Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2024
Medicina›Neurologia
Código
ce183445
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neuropediatra
Em relação às causas de acidente vascular encefálico (AVE) infantil, que, apesar de raro, está entre as dez principais causas de mortalidade na infância, assinale a opção correta.
AA trombose venosa cerebral é uma causa muito rara de AVE na infância e no período neonatal, sendo seu quadro clínico muito característico, com crises epilépticas, ataxia e paralisia de nervo craniano.
BCerca de metade dos casos de AVE hemorrágico em crianças tem como causa as cardiopatias congênitas.
CDoença falciforme é um importante fator de risco precoce para AVE isquêmico que, em menor grau e em uma fase mais avançada, pode cursar com o AVE hemorrágico.
DA doença de Moyamoya é uma patologia cerebrovascular crônica e progressiva, com características oclusivas particularmente no território das artérias carótidas, e por isso é uma causa relevante de AVE hemorrágico.
EOs defeitos da coagulação sanguínea podem predispor a AVE na infância, razão por que a hemofilia é uma causa importante de AVE isquêmico na infância.
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GabaritoC — Doença falciforme é um importante fator de risco precoce para AVE isquêmico que, em menor grau e em uma fase mais avançada, pode cursar com o AVE hemorrágico.
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Acidente Vascular Encefálico (AVE) na Infância: Etiologia e Fatores de Risco
Gabarito: letra C. A doença falciforme é, de fato, um importante fator de risco para AVE isquêmico na infância, sendo a causa mais comum dessa condição nessa faixa etária. Embora o AVE isquêmico seja a apresentação mais frequente e precoce, o AVE hemorrágico pode ocorrer, em menor grau e em uma fase mais avançada da doença, devido a mecanismos como a formação de aneurismas e a vasculopatia de grandes vasos. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de associação entre a causa e o tipo de AVE.
O AVE infantil, embora raro, é uma condição grave e uma das principais causas de mortalidade na infância. Diferentemente do adulto, em que a aterosclerose e a hipertensão arterial são os principais fatores de risco, na criança as causas são mais heterogêneas e incluem cardiopatias congênitas, doenças hematológicas (como a doença falciforme), infecções, doenças metabólicas e vasculopatias. A compreensão dessas etiologias é fundamental para o diagnóstico e a prevenção.
A doença falciforme (anemia falciforme) é uma hemoglobinopatia hereditária que predispõe à oclusão vascular por falcização das hemácias. No sistema nervoso central, essa oclusão leva a AVE isquêmico, que é a complicação neurológica mais temida e a principal causa de AVE na infância. O risco é particularmente alto nos primeiros anos de vida, e a prevenção primária com transfusões sanguíneas regulares ou hidroxiureia é essencial. Com o avançar da idade e a evolução da doença, podem ocorrer alterações vasculares crônicas, como estenoses e oclusões de grandes artérias intracranianas, que, paradoxalmente, aumentam o risco de AVE hemorrágico, especialmente na adolescência e na vida adulta jovem. Essa transição do padrão isquêmico para o hemorrágico é um aspecto clássico e bem documentado da doença.
A trombose venosa cerebral (TVC) é uma causa importante de AVE na infância, especialmente no período neonatal, mas não é "muito rara" como afirma a alternativa A. Na verdade, é uma causa relativamente mais frequente em crianças do que em adultos, e seu quadro clínico é variável e inespecífico, incluindo crises epilépticas, déficits focais, cefaleia e rebaixamento do nível de consciência. A tríade "crises epilépticas, ataxia e paralisia de nervo craniano" não é característica da TVC, mas sim de outras condições, como tumores de fossa posterior ou doenças desmielinizantes.
As cardiopatias congênitas são a principal causa de AVE isquêmico na infância, e não de AVE hemorrágico. A alternativa B inverte essa relação. A fisiopatologia envolve a formação de êmbolos a partir de shunts cardíacos, arritmias ou vegetações valvares, que ocluem artérias cerebrais. O AVE hemorrágico na criança tem como causas mais comuns as malformações arteriovenosas, os aneurismas e as coagulopatias.
A doença de Moyamoya é uma vasculopatia oclusiva crônica e progressiva que afeta principalmente as artérias carótidas internas e seus ramos proximais, levando à formação de uma rede colateral frágil (os "fumos de cigarro" na angiografia). Essa oclusão arterial é a causa de AVE isquêmico, e não hemorrágico, embora a ruptura dos vasos colaterais possa causar hemorragia em alguns casos. A alternativa D, portanto, erra ao classificar a doença como causa relevante de AVE hemorrágico, quando sua principal manifestação é o AVE isquêmico.
Os defeitos da coagulação sanguínea podem, de fato, predispor a AVE na infância, mas a hemofilia, que é um distúrbio hemorrágico, predispõe a AVE hemorrágico, e não isquêmico. A alternativa E inverte essa relação. As trombofilias (como a deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina, e a mutação do fator V de Leiden) são as que predispõem a AVE isquêmico por trombose.
A pegadinha central desta questão é a associação entre a causa e o tipo de AVE. A banca explora a confusão entre os mecanismos isquêmicos (trombose, embolia) e hemorrágicos (ruptura vascular, sangramento). É fundamental memorizar que: doença falciforme e cardiopatias congênitas → AVE isquêmico; malformações arteriovenosas, aneurismas e hemofilia → AVE hemorrágico; e a doença de Moyamoya → AVE isquêmico (com risco hemorrágico tardio).
Causa
Tipo de AVE associado
Mecanismo principal
Doença falciforme
Isquêmico (precoce) e hemorrágico (tardio)
Oclusão vascular por falcização; vasculopatia crônica
Cardiopatia congênita
Isquêmico
Êmbolos (shunts, arritmias, vegetações)
Hemofilia
Hemorrágico
Distúrbio hemorrágico (deficiência de coagulação)
Doença de Moyamoya
Isquêmico (com risco hemorrágico tardio)
Oclusão de carótidas internas; ruptura de colaterais
Trombose venosa cerebral
Isquêmico (venoso)
Trombose de seios venosos cerebrais
AVE na infância
1Isquêmico
Doença falciforme
Cardiopatias congênitas
Trombofilias
Moyamoya
2Hemorrágico
Malformações arteriovenosas
Aneurismas
Hemofilia
Moyamoya (fase tardia)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A trombose venosa cerebral (TVC) não é uma causa "muito rara" de AVE na infância; pelo contrário, é uma causa relativamente mais comum em crianças e neonatos do que em adultos. Além disso, o quadro clínico da TVC é variável e inespecífico, incluindo crises epilépticas, déficits focais, cefaleia e rebaixamento do nível de consciência, mas não a tríade "crises epilépticas, ataxia e paralisia de nervo craniano", que é mais sugestiva de outras condições, como tumores de fossa posterior ou doenças desmielinizantes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As cardiopatias congênitas são a principal causa de AVE isquêmico na infância, e não de AVE hemorrágico. A fisiopatologia envolve a formação de êmbolos a partir de shunts cardíacos, arritmias ou vegetações valvares, que ocluem artérias cerebrais. O AVE hemorrágico na criança tem como causas mais comuns as malformações arteriovenosas, os aneurismas e as coagulopatias.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença falciforme é, de fato, um importante fator de risco precoce para AVE isquêmico na infância, sendo a causa mais comum dessa condição nessa faixa etária. A falcização das hemácias leva à oclusão vascular, causando infarto cerebral. Embora o AVE isquêmico seja a apresentação mais frequente e precoce, o AVE hemorrágico pode ocorrer, em menor grau e em uma fase mais avançada da doença, devido a mecanismos como a formação de aneurismas e a vasculopatia de grandes vasos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doença de Moyamoya é uma vasculopatia oclusiva crônica e progressiva que afeta principalmente as artérias carótidas internas e seus ramos proximais, levando à formação de uma rede colateral frágil. Essa oclusão arterial é a causa de AVE isquêmico, e não hemorrágico, embora a ruptura dos vasos colaterais possa causar hemorragia em alguns casos. A alternativa erra ao classificar a doença como causa relevante de AVE hemorrágico, quando sua principal manifestação é o AVE isquêmico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os defeitos da coagulação sanguínea podem, de fato, predispor a AVE na infância, mas a hemofilia, que é um distúrbio hemorrágico, predispõe a AVE hemorrágico, e não isquêmico. As trombofilias (como a deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina, e a mutação do fator V de Leiden) são as que predispõem a AVE isquêmico por trombose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os mecanismos isquêmicos (trombose, embolia) e hemorrágicos (ruptura vascular, sangramento). É fundamental memorizar que: doença falciforme e cardiopatias congênitas → AVE isquêmico; malformações arteriovenosas, aneurismas e hemofilia → AVE hemorrágico; e a doença de Moyamoya → AVE isquêmico (com risco hemorrágico tardio).