Uma paciente com 73 anos de idade, internada em UTI por pós-operatório de cirurgia cardíaca, revascularização do miocárdio e troca de valva mitral, evoluiu com quadros infecciosos sequenciais. Ela apresentou infecção na corrente sanguínea relacionada a cateter por S. epidermidis, C. albicans e Clostridium difficile, sendo administrados antimicrobianos de amplo espectro. Apresentou insuficiência renal dialítica e, após 50 dias de internação, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência e anisocoria, sendo submetida à intubação orotraqueal. Foi confirmado o diagnóstico de meningoencefalite de etiologia a esclarecer. A partir do caso clínico precedente, julgue o item subsequente. A infecção por citomegalovírus (CMV) pode causar encefalite focal necrotizante, com início abrupto, e confusão e letargia rapidamente progressivas, sendo um dos diagnósticos diferenciais para o caso clínico em apreço.
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Meningoencefalite por citomegalovírus (CMV) em paciente imunossuprimida
Gabarito: letra C (CERTO). A infecção por citomegalovírus (CMV) é um diagnóstico diferencial relevante no caso, pois pode causar encefalite focal necrotizante, com início abrupto e confusão e letargia rapidamente progressivas, especialmente em pacientes imunossuprimidos, como a paciente do caso, que recebeu antimicrobianos de amplo espectro e está em pós-operatório de cirurgia cardíaca. A descrição apresentada no item é compatível com o quadro clínico da encefalite por CMV, sendo uma das etiologias a serem consideradas na meningoencefalite de etiologia a esclarecer.
A meningoencefalite é um processo inflamatório que acomete simultaneamente as meninges e o encéfalo, podendo ter diversas etiologias, incluindo virais, bacterianas, fúngicas e parasitárias. No contexto de uma paciente imunossuprimida, internada em UTI, com múltiplas infecções sequenciais e uso de antimicrobianos de amplo espectro, a lista de diagnósticos diferenciais para um rebaixamento do nível de consciência com anisocoria é ampla. Entre as causas virais, o citomegalovírus (CMV) é um patógeno oportunista clássico, especialmente em pacientes com imunossupressão celular, como transplantados, pacientes com HIV/AIDS e, em menor grau, pacientes críticos com imunossupressão relativa.
A encefalite por CMV pode se manifestar de diferentes formas, incluindo uma encefalite focal necrotizante, que se caracteriza por áreas de necrose no parênquima cerebral, frequentemente com envolvimento periventricular. O início pode ser abrupto, com confusão mental, letargia, alterações do nível de consciência e sinais focais, como a anisocoria observada na paciente. Essa apresentação clínica é distinta de outras formas de encefalite viral, como a encefalite por herpes simples, que tipicamente acomete o lobo temporal e tem início mais agudo, ou a encefalite por varicela-zóster, que pode causar vasculopatia e acidente vascular cerebral. A encefalite por CMV é mais comum em pacientes com imunossupressão grave, como receptores de transplante de órgãos sólidos ou de células-tronco hematopoéticas, e o diagnóstico é feito por meio de PCR no líquido cefalorraquidiano (LCR), além de exames de imagem, como ressonância magnética, que podem mostrar áreas de realce periventricular e necrose.
No caso clínico apresentado, a paciente tem 73 anos, está em pós-operatório de cirurgia cardíaca, com necessidade de diálise e uso de antimicrobianos de amplo espectro, o que configura um estado de imunossupressão relativa e de vulnerabilidade a infecções oportunistas. A infecção por CMV pode ser uma reativação de uma infecção latente, comum em adultos, ou uma infecção primária, e deve ser considerada no diagnóstico diferencial de meningoencefalite nesse contexto. A descrição do item, com encefalite focal necrotizante, início abrupto e confusão e letargia rapidamente progressivas, é uma descrição precisa da apresentação clássica da encefalite por CMV, o que torna a afirmativa correta.
A banca explora a necessidade de o candidato conhecer as manifestações clínicas das infecções oportunistas em pacientes imunossuprimidos, especialmente em um cenário de UTI, onde o diagnóstico diferencial é amplo e a rapidez na identificação do agente etiológico é crucial. A descrição do item é fiel à literatura médica sobre a encefalite por CMV, e o candidato que domina esse conhecimento reconhece a afirmativa como correta.
Encefalite por CMV: Manifestações (Focal necrotizante, Início abrupto, Confusão e letargia progressivas); Contexto típico (Imunossuprimidos, Reativação de infecção latente); Diagnóstico (PCR no LCR, RM com realce periventricular)
Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. A encefalite por citomegalovírus (CMV) é uma causa conhecida de encefalite focal necrotizante, com início abrupto e evolução rápida para confusão mental e letargia. Em pacientes imunossuprimidos, como a paciente do caso, que apresenta múltiplos fatores de risco (idade avançada, pós-operatório de cirurgia cardíaca, uso de antimicrobianos de amplo espectro, insuficiência renal dialítica), o CMV é um diagnóstico diferencial importante na investigação de meningoencefalite. A apresentação clínica descrita no item — encefalite focal necrotizante, início abrupto, confusão e letargia rapidamente progressivas — é compatível com a forma de encefalite por CMV, sendo, portanto, um dos diagnósticos diferenciais a serem considerados no caso.