Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186192
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: o mieloma múltiplo é uma neoplasia maligna de plasmócitos (células B diferenciadas) que se origina na medula óssea e se caracteriza pela produção e secreção de uma imunoglobulina monoclonal — a chamada proteína M — que pode ser detectada no sangue (soro) ou na urina por eletroforese de proteínas. Essa é a definição clássica da doença, confirmada pela literatura médica de referência.
O mieloma múltiplo pertence ao grupo das discrasias de plasmócitos, também chamadas de gamapatias monoclonais. Essas doenças têm em comum a proliferação clonal de plasmócitos que secretam uma imunoglobulina homogênea (completa ou fragmentada), detectável laboratorialmente. A proteína M é o marcador central desse grupo de doenças, e sua presença no soro ou na urina é um dos critérios diagnósticos do mieloma. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de achados: aumento de plasmócitos clonais na medula óssea (acima de 10%), presença de proteína M sérica (geralmente IgG ou IgA, em níveis superiores a 3 g/dL) ou proteína monoclonal na urina (cadeias leves, as chamadas proteínas de Bence Jones).
A doença se manifesta clinicamente por dois mecanismos principais: os efeitos sistêmicos da proteína M (como hiperviscosidade, insuficiência renal por deposição de cadeias leves e amiloidose) e os efeitos diretos da infiltração da medula óssea e do osso (anemia, lesões líticas, hipercalcemia e fraturas patológicas). A infecção recorrente por hipogamaglobulinemia também é um critério de mieloma sintomático. É importante distinguir o mieloma múltiplo de outras discrasias de plasmócitos, como a gamopatia monoclonal de significância indeterminada (GMSI), que é a mais comum e considerada condição pré-maligna, e o plasmocitoma solitário, que é um tumor único de plasmócitos sem comprometimento difuso da medula.
A banca explora aqui um conceito fundamental e bem estabelecido: a associação entre a neoplasia de plasmócitos e a produção de proteína monoclonal. A afirmativa não traz nenhuma inversão ou exceção — ela descreve exatamente a fisiopatologia e o achado laboratorial característico do mieloma múltiplo. O candidato que domina a definição da doença reconhece a assertiva como correta sem hesitação.
Guarde o critério que decide esta questão: a tríade conceitual do mieloma — origem medular (plasmócitos), produção de proteína monoclonal (proteína M) e detecção no sangue ou na urina. É exatamente essa tríade que a afirmativa espelha, e é nela que as alternativas de questões futuras sobre o tema vão se apoiar.
A afirmativa está correta porque descreve com precisão a definição do mieloma múltiplo. A doença é, de fato, uma neoplasia de plasmócitos originada na medula óssea, e a produção de uma proteína monoclonal (proteína M) é sua característica laboratorial definidora. Essa proteína pode ser detectada no soro por eletroforese de proteínas ou na urina, especialmente na forma de cadeias leves livres (proteína de Bence Jones). O texto do enunciado reproduz fielmente o conceito consagrado na literatura médica, sem qualquer erro ou imprecisão.
Harrison — Medicina Interna (conceito de discrasias de plasmócitos):
"Os distúrbios, ou discrasias, de plasmócitos constituem um grupo de doenças de células B clonais que estão relacionadas entre si devido à produção e à secreção da imunoglobulina monoclonal denominada proteína M. A característica laboratorial das discrasias de plasmócitos consiste em uma molécula de imunoglobulina homogênea (completa ou parte dela) que pode ser detectada no soro ou na urina por eletroforese das proteínas."
A afirmativa não apresenta nenhuma pegadinha ou inversão: ela afirma exatamente o que a literatura descreve. O mieloma múltiplo é a neoplasia de plasmócitos mais importante e mais comum, e a proteína M é o seu marcador central. A detecção dessa proteína no sangue ou na urina é parte integrante da avaliação diagnóstica e do monitoramento da doença.
Gabarito: CERTO
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