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Questão de Medicina — Dermatologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDermatologia
Código
ce186205
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Paciente de 60 anos de idade, sexo feminino, com diabetes melito tipo 2 (DM2) e obesidade grau III, foi internada por erisipela em membro inferior direito. Ela tinha histórico de episódio prévio de erisipela nesse membro havia 6 meses. Com base no caso clínico precedente, julgue o próximo item. Em casos de erisipela como o da paciente em questão, um swab superficial deve ser coletado de forma rotineira para guiar a antibioticoterapia.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Erisipela: diagnóstico e coleta de swab superficial

Gabarito: letra E (ERRADO). Em casos de erisipela, como o da paciente em questão, a coleta de swab superficial NÃO deve ser realizada de forma rotineira para guiar a antibioticoterapia, pois o diagnóstico é essencialmente clínico e os exames complementares, incluindo a cultura de swab, apresentam baixa sensibilidade e alto risco de contaminação por bactérias comensais. A conduta correta é iniciar antibioticoterapia empírica direcionada aos agentes mais comuns, principalmente o Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A), sem a necessidade de coleta de swab de rotina.

A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da pele que acomete a derme superficial e o plexo linfático subjacente, sendo classicamente causada pelo Streptococcus pyogenes, embora outros estreptococos (grupos B, C e G) e, mais raramente, o Staphylococcus aureus também possam estar envolvidos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de placa eritematosa, edematosa, dolorosa, com bordas bem delimitadas e elevadas, frequentemente acompanhada de febre, calafrios e mal-estar. A porta de entrada da bactéria costuma ser uma solução de continuidade da pele, como intertrigo interdigital, tinea pedis, úlceras ou traumas.

A principal razão para não se coletar swab superficial de rotina é a baixa utilidade diagnóstica e terapêutica desse exame. A cultura de swab da superfície da lesão frequentemente isola bactérias colonizadoras ou contaminantes, como Staphylococcus epidermidis e outros comensais da pele, que não representam o agente etiológico real da infecção. Além disso, mesmo quando o patógeno é identificado, o resultado raramente altera a conduta, uma vez que o tratamento empírico com antibióticos antiestreptocócicos (penicilina, cefalosporinas, clindamicina) já cobre os agentes mais prováveis. A hemocultura, embora mais específica, também apresenta baixa positividade e só é recomendada em situações específicas, como toxicidade sistêmica, acometimento extenso, comorbidades graves ou mordedura de animal.

No caso da paciente, que apresenta DM2, obesidade grau III e episódio prévio de erisipela no mesmo membro, a conduta adequada envolve internação (devido à presença de comorbidades e risco de complicações), início de antibioticoterapia empírica intravenosa (como penicilina cristalina, cefazolina ou ceftriaxona) e medidas de suporte, como repouso e elevação do membro. A coleta de swab superficial não está indicada de rotina, pois não guiaria a escolha do antibiótico de forma mais eficaz do que o tratamento empírico baseado no quadro clínico e nos agentes etiológicos mais prevalentes.

A pegadinha da questão reside na tentativa de associar a coleta de swab a uma prática rotineira e necessária para guiar a antibioticoterapia, quando, na verdade, a conduta baseada em evidências preconiza o tratamento empírico sem a necessidade desse exame na maioria dos casos. O candidato deve lembrar que, em infecções de pele e partes moles como erisipela e celulite, o diagnóstico é clínico e a coleta de culturas superficiais é reservada para situações específicas, como falha terapêutica, suspeita de agentes resistentes ou imunossupressão grave.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a prática de coletar culturas em infecções profundas ou sistêmicas e a conduta em infecções cutâneas superficiais. Em erisipela, o swab superficial é de baixo rendimento e não deve ser rotina; a antibioticoterapia é empírica, direcionada ao Streptococcus pyogenes. Fique atento: a coleta de swab só é considerada em casos de falha terapêutica, suspeita de resistência ou em pacientes imunocomprometidos, e mesmo assim com cautela.

Erisipela
  • 1Diagnóstico
    • Clínico
    • Swab superficial NÃO é rotina
      • Baixa sensibilidade
      • Contaminação por comensais
  • 2Tratamento
    • Antibioticoterapia empírica
      • Streptococcus pyogenes
      • Penicilina, cefalosporina, clindamicina
  • 3Exceções para swab
    • Falha terapêutica
    • Suspeita de resistência
    • Imunossupressão grave
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Alternativa E — ❌ Incorreta (Gabarito)

A afirmação de que um swab superficial deve ser coletado de forma rotineira para guiar a antibioticoterapia em casos de erisipela está ERRADA. O diagnóstico de erisipela é clínico e, na maioria dos casos, dispensa exames complementares. A coleta de swab superficial apresenta baixa sensibilidade e alto risco de contaminação por bactérias comensais, não sendo útil para guiar a escolha do antibiótico. A conduta correta é iniciar antibioticoterapia empírica com cobertura para Streptococcus pyogenes, como penicilina, cefalosporina ou clindamicina, sem a necessidade de coleta de swab de rotina.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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