Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Neurologia
Código
ce183422
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
O exame considerado padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica é o(a)
Adosagem de glicose no sangue em jejum.
Bhemograma completo.
Celetroneuromiografia (ENMG).
Dteste de função hepática.
Eressonância magnética da coluna vertebral.
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GabaritoC — eletroneuromiografia (ENMG).
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Neuropatia periférica: o padrão-ouro diagnóstico
Gabarito: letra C. A eletroneuromiografia (ENMG) é o exame considerado padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica, pois avalia diretamente a função dos nervos periféricos, da junção mioneural e dos músculos, permitindo diferenciar processos axonais de desmielinizantes e localizar a lesão ao longo do trajeto nervoso. As demais alternativas (dosagem de glicose, hemograma, função hepática e ressonância magnética da coluna) são exames complementares que podem auxiliar na investigação etiológica ou excluir outras causas, mas não são o padrão-ouro para o diagnóstico da neuropatia periférica em si.
A neuropatia periférica é um conjunto de doenças que afetam os nervos fora do sistema nervoso central, ou seja, os nervos que conectam a medula espinhal e o cérebro aos músculos, à pele e aos órgãos. O diagnóstico dessa condição envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames eletrodiagnósticos. A eletroneuromiografia (ENMG) é o exame que estuda a unidade motora do nervo, desde a sua saída da medula ou do cérebro até a chegada aos músculos, registrando as trocas elétricas dentro das células e convertendo esses sinais em gráficos e tabelas. O exame é dividido em duas partes: a neurocondução sensorial e motora, que avalia como os nervos estão levando as informações, e a miografia, que estuda o músculo através de um eletrodo de agulha, avaliando o funcionamento em repouso e na contração muscular.
A ENMG é considerada uma extensão do exame físico e tem como objetivo confirmar a suspeita diagnóstica de doenças da unidade motora. Ela é útil para definir se o processo neuropático é causado por um processo axonal ou desmielinizante primário. Em geral, a degeneração axonal diminui a amplitude do potencial de ação muscular composto de modo desproporcional ao grau de redução na velocidade de condução nervosa periférica, enquanto a desmielinização provoca uma redução proeminente nas velocidades de condução. Além disso, os exames eletrodiagnósticos podem identificar uma neuropatia subclínica, quantificar a perda axonal e localizar a lesão no caso de radiculopatias, ganglionopatias da raiz dorsal, plexopatias e mononeuropatias múltiplas.
É importante destacar que a ENMG não faz diagnósticos de doenças do sistema nervoso central, como um acidente vascular cerebral (AVC). Devido a mecanismos fisiológicos de degeneração dos nervos, existe um intervalo de tempo ideal para solicitação do exame: pede-se eletroneuromiografia após 2 ou 3 semanas do início dos sintomas, mas existem exceções, como em paralisia facial periférica e síndrome de Guillain-Barré, em que a ENMG pode ser feita antes. A ressonância magnética da coluna vertebral, por sua vez, é um exame de imagem que pode ser útil para avaliar compressões radiculares ou medulares, mas não é o padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica. Os exames laboratoriais, como dosagem de glicose, hemograma e função hepática, são importantes para investigar causas específicas, como diabetes, anemia ou doença hepática, mas não confirmam o diagnóstico de neuropatia periférica.
A pegadinha desta questão está em confundir os exames que fazem parte da investigação etiológica da neuropatia periférica com o exame que confirma o diagnóstico da doença. A banca explora o fato de que muitos candidatos podem associar a neuropatia periférica ao diabetes e, por isso, marcar a dosagem de glicose no sangue em jejum como padrão-ouro. No entanto, a glicemia de jejum é um exame de rastreamento para diabetes, que é uma das causas de neuropatia, mas não é o exame que diagnostica a neuropatia em si. O padrão-ouro é a eletroneuromiografia, que avalia diretamente a função dos nervos periféricos.
Guarde a distinção entre os exames que investigam a causa da neuropatia (glicose, hemograma, função hepática, vitamina B12, etc.) e o exame que confirma o diagnóstico da neuropatia (eletroneuromiografia). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
1Neurocondução sensorial e motora
2Miografia (eletrodo de agulha)
3Diferencia axonal × desmielinizante
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dosagem de glicose no sangue em jejum é um exame utilizado para rastrear e diagnosticar diabetes mellitus, que é uma das principais causas de neuropatia periférica. No entanto, não é o padrão-ouro para o diagnóstico da neuropatia em si. A glicemia de jejum faz parte da investigação etiológica, mas a confirmação diagnóstica da neuropatia periférica é feita pela eletroneuromiografia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hemograma completo é um exame laboratorial que avalia as células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Ele pode ser útil na investigação de causas de neuropatia, como anemia por deficiência de vitamina B12, mas não é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica. O hemograma é um exame complementar, não um exame eletrodiagnóstico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A eletroneuromiografia (ENMG) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica. Ela avalia a função dos nervos periféricos, da junção mioneural e dos músculos, permitindo diferenciar processos axonais de desmielinizantes, localizar a lesão e quantificar a perda axonal. A ENMG é considerada uma extensão do exame físico e é solicitada quando há suspeita de qualquer doença no sistema nervoso periférico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste de função hepática é um exame laboratorial que avalia a saúde do fígado, medindo enzimas como TGO e TGP, além de albumina e bilirrubinas. Ele pode ser útil na investigação de causas de neuropatia, como doença hepática alcoólica, mas não é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica. A função hepática é um exame complementar na investigação etiológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressonância magnética da coluna vertebral é um exame de imagem que avalia as estruturas da coluna, incluindo a medula espinhal, as raízes nervosas e os discos intervertebrais. Ela pode ser útil para diagnosticar compressões radiculares ou medulares que podem causar sintomas semelhantes aos da neuropatia periférica, mas não é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de neuropatia periférica. A ENMG é o exame que avalia diretamente a função dos nervos periféricos.