Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Neurologia
Código
ce183420
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
Um paciente do sexo masculino, com 62 anos de idade, procurou serviço de emergência com história de fala arrastada, dificuldade de deglutição e dificuldade para sustentar a cabeça há 14 dias. Foi diagnosticado com miastenia gravis há 2 anos, mas os sintomas só incluíam diplopia até um quadro gripal há 2 semanas. No exame, apresentava ptose bilateral e disartria grave. Quando deitado, não conseguia sustentar a cabeça erguida da cama. Estava taquipneico e utilizava os músculos acessórios para respirar. Sua força inspiratória negativa era de −15 cm de H₂O.A respeito do caso clínico hipotético apresentado, a conduta mais adequada para o paciente em questão é
Aprescrever piridostigmina e encaminhar para acompanhamento ambulatorial.
Binternar o paciente para timectomia de emergência.
Cadministrar metilprednisolona IV imediatamente enquanto estiver no pronto-socorro.
Dinternar o paciente para observação com controles frequentes da função respiratória, com capacidade vital forçada e medidas de força inspiratória negativas.
Einternar o paciente em UTI, entubar e iniciar terapia com imunoglobulina IV ou plasmaférese.
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GabaritoE — internar o paciente em UTI, entubar e iniciar terapia com imunoglobulina IV ou plasmaférese.
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Crise miastênica e insuficiência respiratória
Gabarito: letra E. O paciente apresenta crise miastênica com sinais de insuficiência respiratória iminente — taquipneia, uso de musculatura acessória e força inspiratória negativa (NIF) de −15 cm H₂O, valor muito abaixo do limiar de segurança (em geral, NIF < −20 cm H₂O ou capacidade vital < 15–20 mL/kg indicam necessidade de suporte ventilatório). A conduta mais adequada é internar em UTI, com prontidão para intubação, e iniciar terapia imunomoduladora de ação rápida, como imunoglobulina intravenosa (IVIG) ou plasmaférese. As demais alternativas subestimam a gravidade ou propõem intervenções inadequadas para o momento agudo.
A miastenia gravis é uma doença autoimune que afeta a junção neuromuscular, causando fraqueza muscular flutuante. A crise miastênica é uma exacerbação grave, frequentemente desencadeada por infecções (como o quadro gripal relatado), que compromete a musculatura bulbar e respiratória. O diagnóstico é clínico, e a avaliação da função respiratória é crucial: a NIF (força inspiratória negativa) e a capacidade vital forçada (CVF) são os parâmetros mais utilizados para monitorar o risco de falência ventilatória. Valores de NIF abaixo de −20 cm H₂O ou CVF inferior a 15–20 mL/kg indicam necessidade iminente de intubação. No caso, a NIF de −15 cm H₂O já está em zona de perigo, e a taquipneia com uso de musculatura acessória confirma o esforço respiratório aumentado.
O tratamento da crise miastênica envolve suporte ventilatório (se necessário), imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese como terapias de primeira linha para remoção/modulação dos anticorpos patogênicos, e, em alguns casos, corticosteroides — mas estes devem ser usados com cautela, pois podem piorar temporariamente a fraqueza. A timectomia é indicada em casos selecionados, geralmente em pacientes com timoma ou em fases estáveis da doença, não como emergência. A piridostigmina é o tratamento sintomático de manutenção, mas não é suficiente para reverter uma crise respiratória. O paciente deve ser monitorado em ambiente de terapia intensiva, com prontidão para intubação orotraqueal e ventilação mecânica.
A distinção fundamental é entre a crise miastênica (emergência) e a miastenia estável (manejo ambulatorial). A banca explora exatamente essa fronteira: alternativas que sugerem condutas ambulatoriais ou intervenções inadequadas para o quadro agudo. O critério decisivo é a presença de sinais de insuficiência respiratória — que, no caso, são evidentes e exigem ação imediata em UTI.
1Reconhecer sinais de alerta
2NIF < −20 cm H₂O
3CVF < 15–20 mL/kg
4UTI + intubação
5IVIG ou plasmaférese
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Prescrever piridostigmina e encaminhar para acompanhamento ambulatorial é totalmente inadequado. A piridostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase usado no tratamento crônico, mas não reverte a insuficiência respiratória aguda. O paciente está em crise miastênica com risco iminente de parada respiratória; encaminhá-lo para casa seria negligência grave. A conduta correta exige internação em UTI e terapias imunomoduladoras.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A timectomia é um procedimento cirúrgico indicado para remoção do timo, geralmente em pacientes com timoma ou em casos selecionados de miastenia generalizada, mas nunca como emergência. Em crise miastênica aguda, a cirurgia é contraindicada devido ao risco anestésico e à instabilidade clínica. A prioridade é estabilizar o paciente com suporte ventilatório e imunoterapia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Administrar metilprednisolona IV imediatamente no pronto-socorro é arriscado. Os corticosteroides podem causar piora paradoxal da fraqueza muscular nos primeiros dias de uso, o que seria desastroso em um paciente com insuficiência respiratória iminente. Embora os corticosteroides façam parte do tratamento da miastenia, eles não são a primeira escolha na crise aguda com comprometimento respiratório — a prioridade é a imunoglobulina IV ou a plasmaférese, que têm ação mais rápida.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Internar para observação com controles frequentes da função respiratória é insuficiente. Embora a monitorização seja importante, o paciente já apresenta sinais claros de insuficiência respiratória (NIF de −15 cm H₂O, taquipneia, uso de musculatura acessória). Ele não deve ser apenas observado em enfermaria; precisa de cuidados intensivos com prontidão para intubação e terapia imunomoduladora imediata. A observação simples não trata a causa da crise.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Internar em UTI, entubar e iniciar imunoglobulina IV ou plasmaférese é a conduta mais adequada. A NIF de −15 cm H₂O indica falência ventilatória iminente, exigindo suporte ventilatório imediato (intubação). A imunoglobulina intravenosa e a plasmaférese são terapias de primeira linha para crise miastênica, pois atuam rapidamente na modulação do sistema imunológico, removendo os anticorpos que atacam a junção neuromuscular. Essa abordagem reduz a mortalidade e melhora o desfecho clínico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com condutas que seriam adequadas em outras fases da doença: a piridostigmina (manutenção), a timectomia (eletiva) e a metilprednisolona (que pode piorar a fraqueza). O erro clássico é não reconhecer a gravidade da insuficiência respiratória e optar por uma conduta menos agressiva. Fique atento aos sinais de alerta: NIF < −20 cm H₂O, taquipneia, uso de musculatura acessória — isso indica crise miastênica e exige UTI.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando um paciente com miastenia gravis apresenta piora respiratória, pense em crise miastênica. Os parâmetros que decidem a conduta são a NIF e a CVF. Se a NIF estiver abaixo de −20 cm H₂O ou a CVF abaixo de 15–20 mL/kg, a conduta é UTI + intubação + IVIG/plasmaférese. Memorize esses valores e a sequência de tratamento.