Questão de Estatística — Amostragem — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186097
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Administrativa
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A alocação ótima de Neyman, com custo constante, define o tamanho da amostra em cada estrato como proporcional ao produto do tamanho do estrato pelo seu desvio-padrão: . Isso significa que ela considera tanto o tamanho dos estratos quanto a variabilidade interna (via desvio-padrão), exatamente como afirma o enunciado. As duas desvantagens apontadas também são corretas: a alocação ótima não produz estimador autoponderado (exige pesos amostrais) e depende das variâncias populacionais dentro dos estratos, que em geral são desconhecidas.
A amostragem estratificada divide a população em estratos homogêneos internamente e heterogêneos entre si, retirando amostras de cada estrato. A alocação das unidades entre os estratos pode ser feita de três formas principais: uniforme, proporcional e ótima. A alocação proporcional distribui a amostra proporcionalmente ao tamanho de cada estrato (), ignorando a variabilidade interna. Já a alocação ótima de Neyman, além do tamanho, incorpora o desvio-padrão de cada estrato, minimizando a variância do estimador da média para um custo fixo. Essa é a diferença central que a banca explora: enquanto a proporcional só olha o tamanho, a ótima olha tamanho e variabilidade.
A primeira desvantagem citada — a não autoponderação — é real. Na alocação proporcional, o estimador da média é autoponderado, pois cada elemento da amostra representa o mesmo número de elementos da população. Na alocação ótima, como as frações amostrais variam entre estratos, o estimador deixa de ser autoponderado, exigindo o uso de pesos amostrais (inversos das probabilidades de inclusão) para estimar corretamente os parâmetros populacionais. A segunda desvantagem também procede: a fórmula da alocação ótima depende dos desvios-padrão populacionais de cada estrato, que raramente são conhecidos na prática, sendo necessário estimá-los a partir de dados anteriores ou de uma amostra piloto.
A pegadinha clássica é confundir a alocação ótima com a proporcional. A banca pode afirmar que a alocação ótima considera apenas o tamanho dos estratos, ou que a proporcional considera a variabilidade — ambas são inversões do conceito. Aqui, o enunciado descreve corretamente a alocação ótima e suas limitações, tornando a assertiva verdadeira.
A assertiva está correta em todos os seus elementos:
Considera tamanho e variabilidade: a alocação ótima de Neyman define , ou seja, proporcional ao tamanho do estrato multiplicado pelo desvio-padrão da variável de interesse. Isso confirma a primeira parte da afirmação.
Não autoponderada: como as frações amostrais diferem entre estratos, o estimador da média não é autoponderado, exigindo pesos amostrais. Correto.
Variâncias desconhecidas: a alocação ótima depende dos desvios-padrão populacionais, que geralmente são desconhecidos, sendo uma limitação prática reconhecida. Correto.
Portanto, a afirmativa está CERTA.
A banca adora inverter os critérios de alocação: na proporcional, o tamanho da amostra em cada estrato é proporcional ao tamanho do estrato (ignora variabilidade); na ótima, é proporcional ao produto tamanho × desvio-padrão. Se a questão disser que a alocação ótima considera apenas o tamanho, está errada. Aqui, o enunciado acerta ao mencionar a variabilidade — fique atento a essa troca nas próximas questões.
Para fixar, compare as alocações:
Critério | Proporcional | Ótima (Neyman) |
|---|---|---|
Fórmula | ||
Considera tamanho? | Sim | Sim |
Considera variabilidade? | Não | Sim (desvio-padrão) |
Estimador autoponderado? | Sim | Não (exige pesos) |
Depende de parâmetros desconhecidos? | Não | Sim (variâncias) |
Gabarito: letra C (CERTO).
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