Uma paciente obesa, grau II, de 64 anos de idade, procurou a emergência com dor torácica havia cinco horas. A dor era de leve intensidade, ao repouso, em pontadas, sem relação com a respiração e sem outros sinais ou sintomas. Ela era portadora de hipertensão arterial controlada havia dois anos. Ao exame físico, encontrava-se afebril, eupneica, com frequência cardíaca de 72 bpm, frequência respiratória de 18 rpm, saturação de oxigênio de 95% e pressão arterial de 118 mmHg x 76 mmHg. Não foram detectadas alterações significativas ao exame físico. O valor do D-dímero foi de 600 ng/ml. A radiografia de tórax foi normal.Com base nesse caso clínico, julgue o próximo item.As presenças de onda S em DI, onda Q e inversão da onda T em DIII são esperadas no eletrocardiograma da paciente.
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Eletrocardiograma no Tromboembolismo Pulmonar: Padrão S1Q3T3
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque o padrão descrito — onda S em DI, onda Q e inversão de onda T em DIII — corresponde ao clássico padrão S1Q3T3, que é um achado eletrocardiográfico associado à sobrecarga aguda do ventrículo direito, como ocorre no tromboembolismo pulmonar (TEP). No caso clínico apresentado, a paciente tem dor torácica em pontadas, D-dímero elevado (600 ng/ml) e fatores de risco (obesidade, idade), o que levanta a suspeita de TEP. No entanto, o padrão S1Q3T3 não é esperado em um ECG normal, e a questão sugere que ele seria um achado esperado, o que é falso.
O eletrocardiograma (ECG) é um exame fundamental na avaliação inicial de dor torácica, especialmente para diferenciar síndromes coronarianas agudas (SCA) de outras causas, como o TEP. No TEP, o ECG pode apresentar diversos achados, sendo o mais clássico o padrão S1Q3T3: onda S proeminente em DI, onda Q em DIII e inversão da onda T em DIII. Esse padrão reflete a sobrecarga aguda do ventrículo direito causada pelo aumento súbito da resistência vascular pulmonar. Outros achados incluem taquicardia sinusal, bloqueio de ramo direito (completo ou incompleto), inversão de ondas T nas derivações precordiais direitas (V1 a V4) e desvio do eixo para a direita.
É importante destacar que o padrão S1Q3T3 é um achado inespecífico e pode estar presente em outras condições que cursam com sobrecarga ventricular direita, como doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou hipertensão pulmonar. No entanto, sua presença em um paciente com suspeita clínica de TEP reforça a hipótese diagnóstica. No caso da paciente, a dor torácica em pontadas, sem relação com a respiração, o D-dímero elevado e a radiografia de tórax normal são dados que aumentam a suspeita de TEP, mas o ECG descrito na afirmativa não é um achado esperado em um ECG normal — ele é um achado patológico que, se presente, indicaria justamente a sobrecarga ventricular direita.
A banca explora a confusão entre o que é um achado normal e o que é um achado patológico no ECG. O padrão S1Q3T3 é um marcador de doença, não um achado esperado em uma paciente sem alterações significativas ao exame físico e com radiografia de tórax normal. A afirmativa, ao dizer que essas alterações são "esperadas", sugere que seriam um achado normal, o que é incorreto. Na verdade, se o ECG da paciente apresentasse o padrão S1Q3T3, isso seria um forte indício de TEP, mas não é algo que se espera encontrar em um ECG de rotina.
Padrão S1Q3T3: O que é (Onda S em DI, Onda Q em DIII, Inversão de T em DIII); Significado (Sobrecarga aguda do VD, Típico do TEP); Natureza (Achado patológico, Não é esperado em ECG normal)
Item — ❌ Errado
A afirmativa está errada porque descreve o padrão S1Q3T3, que é um achado eletrocardiográfico patológico associado à sobrecarga aguda do ventrículo direito, típico do tromboembolismo pulmonar (TEP). No caso clínico, a paciente tem suspeita de TEP (dor torácica, D-dímero elevado, obesidade, idade), mas o padrão S1Q3T3 não é um achado esperado em um ECG normal — ele é um sinal de doença. A banca tenta confundir o candidato ao apresentar um achado patológico como se fosse um achado esperado, o que é falso.