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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
ce186230
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Com relação a doenças reumatológicas, julgue o item subsequente.A maioria dos portadores de hiperuricemia crônica assintomática desenvolve gota em algum momento da vida.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperuricemia assintomática e risco de gota

Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a maioria dos portadores de hiperuricemia crônica assintomática nunca desenvolve gota: apenas cerca de 20% dos pacientes hiperuricêmicos desenvolvem a doença ao longo da vida, conforme a literatura médica (Harrison, Medicina Interna). A hiperuricemia é condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento da artrite gotosa.

A gota é uma artropatia inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico (UMS) nas articulações e tecidos, e a hiperuricemia — definida como nível sérico de urato superior a 6,8 mg/dL — é o principal fator de risco. No entanto, a relação entre hiperuricemia e gota não é determinística: a maioria dos indivíduos com níveis elevados de ácido úrico permanece assintomática por toda a vida. Estudos epidemiológicos demonstram que, mesmo entre homens com ácido úrico > 9 mg/dL, apenas 22% desenvolveram gota em 5 anos; após quase 15 anos, a incidência anual variou de 5% (uricemia > 9 mg/dL) a 0,1% (uricemia < 7 mg/dL). Esses dados reforçam que a hiperuricemia é um fator de risco importante, mas a progressão para gota clínica depende de outros fatores, como a capacidade individual de formar cristais e a resposta inflamatória a eles.

A fisiopatologia explica essa dissociação: a hiperuricemia leva à supersaturação do urato no sangue, mas a cristalização do UMS — etapa crítica para o desenvolvimento da gota — não ocorre em todos os pacientes. A formação de cristais é influenciada por temperatura, pH, concentração de sal e componentes da matriz da cartilagem, e a resposta inflamatória aos cristais varia individualmente. Assim, a hiperuricemia é um fator de risco necessário, mas não suficiente, para a gota.

Na prática clínica, isso significa que o médico não deve tratar todo paciente com hiperuricemia assintomática com terapia hipouricemiante, mas sim avaliar o risco individual, considerando fatores como níveis de urato, comorbidades e histórico familiar. A decisão de tratar é baseada no risco de complicações, não apenas no valor do ácido úrico.

A pegadinha da banca está em afirmar que a "maioria" desenvolve gota, quando a literatura mostra o oposto: a maioria permanece assintomática. O candidato que memoriza que "hiperuricemia é fator de risco" pode cair na armadilha de concordar com a afirmação, sem perceber que a palavra "maioria" inverte o sentido correto.

Item — ❌ Errado

A afirmativa está errada porque a maioria dos portadores de hiperuricemia crônica assintomática não desenvolve gota. A literatura médica é clara: apenas cerca de 20% dos pacientes hiperuricêmicos desenvolvem gota ao longo da vida. O erro está na palavra "maioria", que inverte a realidade epidemiológica. A hiperuricemia é um fator de risco importante, mas a progressão para gota clínica é a exceção, não a regra.

SE LIGUE NESSA!

A hiperuricemia é condição necessária, mas não suficiente, para a gota. A cristalização do urato monossódico é a etapa crítica, e ela não ocorre em todos os pacientes hiperuricêmicos.

Gabarito: ERRADO

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