Questão de História — História do Brasil — CESPE / CEBRASPE 2024
História›História do Brasil
Código
ce184520
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Joinville - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor de História
Considerando o longo período de escravidão legalizada no Brasil e a consequente formação de uma sociedade com bases estruturais racistas, assinale a opção correta.
APermitia-se que o escravizado pudesse plantar roçados, vender produtos e acumular pecúlio para benefício próprio.
BEstabelecia-se em lei quantidade máxima de escravizados nas fazendas, no intuito de evitar rebeliões.
CDistinguia-se a escravização na América pelo seu caráter endógeno, com pouca dependência do tráfico, promovendo-se a reprodução dos escravizados nas fazendas.
DRejeitava-se a alforria de recém-nascidos e crianças pequenas, no intuito de aumentar o número de escravizados nascidos na América.
EProibia-se o casamento entre pessoas escravizadas e livres para evitar a ascendência do que era chamado de “sangue infecto”.
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GabaritoA — Permitia-se que o escravizado pudesse plantar roçados, vender produtos e acumular pecúlio para benefício próprio.
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Escravidão no Brasil: possibilidades de autonomia escrava
Gabarito: letra A. Durante o período escravista brasileiro, era prática comum — e em certa medida tolerada — que os escravizados cultivassem pequenos roçados, comercializassem o excedente e acumulassem pecúlio, podendo, com ele, comprar a própria alforria. Esse fenômeno, conhecido como "brecha camponesa", é amplamente documentado pela historiografia. As demais alternativas apresentam afirmações que não correspondem à realidade histórica.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A historiografia demonstra que, no Brasil colonial e imperial, os senhores frequentemente permitiam que seus escravizados cultivassem lotes de subsistência (roçados) e vendessem o excedente nos mercados locais. O pecúlio acumulado poderia ser usado para a compra da alforria, mecanismo que, embora não fosse um direito legal, era uma prática socialmente aceita e estimulada como forma de controle social. Essa possibilidade de ascensão social limitada não eliminava a violência da escravidão, mas caracterizava uma especificidade do sistema escravista brasileiro em comparação com outros, como o dos Estados Unidos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não existiu no Brasil lei que estabelecesse um número máximo de escravizados por fazenda. Ao contrário, a Coroa portuguesa e, depois, o Império brasileiro não intervieram na quantidade de cativos que cada proprietário podia ter. A preocupação com rebeliões era real, mas as medidas de controle eram outras, como a criação de milícias e a repressão a quilombos, e não a limitação numérica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A escravidão no Brasil foi marcadamente exógena, ou seja, altamente dependente do tráfico atlântico de africanos. Durante séculos, o tráfico negreiro foi a principal fonte de reposição da mão de obra escrava, e a reprodução natural (endógena) era baixa, devido às duras condições de vida, à elevada mortalidade e ao desequilíbrio demográfico. Portanto, a afirmação de que a escravidão na América tinha "caráter endógeno" é falsa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alforria de recém-nascidos e crianças pequenas era uma prática relativamente comum, especialmente por meio do batismo e da concessão de liberdade por parte dos senhores ou da Igreja. A Lei do Ventre Livre (1871) tornou obrigatória a liberdade dos filhos de escravas, mas mesmo antes disso, muitas crianças eram alforriadas. A afirmação de que se "rejeitava" essa alforria para aumentar o número de cativos nascidos no Brasil não encontra respaldo histórico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
No Brasil, ao contrário do que ocorreu em outras sociedades escravistas, não houve proibição legal do casamento entre pessoas escravizadas e livres. O casamento inter-racial era permitido, embora fosse socialmente desestimulado em certos contextos. A ideia de "sangue infecto" era uma noção racista, mas não se traduziu em lei que proibisse essas uniões. A escravidão brasileira tinha uma hierarquia racial, mas não uma proibição formal de casamento entre livres e escravos.
PEGA ESSA DICA!
Ao estudar a escravidão no Brasil, lembre-se de três características centrais: (1) a existência da "brecha camponesa" e a possibilidade de alforria; (2) a enorme dependência do tráfico atlântico (caráter exógeno); (3) a ausência de leis proibindo casamentos inter-raciais ou limitando o número de escravizados. Esses pontos são frequentemente cobrados em provas.
Gabarito: letra A — a única alternativa que descreve corretamente uma prática real do escravismo brasileiro.