Paciente de 60 anos de idade, sexo feminino, com diabetes melito tipo 2 (DM2) e obesidade grau III, foi internada por erisipela em membro inferior direito. Ela tinha histórico de episódio prévio de erisipela nesse membro havia 6 meses. Com base no caso clínico precedente, julgue o próximo item. Além de aumentar o risco de recorrência de erisipela, o diabetes é fator de risco para a doença aterosclerótica, podendo a estratificação do risco cardiovascular na paciente ser aprimorada mediante o escore de cálcio coronariano.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Erisipela, diabetes e estratificação de risco cardiovascular
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: o diabetes melito é fator de risco tanto para recorrência de erisipela quanto para doença aterosclerótica, e o escore de cálcio coronariano (CAC) pode aprimorar a estratificação de risco cardiovascular, especialmente em pacientes com risco intermediário, como é o caso da paciente descrita (60 anos, DM2, obesidade grau III). A base para essa afirmação está nas diretrizes de prevenção da aterosclerose, que recomendam o uso do CAC em situações específicas para refinar a classificação de risco.
O diabetes melito tipo 2 é uma doença metabólica crônica que predispõe a complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (doença arterial coronariana, cerebrovascular e doença arterial periférica). A hiperglicemia crônica promove disfunção endotelial, estresse oxidativo e inflamação, acelerando o processo aterosclerótico. Por isso, o DM2 é considerado um equivalente de risco cardiovascular, ou seja, confere risco elevado de eventos cardiovasculares, mesmo na ausência de doença estabelecida. Além disso, o diabetes compromete a imunidade e a microcirculação, favorecendo infecções de pele como a erisipela, que tende a recorrer, especialmente em membros com comprometimento vascular ou linfático prévio.
A estratificação do risco cardiovascular é essencial para direcionar a intensidade do tratamento preventivo. As diretrizes atuais propõem a classificação do risco em categorias (baixo, intermediário, alto, muito alto e extremo) com base em fatores como idade, presença de doença aterosclerótica estabelecida, comorbidades e escores de risco. Para pacientes com risco intermediário, o escore de cálcio coronariano (CAC) é uma ferramenta útil para reclassificar o risco, pois quantifica a carga de calcificação nas artérias coronárias, um marcador direto de aterosclerose subclínica. A diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose de 2025 recomenda o uso do CAC para indivíduos com risco calculado intermediário, idade > 40 anos e LDL-c entre 70-159 mg/dL, quando disponível. Valores de CAC > 100 UA ou percentil > 75 para sexo e idade classificam o paciente como alto risco, e CAC > 300 UA como muito alto risco.
No caso apresentado, a paciente tem 60 anos, DM2 e obesidade grau III. Pela tabela de estratificação de risco no diabetes, uma mulher com DM2 com idade ≥ 56 anos, sem estratificadores de risco adicionais, é classificada como alto risco. No entanto, a presença de obesidade grau III pode ser considerada um estratificador de risco adicional, elevando ainda mais o risco. O escore de cálcio coronariano pode ser útil nesse contexto para refinar a estimativa de risco, especialmente se houver dúvida sobre a intensidade da terapia preventiva. A afirmativa está, portanto, correta ao afirmar que a estratificação pode ser aprimorada com o escore de cálcio coronariano.
A pegadinha desta questão está em possivelmente considerar que, por ser diabética, a paciente já é automaticamente de alto risco e que o CAC não agregaria valor. No entanto, as diretrizes recomendam o uso do CAC justamente em pacientes com risco intermediário, e mesmo em diabéticos, o CAC pode ajudar a reclassificar o risco, especialmente quando há dúvida sobre a necessidade de terapia mais intensiva. Além disso, a questão aborda dois temas distintos — erisipela e risco cardiovascular — e o candidato pode se confundir ao focar apenas na infecção de pele, esquecendo-se da avaliação cardiovascular global que deve ser feita em todo paciente diabético.
NÃO CAIA NESSA!
A banca pode tentar fazer o candidato acreditar que, por ser diabética, a paciente já é de alto risco e que o escore de cálcio não traria benefício. No entanto, as diretrizes recomendam o uso do CAC para refinar a estratificação, especialmente em pacientes com risco intermediário, e mesmo em diabéticos, o exame pode ajudar a reclassificar o risco e orientar a intensidade do tratamento.
Item — ✅ CERTO
A afirmativa está correta. O diabetes melito é um fator de risco bem estabelecido para doença aterosclerótica, aumentando o risco de eventos cardiovasculares. Além disso, o diabetes predispõe a infecções de pele, como a erisipela, e sua recorrência é comum, especialmente em pacientes com comprometimento vascular ou linfático. A estratificação do risco cardiovascular é parte fundamental do manejo do paciente diabético, e o escore de cálcio coronariano é uma ferramenta que pode aprimorar essa estratificação, conforme recomendado pelas diretrizes de prevenção da aterosclerose. A paciente, com 60 anos, DM2 e obesidade grau III, se enquadra em um perfil em que o CAC pode ser útil para refinar o risco e orientar a terapia preventiva.