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Questão de Português — Fonologia — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsFonologia
Código
ce184054
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Camaçari - BA
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor - Disciplina: Língua Portuguesa

A sofisticação das línguas indígenas   



       Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que deu um jeito de incorporar um conceito parecido na própria estrutura das palavras, criando o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” — um #sqn que faz parte da própria história do idioma.   


       É exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá? Basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”. Dá para encontrar detalhes surpreendentes como esse em todas as mais de 150 línguas indígenas ainda faladas no território brasileiro. Elas são apenas a ponta do iceberg do que um dia existiu por aqui.   


       Calcula-se que pelo menos 80% dos idiomas que eram falados no Brasil desapareceram de 1.500 para cá. Mesmo assim, o país continua abrigando uma das maiores diversidades linguísticas do planeta. A propósito, esqueça aquele negócio de “tupi-guarani”, expressão que é meio como dizer “português-espanhol”. O tupi é uma língua; o guarani é outra — e, aliás, existem diversas formas de guarani, nem sempre inteligíveis entre si.   


       O único emprego correto do substantivo composto “tupi-guarani” é o que serve para designar uma subfamília linguística com esse nome, a qual engloba dezenas de idiomas. Entre seus membros ainda usados no cotidiano estão o nheengatu, os vários “guaranis”, o tapirapé e o guajá. Uma subfamília, como você pode imaginar, faz parte de uma família linguística mais ampla — nesse caso, a família tupi propriamente dita.   


       Existem pelo menos outras três grandes famílias linguísticas no país, diversas outras famílias de porte mais modesto e, de quebra, várias línguas consideradas isoladas. É mais ou menos o mesmo caso do basco, falado na Espanha e na França — com a diferença de que o basco é um dos únicos casos desse tipo no território europeu.   


       Essa comparação ajuda a entender o tamanho da riqueza linguística brasileira. Com raríssimas exceções (fora o basco, temos também o finlandês e o húngaro, por exemplo), todos os falares ainda utilizados hoje na Europa fazem parte de uma única família linguística, a do indo-europeu. Pode não parecer à primeira vista, mas é praticamente certo que o alemão, o russo, o grego, o português e o lituano descendem de um único idioma pré-histórico, que hoje chamamos de protoindo-europeu.


Reinaldo José Lopes. Internet. <super.abril.com.br.> (com adaptações). 

A palavra
  1. Ahúngaro tem 7 letras e 6 fonemas.
  2. Bsufixo tem 6 letras e 6 fonemas.
  3. Chistória tem 8 letras e 9 fonemas.
  4. Driqueza tem 7 letras e 6 fonemas.
  5. Elínguas tem 7 letras e 7 fonemas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — riqueza tem 7 letras e 6 fonemas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise de fonemas e letras

Gabarito: D — riqueza tem 7 letras e 6 fonemas. A alternativa está correta porque o dígrafo 'qu' em "riqueza" representa um único fonema /k/, reduzindo a contagem para 6 fonemas. As demais alternativas erram ao desconsiderar letras diacríticas, dígrafos ou dífonos.

Análise detalhada

Alternativa A — ❌ Incorreta. "húngaro": tem 7 letras, mas o 'h' é silencioso e o 'n' após 'u' nasaliza a vogal (não é fonema, conforme o texto de apoio: "O M e o N usados após as vogais, nasalizando-as, não são fonemas"). Logo, os fonemas são /ũ/, /g/, /a/, /r/, /o/ = 5 fonemas, não 6.

Alternativa B — ❌ Incorreta. "sufixo": 6 letras, mas o 'x' representa os fonemas /k/ e /s/ (dífono). Fonemas: /s/, /u/, /f/, /i/, /k/, /s/, /o/ = 7, não 6.

Alternativa C — ❌ Incorreta. "história": 8 letras, mas o 'h' é silencioso. Fonemas: /i/, /s/, /t/, /ɔ/, /r/, /i/, /a/ = 7, não 9.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO. "riqueza": 7 letras, mas 'qu' é dígrafo (um só fonema /k/). Fonemas: /r/, /i/, /k/, /e/, /z/, /a/ = 6.

Alternativa E — ❌ Incorreta. "línguas": 7 letras, mas o 'n' após 'i' nasaliza a vogal (não é fonema) e o 'u' é semivogal no ditongo 'ua' (não é fonema à parte). Fonemas: /l/, /ĩ/, /g/, /w/, /a/, /s/ = 6, não 7.

PEGA ESSA DICA!

Para contar fonemas, ignore o 'h' inicial, trate 'n'/'m' após vogal como nasalização, 'qu'/'gu' seguidos de 'e'/'i' como dígrafos, e 'x' como possível dífono (ks). Sempre confira se a palavra termina com 'em'/'am' (ditongo nasal) – isso também reduz a contagem.

Gabarito: D

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