Paciente de 60 anos de idade, sexo feminino, com diabetes melito tipo 2 (DM2) e obesidade grau III, foi internada por erisipela em membro inferior direito. Ela tinha histórico de episódio prévio de erisipela nesse membro havia 6 meses. Com base no caso clínico precedente, julgue o próximo item. Uma dieta de muito baixas calorias (< 800 kcal por dia) deve ser instituída durante a internação da paciente, seguida por acompanhamento semestral com clínico da atenção básica para tratamento da obesidade e redução das complicações de saúde.
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Dieta de muito baixas calorias na internação por erisipela
Gabarito: ERRADO. A conduta descrita não é adequada: dieta de muito baixas calorias (< 800 kcal/dia) não deve ser instituída durante a internação por erisipela, pois o paciente encontra-se em estado catabólico (infecção aguda), necessitando de suporte nutricional adequado para cicatrização e controle glicêmico, e não de restrição calórica severa. Além disso, o acompanhamento semestral com clínico da atenção básica não substitui o manejo especializado e individualizado da obesidade grau III, que exige abordagem multidisciplinar e seguimento mais frequente.
A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da pele e tecido subcutâneo, geralmente por Streptococcus pyogenes, que cursa com processo inflamatório e catabólico. Nesse contexto, o organismo demanda maior aporte de energia e proteínas para combater a infecção e promover reparo tecidual. Uma dieta hipocalórica severa (< 800 kcal/dia) poderia agravar o balanço nitrogenado negativo, prejudicar a resposta imune e retardar a cicatrização, além de aumentar o risco de complicações metabólicas, como hipoglicemia em paciente diabética em uso de hipoglicemiantes ou insulina.
A terapia nutricional no DM2, conforme as diretrizes, deve ser individualizada, centrada no paciente, e visar ao controle glicêmico, à manutenção de peso saudável e à prevenção de complicações. Não há um plano alimentar único; a abordagem deve considerar comorbidades, contexto socioeconômico e preferências. A perda de peso é recomendada para obesos, mas com redução moderada (p. ex., 5% do peso corporal) e de forma gradual, não com restrição calórica extrema durante um episódio infeccioso agudo.
A obesidade grau III (IMC ≥ 40 kg/m²) é uma condição crônica que exige tratamento de longo prazo, com mudanças de estilo de vida, terapia nutricional, atividade física e, em casos selecionados, farmacoterapia ou cirurgia bariátrica. O acompanhamento deve ser frequente e multidisciplinar, não apenas semestral com clínico da atenção básica. A internação por erisipela é um momento de instabilidade clínica, não o cenário para iniciar dieta de muito baixas calorias.
A banca explora a confusão entre o tratamento crônico da obesidade (que pode incluir dietas de muito baixas calorias em contexto ambulatorial supervisionado) e o manejo do paciente hospitalizado com infecção aguda, onde a prioridade é a estabilização clínica e o suporte nutricional adequado. A alternativa erra ao propor conduta extrema e acompanhamento insuficiente.
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada por dois motivos principais: (1) a dieta de muito baixas calorias (< 800 kcal/dia) é contraindicada durante internação por infecção aguda (erisipela), pois o paciente está em estado catabólico e necessita de aporte calórico-proteico adequado para combater a infecção e promover cicatrização; (2) o acompanhamento semestral com clínico da atenção básica é insuficiente para o manejo da obesidade grau III, que requer abordagem multidisciplinar e seguimento mais frequente, especialmente em paciente com DM2 e histórico de erisipela de repetição.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre conduta nutricional, identifique o contexto clínico: paciente agudo/internado (priorizar suporte nutricional para catabolismo) versus paciente crônico/ambulatorial (priorizar perda de peso gradual). Dietas de muito baixas calorias são reservadas para situações específicas e supervisionadas, nunca em infecção ativa.