Interpretação do fragmento poético de Manuel Bandeira
Gabarito: letra C. A questão cobra o conceito de intertextualidade, pois o trecho "Aurora da minha vida / Que os anos não trazem mais!" retoma um verso conhecido da tradição lírica popular brasileira (presente em cantigas e em poemas de autores como Casimiro de Abreu). Bandeira insere esses versos em novo contexto poético, dialogando com a tradição e atribuindo-lhes um sentido renovado.
"— Voei ao Recife, no Cais / Pousei na Rua da Aurora. / — Aurora da minha vida / Que os anos não trazem mais! / — Os anos não, nem os dias, / Que isso cabe às cotovias."
O verso destacado é uma citação literal — o que configura intertextualidade explícita, recurso comum na literatura para estabelecer diálogo entre textos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que se trata de "texto da cultura popular, escrito em linguagem informal e espontânea". O poema, porém, é erudito (autoria de Manuel Bandeira, consagrado poeta modernista) e não se enquadra como cultura popular espontânea. Erro: contradiz o texto — a linguagem é formal e elaborada, típica da poesia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o fragmento explora "sentido figurado incerto e sugestivo das palavras", gerando ambiguidade. Na verdade, os versos citados têm sentido claro e remetem a um texto anterior. A ambiguidade não é o traço central. Erro: generalização indevida — o texto não é ambíguo; é uma referência direta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conforme explicado, o trecho retoma versos da tradição lírica brasileira, inserindo-os em novo contexto, o que é a definição de intertextualidade. O poema de Bandeira dialoga com a cultura popular, transformando o sentido original.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Alega que "a maior parte das palavras do fragmento" tem variação de sentidos e difícil compreensão. As palavras são comuns e o significado é claro no contexto. Erro: contradiz o texto — não há variação semântica relevante que dificulte a compreensão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aponta "marcas da variedade linguística regional nordestina". O poema menciona Recife e Rua da Aurora, mas não apresenta traços dialetais típicos do Nordeste (como "tu" com verbos na 2ª pessoa, girias etc.). Erro: extrapolação — a localização geográfica não implica variação linguística regional no texto.
Gabarito: letra C