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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce184047
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor - Disciplina: Língua Portuguesa
Assinale a opção correta em relação ao texto 42A2-II.
  1. AA representação da cultura popular brasileira reside não somente no assunto, mas também na oralidade da linguagem do poema, a exemplo das repetições que dão ênfase a ações (v. 10 e 12), a ausência de pontuação (v. 9 e 10) e a imitação da variação fonética da pronúncia de palavras (v. 15) das falas da menina “Siquê”, que colaboram para a sua caracterização.
  2. BOs diminutivos, nas duas ocorrências (v. 3 e 7), além de caracterizarem uma menina pequena, ganham também tonalidades afetivas, pois refletem a ternura do eu lírico pela criança.
  3. CA partir do título, o poema se presta ao elogio do indígena brasileiro e de sua cultura, que se realiza no resgate da língua indígena (“Cunhantã”, “Siquê”, “Uêrêquitáua”), e na resistência física superior do nativo em comparação com a do homem branco, desde tenra idade: “Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça. / Piá branca nenhuma corria mais do que ela” (v. 3 e 4).
  4. DA mistura de elementos narrativos ao discurso poético — como o diálogo (segunda estrofe) — e o registro de elementos do cotidiano, formando um cenário urbano — em trechos como “Minha mãe (...) estava costurando” (v. 8), “O ventilador era a coisa que roda” (v. 14) — atualizam a poesia indianista para a modernidade valorizada na segunda fase do movimento modernista.
  5. EO resgate da temática do regionalismo no poema modernista tem índices na localização geográfica do texto (v. 1) e na caracterização do povo da região Norte do Brasil, tanto pelos aspectos físicos (v. 3 e 4) quanto pela variante linguística regional, como em “tuíra” (v. 7), “não vi fogo” (v. 10), e “Ai Zizus” (v. 15).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A representação da cultura popular brasileira reside não somente no assunto, mas também na oralidade da linguagem do poema, a exemplo das repetições que dão ênfase a ações (v. 10 e 12), a ausência de pontuação (v. 9 e 10) e a imitação da variação fonética da pronúncia de palavras (v. 15) das falas da menina “Siquê”, que colaboram para a sua caracterização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do poema "Cunhantã" – Interpretação

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela destaca que a representação da cultura popular se dá tanto pelo assunto quanto pela oralidade da linguagem, exemplificando com repetições (v.10: "eu soprei eu soprei eu soprei"; v.12: "Riu, riu, riu"), ausência de pontuação (v.9-10) e imitação da variação fonética (v.15: "Ai Zizus"). Todos esses elementos estão comprovadamente no poema e colaboram para caracterizar a menina Siquê.


Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação é precisa: o poema usa repetições para dar ênfase (v.10 e 12), suprime pontuação em passagens (v.9-10) e reproduz a pronúncia popular em "Ai Zizus" (v.15). Esses recursos de oralidade, somados ao cotidiano da menina, constroem a cultura popular brasileira. Nada é acrescentado além do que o texto oferece.

Trecho: "Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo" (v.10); "Riu, riu, riu" (v.12); "Ai Zizus!" (v.15).


Alternativa B — ❌ Incorreta

Comete o erro de generalização indevida. Embora os diminutivos "escurinha" (v.3) e "boquinha" (v.7) estejam presentes e indiquem pequenez, o texto não expressa explicitamente a ternura do eu lírico. Atribuir um sentimento afetivo sem pista textual é extrapolar. O poema é descritivo, não emocionalmente carregado.


Alternativa C — ❌ Incorreta

Extrapolação. O poema não se presta a "elogio do indígena brasileiro". As palavras indígenas aparecem, mas o tom é neutro, não laudatório. A suposta "resistência física superior" baseia-se no verso "Piá branca nenhuma corria mais do que ela" (v.4), que apenas a descreve como mais rápida, não como superior em resistência. O texto não autoriza a ideia de superioridade física do nativo sobre o branco.


Alternativa D — ❌ Incorreta

Inferência descabida. Há diálogo e elementos cotidianos, mas a afirmação de que o poema "atualiza a poesia indianista para a modernidade" não encontra amparo. O poema não se filia ao indianismo romântico; é uma composição moderna que retrata uma menina indígena/mestiça em contexto contemporâneo. Não há menção a "cenário urbano" — "ventilador" (v.14) é um objeto, não define o ambiente.


Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirmação incompleta e imprecisa. O regionalismo aparece (v.1 "Pará", v.3-4 características físicas), mas o exemplo "não vi fogo" (v.10) não é variante linguística regional; é português padrão simples. "Ai Zizus" (v.15) sim, é variação fonética. A alternativa mistura dados corretos com um exemplo inválido, tornando-a incorreta no todo.


Conclusão: Apenas a alternativa A está integralmente de acordo com o texto e com os recursos linguísticos nele empregados.

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