Com relação a doenças reumatológicas, julgue o item subsequente.Pacientes com artrite indiferenciada posteriormente diagnosticados com artrite reumatoide apresentam teste negativo para o fator reumatoide sérico, menos articulações edemaciadas e dolorosas e menores escores de incapacidade física.
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GabaritoE — Errado
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Artrite indiferenciada e artrite reumatoide: perfil sorológico e clínico
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque inverte o perfil clínico e sorológico esperado: pacientes com artrite indiferenciada que evoluem para artrite reumatoide (AR) geralmente apresentam fator reumatoide (FR) positivo (em cerca de 80% dos casos), mais articulações edemaciadas e dolorosas e maiores escores de incapacidade física — exatamente o oposto do que o item afirma. A base para essa conclusão está nos critérios de classificação ACR/EULAR 2010 e na literatura médica sobre o tema.
A artrite indiferenciada é um diagnóstico provisório dado a pacientes com artrite inflamatória que não preenchem critérios para uma doença reumática específica. Uma parcela desses pacientes evolui, ao longo do tempo, para uma doença definida — e a artrite reumatoide é o desfecho mais comum. O que determina essa evolução é justamente a presença de marcadores de mau prognóstico, como a positividade do fator reumatoide e dos anticorpos anti-CCP, além de um padrão clínico mais agressivo, com maior número de articulações acometidas e maior comprometimento funcional.
O fator reumatoide é um autoanticorpo dirigido contra a porção Fc da imunoglobulina G (IgG). Na AR, ele está presente em cerca de 80% dos pacientes — por isso é chamada de doença "soropositiva" nesses casos. Os pacientes com AR soronegativa (FR negativo) tendem a ter doença menos erosiva e melhor prognóstico. Portanto, quando um paciente com artrite indiferenciada apresenta FR positivo, o risco de evoluir para AR é maior, e a doença tende a ser mais grave, com mais articulações acometidas e maior incapacidade. A afirmativa do enunciado descreve exatamente o padrão oposto: FR negativo, menos articulações e menor incapacidade — o que caracterizaria um paciente com menor risco de progressão para AR, não o contrário.
Os critérios de classificação ACR/EULAR 2010 para AR pontuam justamente esses fatores: quanto maior o número de articulações acometidas, maior a pontuação; quanto mais altos os títulos de FR e anti-CCP, maior a pontuação. Um paciente com artrite indiferenciada que tem FR negativo, poucas articulações e baixa incapacidade dificilmente atingiria os 6 pontos necessários para ser classificado como AR — o que reforça que a evolução descrita no item é improvável.
A pegadinha da banca está em inverter a relação entre o perfil sorológico/clínico e o prognóstico. O candidato pode ser levado a pensar que um paciente com FR negativo teria doença mais branda — o que é verdade em termos de prognóstico — mas a questão afirma que esse paciente foi diagnosticado com AR, o que contradiz a epidemiologia da doença. A progressão para AR é mais frequente e mais grave justamente nos pacientes com FR positivo e doença poliarticular extensa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a relação entre o perfil sorológico e a evolução para AR. O candidato pode raciocinar: "FR negativo = doença mais branda", o que é correto em termos de prognóstico. Mas a questão afirma que esse paciente foi diagnosticado com AR — e a AR clássica é soropositiva em 80% dos casos, com mais articulações e maior incapacidade. A pegadinha está em trocar o perfil do paciente que evolui para AR (FR positivo, poliarticular, incapacitante) pelo perfil de quem tem doença mais branda (FR negativo, oligoarticular).
Artrite indiferenciada → AR
1Perfil de quem evolui para AR
FR positivo (80%)
Anti-CCP positivo
Poliarticular (≥5)
Maior incapacidade
2Perfil de bom prognóstico
FR negativo
Oligoarticular
Menor incapacidade
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Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada porque descreve um perfil clínico e sorológico que não corresponde ao paciente que evolui de artrite indiferenciada para artrite reumatoide. Vejamos cada ponto:
"teste negativo para o fator reumatoide sérico" — Incorreto. O FR é positivo em cerca de 80% dos pacientes com AR. A positividade do FR é um fator de mau prognóstico e está associada a maior risco de progressão de artrite indiferenciada para AR. Um paciente com FR negativo teria menor risco de evoluir para AR, não maior.
"menos articulações edemaciadas e dolorosas" — Incorreto. A AR clássica é uma poliartrite simétrica, com acometimento de 5 ou mais articulações. Os critérios ACR/EULAR 2010 pontuam mais quanto maior o número de articulações acometidas. Pacientes que evoluem para AR tendem a ter mais articulações envolvidas, não menos.
"menores escores de incapacidade física" — Incorreto. A AR é uma doença progressiva e incapacitante quando não tratada. Os fatores de mau prognóstico incluem alta atividade da doença, muitas articulações acometidas, FR em altos títulos e anti-CCP positivo — todos associados a maior incapacidade funcional. Um paciente que evolui para AR tende a ter maiores escores de incapacidade, não menores.
A afirmativa descreve, na verdade, o perfil de um paciente com artrite indiferenciada de bom prognóstico — FR negativo, poucas articulações e baixa incapacidade — que provavelmente não evoluirá para AR ou terá uma forma mais branda da doença. A banca inverteu o perfil esperado para quem progride para AR.