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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce184048
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor - Disciplina: Língua Portuguesa
Assinale a opção correta em relação aos recursos estilísticos explorados no texto precedente, extraído de uma das crônicas jornalísticas escritas por Machado de Assis.
  1. AAo personificar a febre amarela como uma “velha dama” (terceiro período), visitante assídua da cidade, o cronista faz uso de um recurso literário para recriar, na sua narrativa, o cotidiano de uma cidade ficcional.
  2. BEm “Tudo quer, tudo pede, tudo deseja a saúde, ou pelo menos, a ausência da febre amarela” (segundo período), entende-se que a febre amarela, gradativamente, deixava de ser um problema de saúde pública para se tornar um elemento do imaginário coletivo da época.
  3. CNo segundo parágrafo, o dilema do sobrinho que perde o tio para a morte flagra, por meio da ironia, as contradições da alma humana, um dos temas recorrentes da obra do autor.
  4. DO contraste entre fragmentos “devendo detestá-la” e “não pode desadorá-la” (ambos no quarto período) expõe as reações contraditórias das funerárias em relação às mortes provocadas pela febre amarela, que podem trazer tanto prejuízo quanto lucro.
  5. EO lado “não menos humano” (final do primeiro parágrafo) do comportamento das pessoas é exemplificado, no parágrafo seguinte, na frustração do sobrinho que perde o tio para a morte e descobre que ele não lhe deixou herança.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No segundo parágrafo, o dilema do sobrinho que perde o tio para a morte flagra, por meio da ironia, as contradições da alma humana, um dos temas recorrentes da obra do autor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise dos recursos estilísticos no texto de Machado de Assis

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto: o dilema do sobrinho que perde o tio e herda seus bens flagra, com ironia, as contradições da alma humana – tema recorrente em Machado de Assis. As demais alternativas ou extrapolam informações não presentes ou contradizem o texto.


Alternativa A — ❌ Incorreta

“Esta velha dama, que estabeleceu aqui um pied-à-terre, não se esquece de nós inteiramente…”

O texto faz referência a uma cidade real (Rio de Janeiro), não a uma “cidade ficcional”. A personificação da febre amarela como “velha dama” é real, mas a afirmação de que o cronista recria o cotidiano de uma cidade ficcional é uma extrapolação. O texto não dá qualquer pista de que a cidade seja imaginária. Erro: fora_do_escopo.


Alternativa B — ❌ Incorreta

“Tudo quer, tudo pede, tudo deseja a saúde, ou pelo menos, a ausência da febre amarela”

A alternativa sugere que a febre amarela “deixava de ser um problema de saúde pública para se tornar um elemento do imaginário coletivo”. O texto, porém, não indica essa transição no tempo. Ele descreve o desejo pela saúde ou pela ausência da doença, mas a doença continua sendo um problema real (tanto que “dá muito de comer à empresa funerária”). A passagem não autoriza a conclusão de que a doença se tornou algo apenas imaginário. Erro: generalizacao (extrapolação sem pista no texto).


Alternativa C — ✅ Correta (GABARITO)

“Não, ninguém sabe o que se passa no interior de um sobrinho, tendo de chorar a morte de um tio e receber-lhe a herança. Oh! Contraste maldito! Oh! dilaceração moral!”

O segundo parágrafo apresenta o dilema do sobrinho que chora a morte do tio e, ao mesmo tempo, recebe a herança. A expressão “Oh! Contraste maldito!” revela a ironia da situação: o sobrinho precisa conciliar sentimentos opostos. O próprio texto fala em “lutas terríveis na alma do homem”, confirmando que o foco são as contradições da alma humana – um dos temas mais recorrentes na obra de Machado de Assis. Portanto, a alternativa está correta.


Alternativa D — ❌ Incorreta

“empresa funerária, a qual, devendo detestá-la, pelo lado humano, não pode desadorá-la por outro lado, não menos humano”

O contraste está claro: a empresa funerária, humanamente, deveria detestar a doença, mas não pode porque ela lhe traz negócios (lucro). A alternativa, porém, afirma que as mortes podem trazer “tanto prejuízo quanto lucro”. O texto só menciona lucro (“dá muito de comer à empresa funerária”). Incluir “prejuízo” é uma troca de termo (informação não fornecida). Erro: troca_conceito.


Alternativa E — ❌ Incorreta

“não menos humano” (final do primeiro parágrafo) ... “frustração do sobrinho que perde o tio para a morte e descobre que ele não lhe deixou herança.”

O texto diz explicitamente que o sobrinho recebe a herança: “receber-lhe a herança”. Não há frustração por falta de herança; ao contrário, o dilema é exatamente porque ele recebe a herança e precisa conciliar isso com o luto. A alternativa contradiz o texto. Erro: contradiz_texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que acrescentam detalhes (como “ficcional”, “prejuízo”, “não deixou herança”) sem amparo literal. A resposta correta sempre pode ser provada por um trecho do texto.

Gabarito: letra C.

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