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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce185727
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ-AC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Técnico da Fazenda Estadual
Texto CG3A1

      — Afinador de piano, em excursão, vinte e cinco mil-réis.
      — Quanto?
      — Vinte e cinco mil.
     — É exagero. Às vezes o afinador não ganha isso durante a viagem. O Juca Silveira me contou. A principal fonte de renda dele é a criação de perus. E já paga imposto de indústria e profissão...
     — Bem, se nós formos indagar dos contribuintes quanto é que eles querem pagar, a tesouraria fica sem recursos para comprar um maço de velas quando faltar luz. Seria preferível que eles mesmos fizessem o lançamento.
     A Câmara Municipal discutia o orçamento para 1920, e os dois vereadores ponderavam ponto por ponto cada título da receita. O município é pobre, arrecada setenta e dois contos por ano. Houve praga na lavoura; deu peste no gado; o empréstimo para instalação de luz elétrica vence juros penosos. Para atender ao serviço de estradas, à instrução, às eleições, ao funcionalismo, a tanto compromisso, torna-se imperioso lançar novos impostos, criar taxas inéditas, como essa de afinador. Mas piano — quantos pianos terá o município? Quinze, no máximo; dos quais apenas uns cinco nos distritos: a taxa talvez não produza cinquenta mil-réis. Uma ninharia, meu caro!
    No calor da sala, os vereadores tentam reerguer as finanças públicas. Salão muito quente, com efeito. Dá para a frente da praça, que recolhe o sol da tarde, ao passo que a outra sala, olhando para a montanha e o vale profundo, recebe uma doce brisa, em que narinas mais apuradas distinguem o perfume de árvores distantes, e os caçadores chegam a identificar um cheiro de anta. No inverno, sim, a sala das sessões recomenda-se pelo aconchego — mas o orçamento é feito naquela época do ano em que as cigarras estouram, e secam os córregos.
    — Barbeiro com uma só cadeira, vinte mil-réis na cidade; em outros lugares, dezoito mil. Cada mão de engenho de mineração, quando fabricada no país...

Carlos Drummond de Andrade. Câmara e cadeia. In: Contos de aprendiz.
Companhia das Letras (com adaptações). 
Quanto ao tipo textual, o texto CG3A1 classifica-se como
  1. Aargumentativo.
  2. Binjuntivo.
  3. Cnarrativo.
  4. Ddescritivo.
  5. Edissertativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — narrativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Identificação do tipo textual predominante

Gabarito: letra C. O texto CG3A1 classifica-se como narrativo, pois apresenta uma sequência de eventos no tempo, personagens (vereadores), cenário (Câmara Municipal) e um enredo (discussão do orçamento). A presença de diálogos e descrições não descaracteriza a narrativa; ao contrário, são elementos típicos de textos narrativos.

✅ Correta — letra C: narrativo

O texto relata uma cena: "A Câmara Municipal discutia o orçamento para 1920, e os dois vereadores ponderavam ponto por ponto cada título da receita." Há progressão temporal ("No calor da sala..."), personagens que interagem (os vereadores, o diálogo inicial) e um conflito (a dificuldade financeira). A estrutura é de um conto ou crônica, com início, meio e encaminhamento de desfecho. Portanto, o predomínio é narrativo.

❌ Incorreta — letra A: argumentativo

O texto não tem por objetivo convencer o leitor de uma tese. Embora haja argumentos dos vereadores ("se nós formos indagar...", "Seria preferível que eles mesmos fizessem o lançamento"), eles estão inseridos em um contexto narrativo, como fala das personagens, e não como defesa de uma posição do autor. O texto como um todo não é uma dissertação argumentativa.

❌ Incorreta — letra B: injuntivo

O texto injuntivo dá instruções, ordens ou conselhos (manuais, receitas, regulamentos). O texto em questão não contém imperativos nem orientações ao leitor; o único imperativo aparece no diálogo ("— Quanto?"), mas é parte da narrativa.

❌ Incorreta — letra D: descritivo

Há passagens descritivas, como a descrição da sala ("Dá para a frente da praça, que recolhe o sol da tarde...") e do cheiro ("distinguem o perfume de árvores distantes"). No entanto, essas descrições servem para ambientar a narrativa e não constituem o objetivo principal do texto. O texto não se limita a descrever um objeto, pessoa ou lugar estático; ele conta uma história.

❌ Incorreta — letra E: dissertativo

O texto dissertativo-expositivo expõe informações de forma impessoal e organizada, sem trama. O texto em questão é marcado por subjetividade (ponto de vista do narrador), diálogos e progressão temporal, características ausentes da dissertação.

1Narrativo
Sequência de eventos
Personagens e cenário
Progressão temporal
2Argumentativo
Defesa de tese
Convencimento do leitor
3Injuntivo
Instruções/ordens
Imperativos
4Descritivo
Caracterização estática
Ambientação
5Dissertativo
Exposição impessoal
Sem trama
Tipos textuais
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Tipos textuais: Narrativo (Sequência de eventos, Personagens e cenário, Progressão temporal); Argumentativo (Defesa de tese, Convencimento do leitor); Injuntivo (Instruções/ordens, Imperativos); Descritivo (Caracterização estática, Ambientação); Dissertativo (Exposição impessoal, Sem trama)
NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a mescla de tipos textuais. Muitos alunos confundem a presença de descrição ou argumentação com o tipo predominante. Lembre-se: o que define o tipo é a INTENÇÃO comunicativa dominante. Aqui, a intenção é narrar um fato — a reunião da Câmara.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tipo textual, pergunte-se: "O texto conta uma história?" Se sim, é narrativo (mesmo que haja descrições). Se ele explica ou defende uma ideia, é dissertativo. Se dá ordens, é injuntivo. Se apenas retrata um ser/objeto/lugar, é descritivo.

Gabarito: letra C.

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