Paciente de 60 anos de idade, sexo feminino, com diabetes melito tipo 2 (DM2) e obesidade grau III, foi internada por erisipela em membro inferior direito. Ela tinha histórico de episódio prévio de erisipela nesse membro havia 6 meses. Com base no caso clínico precedente, julgue o próximo item. A obesidade é fator de risco para erisipela de recorrência, assim como para câncer colorretal, sendo a colonoscopia um exame indicado no caso da referida paciente para rastreamento e detecção precoce desse tipo de neoplasia.
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GabaritoC — Certo
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Obesidade, erisipela e rastreamento de câncer colorretal
Gabarito: letra C (CERTO). A obesidade é, de fato, fator de risco tanto para a recorrência de erisipela quanto para o desenvolvimento de câncer colorretal, e a colonoscopia é o exame indicado para rastreamento e detecção precoce dessa neoplasia em pacientes de risco, como a paciente do caso (60 anos, DM2 e obesidade grau III). A afirmativa está correta em sua integralidade.
A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da derme e da hipoderme, geralmente causada por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). O membro inferior é o local mais acometido, e a porta de entrada costuma ser uma solução de continuidade na pele, como fissuras interdigitais, micoses ou pequenos traumas. A obesidade é um fator de risco clássico para erisipela, e isso se deve a múltiplos mecanismos: o excesso de tecido adiposo compromete a microcirculação e a drenagem linfática, favorecendo o acúmulo de líquido intersticial (linfedema); a pele distendida e com dobras cria um ambiente propício para maceração e colonização bacteriana; e há uma resposta imunológica local prejudicada. Quando o paciente já teve um episódio prévio, o risco de recorrência aumenta consideravelmente, pois a infecção inicial pode causar dano permanente aos vasos linfáticos, perpetuando o linfedema e criando um ciclo vicioso: linfedema → nova infecção → mais dano linfático → maior predisposição. A paciente do caso, com obesidade grau III e episódio prévio de erisipela no mesmo membro há 6 meses, está exatamente nesse cenário de alto risco para recorrência.
A relação entre obesidade e câncer colorretal também é bem estabelecida na literatura médica. O tecido adiposo, especialmente o visceral, é metabolicamente ativo e produz uma série de adipocinas e citocinas pró-inflamatórias (como IL-6 e TNF-alfa) que promovem um estado de inflamação crônica de baixo grau, resistência à insulina e hiperinsulinemia. O fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) e a insulina em excesso têm efeito mitogênico e antiapoptótico, estimulando a proliferação celular e a carcinogênese. Além disso, a obesidade está associada a alterações no microbioma intestinal, aumento do estresse oxidativo e disfunção da barreira intestinal, todos fatores que contribuem para o desenvolvimento de neoplasias, incluindo o câncer colorretal. Estudos epidemiológicos demonstram que o excesso de peso aumenta o risco de câncer colorretal em cerca de 30% a 70%, com relação dose-resposta: quanto maior o IMC, maior o risco.
A colonoscopia é o exame padrão-ouro para o rastreamento do câncer colorretal, pois permite a visualização direta de toda a mucosa do cólon e do reto, a detecção de pólipos adenomatosos (lesões precursoras) e sua remoção imediata (polipectomia), interrompendo a sequência adenoma-carcinoma. As diretrizes de rastreamento recomendam o início da colonoscopia aos 45 ou 50 anos para a população de risco médio, mas em indivíduos com fatores de risco adicionais — como obesidade, diabetes melito tipo 2, história familiar de câncer colorretal ou doença inflamatória intestinal — o rastreamento deve ser mais precoce e/ou mais frequente. A paciente do caso tem 60 anos, obesidade grau III e DM2, todos fatores que a colocam em risco aumentado, tornando a colonoscopia um exame claramente indicado para rastreamento e detecção precoce.
A afirmativa, portanto, é verdadeira em todas as suas partes: a obesidade é fator de risco para erisipela de recorrência (pelo mecanismo do linfedema e da imunidade local comprometida) e para câncer colorretal (pela inflamação crônica e hiperinsulinemia), e a colonoscopia é o exame indicado para rastreamento nessa paciente. Não há qualquer elemento incorreto ou exagerado na assertiva.
Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A assertiva é correta porque estabelece corretamente duas associações epidemiológicas e uma conduta de rastreamento:
Obesidade como fator de risco para erisipela de recorrência: a obesidade, especialmente a grave (grau III), predispõe à erisipela e à sua recorrência. O mecanismo envolve o comprometimento da drenagem linfática (linfedema), a maceração da pele em dobras, a menor perfusão tecidual e a resposta imunológica local deficiente. O episódio prévio há 6 meses, somado à obesidade, coloca a paciente em risco ainda maior de novo episódio.
Obesidade como fator de risco para câncer colorretal: a obesidade está associada a um estado de inflamação crônica, resistência à insulina e hiperinsulinemia, com aumento de IGF-1, que promovem a proliferação celular e a carcinogênese. O risco de câncer colorretal é significativamente maior em obesos.
Colonoscopia indicada para rastreamento: a paciente tem 60 anos, obesidade grau III e DM2, todos fatores de risco para câncer colorretal. A colonoscopia é o exame de escolha para rastreamento e detecção precoce, permitindo a identificação e remoção de pólipos adenomatosos antes que se tornem malignos.
A afirmativa não contém nenhum erro conceitual, epidemiológico ou de conduta. Está plenamente de acordo com o conhecimento médico atual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca poderia tentar confundir o candidato ao sugerir que a obesidade é fator de risco apenas para uma das condições, ou que a colonoscopia seria um exame desnecessário. No entanto, a assertiva é correta em sua totalidade. O candidato deve ter cuidado para não marcar "errado" por achar que a associação entre obesidade e erisipela é exagerada, ou que a colonoscopia seria indicada apenas para pacientes com sintomas. Na verdade, a obesidade é um fator de risco bem documentado para ambas as condições, e o rastreamento com colonoscopia é recomendado justamente para pacientes assintomáticos de risco, como é o caso.
PEGA ESSA DICA!
Para questões que associam fatores de risco e exames de rastreamento, lembre-se de que a obesidade é um fator de risco para uma ampla gama de condições, incluindo doenças infecciosas (como erisipela), doenças metabólicas (DM2, dislipidemia) e neoplasias (câncer colorretal, mama, endométrio, esôfago, pâncreas, rim). A colonoscopia é o exame padrão-ouro para rastreamento de câncer colorretal, e sua indicação deve ser considerada em todos os pacientes com fatores de risco, mesmo assintomáticos. Na dúvida, assinale "certo" quando a afirmativa apresentar associações epidemiológicas corretas e condutas de rastreamento alinhadas às diretrizes.