Questão de História — História Geral — CESPE / CEBRASPE 2024
História›História Geral
Código
ce184517
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor de História
Tomai o fardo do Homem BrancoEnvia teus melhores filhosVão, condenem seus filhos ao exílioPara servirem aos seus cativos;Para esperar, com arreiosCom agitadores e selváticosSeus cativos, servos obstinados,Metade demônio, metade criança.Rudyard Kipling.O fardo do homem branco, 1899.O poema apresentado, de 1899, demonstra parte do pensamento imperialista e neocolonialista. Considerando as palavras do poema no contexto do período histórico em que ele foi escrito, assinale a opção correta.
AO fardo do homem branco europeu era levar a democracia e o autogoverno para a África e a Ásia.
BA presença dos europeus na Ásia resumia-se a investigar o darwinismo social, que colocava os brancos como servos das demais raças.
COs países europeus buscaram dominar os territórios asiáticos e africanos, fosse pela invasão, fosse pela criação de zonas de influência.
DOs africanos aceitaram sem resistência a presença do colonizador branco, adotando o modelo civilizatório europeu.
EO homem colonizador, por impor sua cultura, era considerado um ser maléfico, caracterizado no poema como “Metade demônio”.
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GabaritoC — Os países europeus buscaram dominar os territórios asiáticos e africanos, fosse pela invasão, fosse pela criação de zonas de influência.
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O fardo do homem branco e o imperialismo do século XIX
Gabarito: letra C. O poema de Kipling é a mais célebre expressão poética da ideologia imperialista do final do século XIX: países europeus (e os EUA) viam-se no “dever” de civilizar povos considerados “atrasados”, justificando a dominação direta ou indireta sobre África e Ásia. A alternativa C descreve exatamente essa realidade histórica – invasões e zonas de influência foram os métodos centrais do neocolonialismo.
O poema trata os colonizados como “metade demônio, metade criança”, incapazes de se autogovernar. O colonizador, por sua vez, carrega o “fardo” de governá-los – não por maldade, mas por suposta superioridade racial e cultural. A banca testa a compreensão desse contexto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o fardo era levar democracia e autogoverno. O poema e a prática imperialista mostram o oposto: a dominação era autoritária, e a democracia não era estendida às colônias. O “fardo” é civilizar à força, não conceder soberania.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a presença europeia se resumia a investigar o darwinismo social, com brancos como servos. Na verdade, o darwinismo social foi usado para justificar a superioridade branca, e os europeus não se viam como servos, mas como senhores. O poema reforça que os brancos devem “servir aos cativos”, mas isso é uma missão paternalista, não subserviência.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve precisamente o imperialismo: dominação territorial (invasão) ou econômico-política (zonas de influência). A Europa, no final do século XIX, partilhou a África (Conferência de Berlim, 1884-85) e expandiu seu controle sobre a Ásia (Índia, Indochina, etc.), exatamente como a alternativa aponta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que africanos aceitaram sem resistência. Historicamente houve inúmeras resistências (Ex.: resistência Zulu, guerra dos Mahdistas, etc.). O poema, ao tratar os colonizados como “selváticos”, não pressupõe aceitação passiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Inverte o poema: o colonizador não é “metade demônio”; é o colonizado que é descrito como “half devil and half child”. O colonizador se vê como benfeitor, não como ser maléfico. “Metade demônio” se refere à suposta natureza violenta e indomável dos nativos.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de análise de fontes históricas, preste atenção ao sujeito das afirmações. A banca pode inverter quem é descrito (colonizador vs colonizado). Leia o poema com cuidado: o “fardo” é do homem branco; os “cativos” e “selváticos” são os povos dominados.