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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce186210
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Um paciente deu entrada na emergência queixando-se de dor torácica havia quatro horas. Durante o atendimento, ele ficou inconsciente e sem pulso, e iniciou-se procedimento conforme a última atualização do suporte avançado de vida cardiovascular (Advanced Cardiovascular Life Support).Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item subsequente.Caso o paciente tenha o retorno da circulação espontânea, ele deve ser submetido à angiografia coronária de emergência, independentemente do estado clínico e das alterações eletrocardiográficas, após a parada cardiorrespiratória.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Angiografia coronária de emergência após parada cardiorrespiratória

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a indicação de angiografia coronária de emergência após o retorno da circulação espontânea (RCE) não é universal e incondicional; ela depende do estado clínico e, principalmente, das alterações eletrocardiográficas. A diretriz da American Heart Association (AHA) recomenda a coronariografia emergencial de forma obrigatória (classe I) apenas quando há supradesnivelamento do segmento ST no ECG, sendo considerada (classe IIa) em casos específicos sem supra-ST, como instabilidade elétrica ou hemodinâmica. Portanto, a expressão "independentemente do estado clínico e das alterações eletrocardiográficas" torna a assertiva errada.

A parada cardiorrespiratória (PCR) é a cessação da atividade mecânica cardíaca, confirmada pela ausência de resposta, de respiração e de pulso. O suporte avançado de vida cardiovascular (ACLS) é o conjunto de intervenções que visa restabelecer a circulação espontânea, incluindo compressões torácicas de alta qualidade, desfibrilação precoce, manejo avançado da via aérea e administração de medicamentos. Após o RCE, inicia-se a fase de cuidados pós-parada, cujo objetivo é otimizar a perfusão e minimizar a lesão neurológica, sendo a identificação e o tratamento da causa da PCR um dos pilares dessa fase.

A causa mais comum de PCR em adultos é a síndrome coronariana aguda (SCA), especialmente o infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST). Por isso, a angiografia coronária é uma ferramenta crucial para diagnosticar e tratar a oclusão coronariana. No entanto, a decisão de realizar o procedimento de emergência não é automática. A diretriz da AHA de 2020 estabelece critérios específicos:

  • Com supra-ST no ECG: a coronariografia emergencial é recomendada (classe I, nível de evidência B), pois há alta probabilidade de oclusão coronariana aguda.

  • Sem supra-ST no ECG: a coronariografia emergencial deve ser considerada (classe IIa, nível B) em pacientes com instabilidade elétrica ou hemodinâmica, como arritmias ventriculares recorrentes ou choque cardiogênico. Fora dessas situações, a conduta é seguir as indicações habituais para SCA sem supra-ST, podendo a coronariografia ser postergada ou realizada seletivamente.

A afirmativa da questão generaliza a indicação, ignorando essas nuances. O estado clínico do paciente (por exemplo, instabilidade hemodinâmica, arritmias, nível de consciência) e o ECG são fatores decisivos. Um paciente com PCR de causa claramente não cardíaca (como trauma, hemorragia ou hipóxia) não se beneficiaria de angiografia de emergência. Além disso, mesmo em pacientes com suspeita de causa cardíaca, a ausência de supra-ST reduz a urgência do procedimento, conforme demonstrado pelo estudo TOMAHAWK, que não encontrou diferença de mortalidade entre a coronariografia imediata e a postergada em pacientes sem supra-ST.

A banca explora a confusão entre a recomendação forte para IAMCST e a indicação mais seletiva para os demais casos. O candidato que memoriza "após PCR, fazer cateterismo" sem considerar o ECG e o quadro clínico cai na armadilha. A regra de ouro é: a angiografia de emergência é obrigatória apenas com supra-ST; nos demais casos, é considerada ou postergada conforme o contexto.

1Com supra-ST no ECG
Classe I — obrigatória
2Sem supra-ST no ECG
Classe IIa — instabilidade elétrica/hemodinâmica
Não é automática — postergar ou seletiva
3Causa não cardíaca (trauma, hemorragia, hipóxia)
Não se beneficia
Angiografia coronária de emergência pós-PCR
LEVELsoulevel.com.br
Angiografia coronária de emergência pós-PCR: Com supra-ST no ECG (Classe I — obrigatória); Sem supra-ST no ECG (Classe IIa — instabilidade elétrica/hemodinâmica, Não é automática — postergar ou seletiva); Causa não cardíaca (trauma, hemorragia, hipóxia) (Não se beneficia)

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada porque impõe a angiografia coronária de emergência "independentemente do estado clínico e das alterações eletrocardiográficas". Isso contraria as diretrizes do ACLS, que condicionam a indicação ao ECG e à estabilidade clínica. A recomendação classe I da AHA é restrita ao supradesnivelamento do ST; sem ele, a coronariografia é considerada (classe IIa) apenas em casos de instabilidade elétrica ou hemodinâmica, ou segue as indicações habituais para SCA sem supra-ST. Portanto, a conduta não é universal, e a expressão "independentemente" torna a assertiva incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que, após uma PCR, todo paciente deve ser submetido à angiografia de emergência, como se fosse uma regra absoluta. A pegadinha está na palavra "independentemente": ela elimina a necessidade de avaliar o ECG e o estado clínico, que são exatamente os critérios que definem a urgência do procedimento. Lembre-se: com supra-ST, é classe I; sem supra-ST, é classe IIa (se instável) ou postergada (se estável).

Gabarito: ERRADO.

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