Um paciente deu entrada na emergência queixando-se de dor torácica havia quatro horas. Durante o atendimento, ele ficou inconsciente e sem pulso, e iniciou-se procedimento conforme a última atualização do suporte avançado de vida cardiovascular (Advanced Cardiovascular Life Support). Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item subsequente. Se, na terceira verificação do ritmo, obteve-se o traçado a seguir, similar ao das duas verificações anteriores, então pode ser administrada lidocaína venosa, após a terceira desfibrilação.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Parada cardiorrespiratória: ritmos chocáveis e uso de antiarrítmicos
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque, na terceira verificação do ritmo, se o traçado for semelhante ao das duas verificações anteriores e corresponder a um ritmo chocável (fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso), a conduta correta é administrar adrenalina (1 mg) e considerar um antiarrítmico como amiodarona ou lidocaína, mas não após a terceira desfibrilação de forma automática — a administração de antiarrítmicos é indicada quando a FV/TV persiste apesar da RCP, desfibrilação e vasopressor, e a sequência de choques e medicações segue o algoritmo do suporte avançado de vida cardiovascular (ACLS). A banca explora a confusão entre o momento exato da administração de antiarrítmicos e a sequência de desfibrilações.
A parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação da atividade mecânica do coração, confirmada pela ausência de pulso e de responsividade. No atendimento, distinguem-se dois grandes grupos de ritmos: os chocáveis (fibrilação ventricular — FV e taquicardia ventricular sem pulso — TVSP) e os não chocáveis (assistolia e atividade elétrica sem pulso — AESP). Essa distinção é crucial porque define a conduta: ritmos chocáveis são tratados com desfibrilação imediata, enquanto os não chocáveis não recebem choque.
O algoritmo do ACLS para FV/TV sem pulso segue uma sequência cíclica: 1) desfibrilação; 2) RCP por 2 minutos; 3) verificação do ritmo; 4) se persistir FV/TV, nova desfibrilação; 5) RCP por 2 minutos; 6) verificação do ritmo; e assim por diante. A adrenalina (1 mg IV/IO) é administrada a cada 3-5 minutos, e o antiarrítmico (amiodarona 300 mg ou lidocaína 1-1,5 mg/kg) é considerado quando a FV/TV persiste apesar da RCP, desfibrilação e vasopressor. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019 indica que, após o primeiro choque, no primeiro ciclo de RCP, não é administrado nenhum fármaco, sendo iniciada a adrenalina apenas após o segundo choque.
Na prática, o cenário descrito — paciente com dor torácica que evolui para PCR — sugere uma provável síndrome coronariana aguda, e o ritmo mais provável é a FV. Se, na terceira verificação do ritmo, o traçado for semelhante ao das duas verificações anteriores (ou seja, FV/TVSP persistente), o paciente já recebeu pelo menos dois choques. Nesse momento, a conduta correta seria: administrar adrenalina (se ainda não foi dada ou se já passaram 3-5 minutos), considerar a administração de um antiarrítmico (amiodarona ou lidocaína) e se preparar para uma nova desfibrilação. A afirmativa, ao dizer que "pode ser administrada lidocaína venosa, após a terceira desfibrilação", sugere que a lidocaína seria dada somente após o terceiro choque, o que não é o protocolo — a medicação é administrada durante os ciclos de RCP, e não como uma etapa subsequente à desfibrilação em si.
A pegadinha da banca está em inverter a lógica do algoritmo: o candidato pode pensar que, após o terceiro choque, a lidocaína é a próxima etapa automática. No entanto, a sequência correta é: choque → RCP → verificação do ritmo → se FV/TV persistir, administrar adrenalina e considerar antiarrítmico → novo choque. A lidocaína é uma alternativa à amiodarona, e ambas são indicadas para FV/TV refratárias, mas não há uma regra que determine sua administração "após a terceira desfibrilação" de forma isolada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a sequência de desfibrilações e o momento de administrar antiarrítmicos. O candidato pode achar que, após o terceiro choque, a lidocaína é a próxima etapa automática. Na verdade, a lidocaína (ou amiodarona) é considerada quando a FV/TV persiste apesar da RCP, desfibrilação e vasopressor, e é administrada durante os ciclos de RCP, não como uma etapa subsequente ao choque. A sequência correta é: choque → RCP → verificação do ritmo → se FV/TV persistir, administrar adrenalina e considerar antiarrítmico → novo choque.
11º choque
2RCP 2 min
3Verifica ritmo
42º choque
5RCP 2 min + adrenalina
6Verifica ritmo
73º choque
8RCP 2 min + antiarrítmico
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Alternativa C — ❌ Incorreta (gabarito)
A afirmativa está incorreta porque a administração de lidocaína não é uma etapa automática "após a terceira desfibrilação". O protocolo do ACLS para FV/TV sem pulso estabelece ciclos de choque e RCP, com verificação do ritmo a cada 2 minutos. A lidocaína (ou amiodarona) é um antiarrítmico indicado quando a FV/TV persiste apesar da RCP, desfibrilação e vasopressor (adrenalina). A sequência correta envolve: 1º choque → RCP → verificação do ritmo → 2º choque → RCP → verificação do ritmo → 3º choque → RCP → verificação do ritmo. A medicação é administrada durante os ciclos de RCP, e não como uma etapa que se segue ao choque. Além disso, a adrenalina é a primeira droga a ser utilizada em qualquer ritmo de PCR, e o antiarrítmico é considerado após a persistência da FV/TV.