no pós-operatório pediátrico

Gabarito: letra C. Em crianças com vômitos no pós-operatório, os distúrbios hidroeletrolíticos mais frequentes são a desidratação e a hipocalemia: o vômito causa perda direta de água e eletrólitos (especialmente potássio e cloro) pelo trato gastrointestinal, e a criança, por sua imaturidade renal e maior turnover hídrico, depleta rapidamente suas reservas. A alternativa C é a única que combina corretamente esses dois achados.

O vômito é uma via anormal de perda de água e eletrólitos. Diferentemente da diarreia, que cursa com perda de líquido hipotônico, o vômito elimina conteúdo gástrico rico em cloreto de hidrogênio (HCl) e potássio. A perda de HCl leva a alcalose metabólica hipoclorêmica, e a perda de potássio, somada à aldosterona secundária à depleção volêmica, resulta em hipocalemia. Na criança, esse quadro é agravado por características fisiológicas: maior proporção de água extracelular em relação ao peso, maior superfície corporal proporcional, maior velocidade de trocas hídricas (turnover) e menor capacidade de concentração renal. Assim, qualquer processo que interfira no aporte normal de água — como vômitos — depleta rapidamente as reservas corporais de água e sódio, instalando a desidratação.

A desidratação é definida como a perda de água e eletrólitos do compartimento extracelular, podendo ser classificada em isotônica, hipotônica ou hipertônica conforme a natremia. No vômito, a perda é predominantemente de água e cloreto de sódio, levando a desidratação isotônica na maioria dos casos. Já a hipocalemia (K+ < 3,5 mEq/L) é consequência direta da perda gastrointestinal de potássio e da excreção renal aumentada estimulada pela aldosterona. Os sintomas incluem fraqueza muscular, íleo paralítico, arritmias e, em casos graves, paralisia ascendente.

A banca explora a confusão entre os distúrbios que ocorrem no vômito e aqueles que ocorrem em outras situações, como diarreia (que causa hipocalemia também, mas com perda de bicarbonato e acidose), insuficiência renal (hipercalemia, hiperfosfatemia) ou hiperidratação (edema, hipervolemia). O candidato deve lembrar que o vômito leva a perda de ácido e potássio, portanto, alcalose e hipocalemia, e não acidose ou hipercalemia.

Guarde a tríade do vômito: desidratação + hipocalemia + alcalose hipoclorêmica. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Perda de H₂O e eletrólitos
  2. 2Perda de HCl e K⁺
  3. 3Desidratação + hipocalemia
  4. 4Alcalose hipoclorêmica
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipocalcemia não é um distúrbio frequente no vômito; ela ocorre mais comumente em hipoparatireoidismo, deficiência de vitamina D ou síndrome de lise tumoral. A hipercloremia também não é esperada — na verdade, o vômito causa hipocloremia pela perda de HCl. A alternativa inverte o achado: em vez de hipocloremia, traz hipercloremia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A desidratação está correta, mas a hipomagnesemia não é um distúrbio frequente no vômito isolado. A hipomagnesemia ocorre mais comumente em desnutrição, alcoolismo, diarreia crônica ou uso de diuréticos. No vômito agudo, o magnésio é pouco perdido pelo trato gastrointestinal superior.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A desidratação é a consequência imediata da perda de água e eletrólitos pelo vômito, especialmente na criança, que tem maior vulnerabilidade. A hipocalemia é causada pela perda direta de potássio no suco gástrico e pela excreção renal aumentada secundária ao hiperaldosteronismo da depleção volêmica. Essa é a combinação clássica e mais frequente no pós-operatório pediátrico com vômitos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hiperidratação é o oposto do que ocorre: o vômito leva à depleção de volume, não ao excesso. A hiperfosfatemia também não é esperada; ela ocorre em insuficiência renal, hipoparatireoidismo ou síndrome de lise tumoral. A alternativa troca desidratação por hiperidratação e hipocalemia por hiperfosfatemia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipernatremia não é frequente no vômito; a perda de sódio e água costuma ser proporcional, resultando em natremia normal ou, em casos de perda predominante de água, hipernatremia leve — mas não é o distúrbio mais frequente. A hipercalemia também não ocorre; o vômito causa hipocalemia, não hipercalemia. A alternativa inverte ambos os distúrbios.

Gabarito: letra C — desidratação e hipocalemia são os distúrbios mais frequentes em crianças com vômitos no pós-operatório.

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