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Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaNeurologia
Código
ce183435
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
Assinale a opção que apresenta a abordagem inicial no tratamento de hemorragia intracerebral aguda.
  1. Acirurgia para remoção imediata do hematoma
  2. Badministração de agentes trombolíticos
  3. Ccontrole da pressão arterial
  4. Delevação da cabeceira da cama para 90 graus caso o paciente esteja deitado
  5. Eadministração de anticoagulantes
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GabaritoC — controle da pressão arterial

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia intracerebral aguda: abordagem inicial

Gabarito: letra C. Na hemorragia intracerebral (HIP) aguda, o controle da pressão arterial é a medida inicial mais importante, pois a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é comum na fase aguda e está associada a maior risco de expansão do hematoma, piora clínica e morte. As diretrizes atuais recomendam a redução da pressão arterial sistólica (PAS) para níveis ≤ 140 mmHg, com base no estudo INTERACT 2, que demonstrou segurança e possível benefício funcional. Essa conduta difere do AVC isquêmico, onde a pressão é manejada de forma mais conservadora.

A hemorragia intracerebral é um tipo de acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico, caracterizado pelo extravasamento de sangue para o parênquima cerebral. Diferentemente do AVC isquêmico, onde há oclusão de um vaso, na HIP há ruptura vascular, geralmente associada à hipertensão arterial crônica ou à angiopatia amiloide. O tratamento específico ainda é limitado, e a abordagem inicial concentra-se em medidas de suporte e prevenção de complicações, sendo o controle pressórico o pilar central.

A justificativa para o controle agressivo da PA reside na fisiopatologia: a pressão arterial elevada aumenta a pressão de perfusão cerebral e pode promover a expansão do hematoma nas primeiras horas, piorando o prognóstico. O estudo INTERACT 2 mostrou que a redução da PAS para ≤ 140 mmHg é segura e reduz a expansão hemorrágica. Por outro lado, o estudo ATACH 2 demonstrou que a redução muito agressiva (PAS ≤ 120 mmHg) não traz benefício e pode aumentar o risco de lesão renal. Assim, o alvo pressórico recomendado é PAS < 140 mmHg, com monitorização contínua.

Na prática, o manejo inicial do paciente com HIP inclui: estabilização das vias aéreas, oxigenação, monitorização cardíaca, avaliação da glicemia e, principalmente, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos endovenosos, como metoprolol, diltiazem ou esmolol (no Brasil, onde labetalol e nicardipina não estão disponíveis). A elevação da cabeceira a 30-45 graus é recomendada para reduzir a pressão intracraniana, mas não a 90 graus, como proposto em uma das alternativas. A cirurgia é reservada para casos específicos, como hemorragia cerebelar > 15 mL com deterioração neurológica ou compressão do tronco, e não é a abordagem inicial de rotina. Trombolíticos e anticoagulantes são contraindicados, pois aumentam o sangramento.

A distinção crucial é entre HIP e AVC isquêmico: enquanto no isquêmico a trombólise é indicada em casos selecionados, na HIP é absolutamente contraindicada. Da mesma forma, anticoagulantes são usados no isquêmico para prevenção secundária, mas na HIP aguda são evitados. A cirurgia, embora controversa, pode ser considerada em situações específicas, mas não é a primeira medida. O controle pressórico, portanto, é a intervenção inicial universalmente recomendada, sendo o alvo terapêutico mais importante nas primeiras horas.

A pegadinha desta questão está em confundir a abordagem da HIP com a do AVC isquêmico ou com medidas de suporte que, embora importantes, não são a "abordagem inicial" principal. O candidato pode ser tentado a escolher a cirurgia (A) ou a elevação da cabeceira (D), mas estas são medidas secundárias ou específicas. A alternativa C é a única que reflete a prioridade terapêutica imediata, baseada em evidências robustas e diretrizes internacionais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A cirurgia para remoção imediata do hematoma não é a abordagem inicial de rotina na HIP. O papel do tratamento cirúrgico é controverso para a maioria dos pacientes, e estudos randomizados não demonstraram benefício claro da intervenção cirúrgica precoce. A cirurgia é reservada para casos selecionados, como hemorragia cerebelar > 15 mL com deterioração neurológica ou compressão do tronco cerebral, ou hemorragia supratentorial > 20-30 mL com Glasgow 5-12, mas não como primeira medida em todos os pacientes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A administração de agentes trombolíticos é contraindicada na HIP, pois agrava o sangramento. Trombolíticos são indicados no AVC isquêmico, não no hemorrágico. Embora haja estudos sobre o uso intraventricular de trombolíticos na hemorragia intraventricular (como o estudo CLEAR-IVH), a segurança é incerta e não é recomendado na abordagem inicial da HIP.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O controle da pressão arterial é a abordagem inicial mais importante na HIP aguda. A hipertensão arterial é comum e está associada a maior risco de expansão do hematoma e pior prognóstico. As diretrizes recomendam redução da PAS para ≤ 140 mmHg, com base no estudo INTERACT 2, que mostrou segurança e possível benefício funcional. Essa medida deve ser instituída o mais rápido possível, com anti-hipertensivos endovenosos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A elevação da cabeceira para 90 graus está incorreta. A recomendação é elevar a cabeceira a 30-45 graus para reduzir a pressão intracraniana e melhorar o retorno venoso cerebral. A elevação a 90 graus pode reduzir excessivamente a pressão de perfusão cerebral e não é recomendada. Além disso, a elevação da cabeceira é uma medida de suporte, não a abordagem inicial principal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A administração de anticoagulantes é contraindicada na HIP aguda, pois aumenta o risco de expansão do hematoma e piora o prognóstico. Anticoagulantes são usados no AVC isquêmico para prevenção secundária, mas na HIP devem ser evitados. Em pacientes com HIP que desenvolvem trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, a anticoagulação pode ser considerada após resolução do risco de hemorragia, mas não na abordagem inicial.

Gabarito: letra C — o controle da pressão arterial é a medida inicial mais importante na hemorragia intracerebral aguda, visando reduzir a expansão do hematoma e melhorar o prognóstico.

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