Questão de Medicina — Hematologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186196
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A principal complicação do tratamento das hemofilias com concentrados do fator deficiente é, de fato, o desenvolvimento de inibidores — anticorpos policlonais da classe IgG dirigidos contra os fatores VIII e IX infundidos. Essa é uma complicação imunológica bem estabelecida, descrita na literatura médica como a maior barreira à eficácia da reposição fatorial.
As hemofilias A e B são deficiências congênitas dos fatores VIII e IX, respectivamente, ligadas ao cromossomo X e clinicamente indistinguíveis. O tratamento padrão consiste na infusão de concentrados do fator deficiente, seja derivado de plasma ou recombinante. No entanto, uma parcela significativa dos pacientes — especialmente os com hemofilia grave — desenvolve anticorpos neutralizantes contra o fator infundido, os chamados inibidores. Esses anticorpos são, em sua maioria, da classe IgG, policlonais, e se ligam aos fatores VIII ou IX, neutralizando sua atividade pró-coagulante e tornando o tratamento convencional ineficaz.
A formação de inibidores é um fenômeno imunológico complexo. O sistema imunológico do paciente reconhece o fator exógeno como um antígeno estranho e monta uma resposta humoral, gerando anticorpos que se ligam ao fator e impedem sua função na cascata da coagulação. A consequência clínica é grave: o paciente deixa de responder à reposição padrão, e os episódios hemorrágicos passam a exigir agentes de bypass, como o complexo protrombínico ativado (FEIBA) ou o fator VIIa recombinante, que contornam a necessidade do fator deficiente.
A detecção laboratorial desses inibidores é feita pelo teste de mistura (plasma do paciente + plasma normal), que, no caso de anticorpos contra o fator VIII, pode exigir incubação a 37°C por 2 horas para que a reação lenta seja evidenciada. Esse é um ponto que a banca pode explorar: a diferença entre inibidores de ação rápida (como a heparina) e os de ação lenta (como os anticorpos antifator VIII).
A pegadinha desta questão é sutil: o enunciado afirma que os inibidores são anticorpos "policlonais da classe IgG". O candidato pode confundir com IgM (anticorpo de resposta primária) ou pensar que são monoclonais. No entanto, a literatura é clara: os inibidores de fatores de coagulação são tipicamente IgG policlonais. A afirmação está correta em todos os seus elementos.
A banca testa se você conhece a classe e a clonalidade dos anticorpos inibidores. Muitos candidatos podem associar "anticorpo" a IgM (resposta aguda) ou a "monoclonal" (como em gamopatias), mas aqui o correto é IgG policlonal. Guarde: inibidores de fator VIII/IX = IgG policlonal.
A afirmativa está correta. O desenvolvimento de inibidores é a principal complicação do tratamento das hemofilias com concentrados do fator deficiente. Esses inibidores são anticorpos da classe IgG, policlonais, dirigidos contra os fatores VIII e IX infundidos. A literatura médica confirma que, em pacientes com hemofilia A grave, a incidência de inibidores pode chegar a 30%, e na hemofilia B, a cerca de 5%. A presença desses anticorpos neutraliza o fator exógeno, tornando o tratamento convencional ineficaz e exigindo estratégias alternativas, como agentes de bypass ou emicizumabe.
Gabarito: letra C (CERTO).
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