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Questão de Medicina — Endocrinologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
ce186200
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Uma paciente assintomática de 57 anos de idade com diagnóstico de diabetes e hipertensão arterial sistêmica havia 11 anos estava em uso regular de metformina e anlodipino nas doses máximas preconizadas. Ao exame físico, apresentava circunferência abdominal de 96 cm, pressão arterial de 142 mmHg × 90 mmHg (média de três medidas) e frequência cardíaca de 84 bpm. Os demais achados do exame físico foram normais. Trouxe os seguintes resultados: triglicerídeos de 204 mg/dl, colesterol total de 262 mg/dl, HDL colesterol de 38 mg/dl, LDL colesterol de 183 mg/dl, glicemia de jejum de 134 mg/dl, hemoglobina glicada de 7,6%, dosagem de microalbuminúria em amostra isolada de urina de 440 micrograma/mg de creatinina e creatinina de 1,4 mg/dl. Os demais exames laboratoriais de rotina não revelaram anormalidades significativas.A partir desse caso clínico, julgue o item a seguir.Trata-se de uma paciente de muito alto risco cardiovascular, segundo a Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2024.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratificação de risco cardiovascular no diabetes: muito alto risco

Gabarito: CERTO. A paciente preenche critérios de muito alto risco cardiovascular segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) de 2024, pois apresenta doença renal crônica (DRC) com albuminúria > 300 mg/g e taxa de filtração glomerular (TFG) estimada < 60 mL/min/1,73 m², além de múltiplos fatores de risco associados. A presença de DRC com albuminúria elevada é, por si só, um critério de muito alto risco, independentemente de outros fatores.

A estratificação de risco cardiovascular no paciente com diabetes é fundamental para definir a intensidade do tratamento e as metas terapêuticas. A Diretriz da SBD de 2024, alinhada às principais diretrizes internacionais (como a da American Diabetes Association – ADA), classifica o risco em: baixo, moderado, alto e muito alto. O risco é determinado pela presença de doença cardiovascular estabelecida, lesão de órgão-alvo (como DRC, albuminúria, hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia) e fatores de risco adicionais.

No caso apresentado, a paciente tem 57 anos, diabetes e hipertensão de longa data, dislipidemia (LDL 183 mg/dL, HDL 38 mg/dL, triglicerídeos 204 mg/dL), obesidade abdominal (CA 96 cm), PA não controlada (142×90 mmHg) e, crucialmente, microalbuminúria de 440 mg/g de creatinina e creatinina de 1,4 mg/dL. A creatinina elevada sugere TFG reduzida (provavelmente < 60 mL/min/1,73 m², considerando idade e sexo). A combinação de TFG < 60 e albuminúria > 300 mg/g caracteriza DRC estágio G3aA3, que é um critério de muito alto risco.

A diretriz da SBD de 2024 define como muito alto risco a presença de:

  • Doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida (IAM, AVC, DAC, doença arterial periférica);

  • DRC com TFG < 60 mL/min/1,73 m² ou albuminúria > 300 mg/g (ou relação albumina/creatinina > 300 mg/g);

  • Ou múltiplos fatores de risco maiores (idade > 40 anos com diabetes, HAS, dislipidemia, tabagismo, obesidade) associados a lesão de órgão-alvo.

A paciente se enquadra claramente no critério de DRC com albuminúria muito elevada (440 mg/g), o que a coloca na categoria de muito alto risco, independentemente de outros fatores. Além disso, ela tem múltiplos fatores de risco (HAS, dislipidemia, obesidade abdominal), o que reforça a classificação.

É importante distinguir o conceito de muito alto risco do de alto risco. O alto risco inclui pacientes com diabetes e fatores de risco adicionais, mas sem lesão de órgão-alvo ou doença cardiovascular estabelecida. A presença de albuminúria > 300 mg/g ou TFG < 60 já eleva para muito alto risco. A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato pode achar que a paciente é apenas de alto risco por ter diabetes e HAS, mas a albuminúria elevada e a possível DRC a colocam em um patamar superior.

Na prática clínica, essa classificação impacta diretamente as metas de LDL (mais baixas, como < 50 mg/dL), o uso de estatinas de alta intensidade, inibidores de SGLT2 e agonistas de GLP-1, e o controle pressórico mais rigoroso. Portanto, reconhecer os critérios de muito alto risco é essencial para a conduta adequada.

A pegadinha desta questão está em subestimar o peso da albuminúria e da creatinina elevada. Muitos candidatos focam apenas nos fatores de risco clássicos (HAS, dislipidemia, obesidade) e classificam a paciente como alto risco, esquecendo que a lesão renal já estabelecida é um critério de muito alto risco. A diretriz da SBD de 2024 é clara: DRC com albuminúria > 300 mg/g ou TFG < 60 é suficiente para classificar como muito alto risco.

Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A paciente apresenta microalbuminúria de 440 mg/g de creatinina, que é > 300 mg/g, e creatinina de 1,4 mg/dL, sugerindo TFG < 60 mL/min/1,73 m² (DRC estágio G3a). Segundo a Diretriz da SBD de 2024, a presença de DRC com albuminúria > 300 mg/g ou TFG < 60 é critério de muito alto risco cardiovascular. Além disso, ela tem múltiplos fatores de risco (HAS, dislipidemia, obesidade abdominal), o que reforça a classificação. Portanto, a paciente é de muito alto risco, e o item está CERTO.

Gabarito: CERTO

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