Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186195
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, embora a anemia ferropriva seja de fato a anemia microcítica e hipocrômica mais comum no Brasil e apresente ferro sérico e ferritina reduzidos, a capacidade total de ligação de ferro (CTLF) está aumentada, e não reduzida, como afirma o enunciado. Esse é um dos pilares do diagnóstico laboratorial da deficiência de ferro: a transferrina (e, consequentemente, a CTLF) eleva-se como mecanismo compensatório à baixa oferta de ferro.
A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais prevalente no mundo e a principal causa de anemia microcítica e hipocrômica, tanto em crianças quanto em adultos. Sua fisiopatologia decorre do esgotamento progressivo dos estoques de ferro, que se manifesta em estágios: inicialmente há depleção das reservas (queda da ferritina sérica), depois redução do ferro sérico com elevação compensatória da transferrina e, por fim, anemia propriamente dita, com microcitose e hipocromia no hemograma. O entendimento desse perfil laboratorial é essencial não só para o diagnóstico, mas também para o diagnóstico diferencial com outras anemias microcíticas, como a talassemia menor e a anemia de doença crônica.
O ponto central da questão é o comportamento da CTLF. Na deficiência de ferro, o organismo tenta maximizar o transporte do pouco ferro disponível, aumentando a síntese de transferrina — a proteína carreadora. Como a CTLF mede justamente a capacidade total de ligação do ferro à transferrina, ela se encontra elevada na anemia ferropriva. Esse é um dado clássico e amplamente cobrado: ferro sérico baixo, ferritina baixa e CTLF alta. A confusão entre "CTLF reduzida" e "CTLF aumentada" é a armadilha central desta questão, pois inverte um dos três pilares do perfil laboratorial da doença.
Para fixar: na anemia ferropriva, o padrão é ferro sérico ↓, ferritina ↓, transferrina ↑ e CTLF ↑, com saturação de transferrina ↓. Já na anemia de doença crônica, o padrão é distinto: ferro sérico ↓, ferritina normal ou ↑, transferrina ↓ ou normal e CTLF ↓. Essa diferença é crucial na prática clínica e frequentemente explorada em provas. A banca, ao afirmar que a CTLF está reduzida, mistura o perfil da anemia ferropriva com o da anemia de doença crônica — uma inversão clássica de conceitos.
A banca inverte o comportamento da capacidade total de ligação de ferro (CTLF). Na anemia ferropriva, a CTLF está aumentada (reflexo do aumento compensatório da transferrina); a CTLF reduzida é característica da anemia de doença crônica. O candidato que decora "ferro baixo, ferritina baixa" sem associar a elevação da CTLF cai direto na armadilha. Lembre-se: na deficiência de ferro, tudo que é estoque cai (ferro, ferritina), mas a capacidade de transporte sobe (transferrina, CTLF).
A afirmativa erra ao afirmar que a anemia ferropriva é caracterizada por "reduzida capacidade total de ligação de ferro". Na realidade, a CTLF está aumentada na anemia ferropriva, pois a transferrina — a proteína que liga e transporta o ferro — é sintetizada em maior quantidade como resposta à deficiência do mineral. O perfil laboratorial correto é: ferro sérico reduzido, ferritina reduzida e CTLF aumentada, com consequente redução da saturação de transferrina. A CTLF reduzida é típica da anemia de doença crônica, não da ferropriva.
Gabarito: ERRADO.
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