Um paciente com 45 anos de idade procurou uma unidade de saúde apresentando dor em região epigástrica associada a pirose retroesternal e empachamento pós-prandial, desencadeada pelo jejum e aliviada pela ingesta alimentar. O exame físico mostrou um índice de massa corporal de 40 kg/m² e dor à palpação da região epigástrica. Com base no caso clínico precedente, julgue o item que se segue. A mudança de hábitos alimentares tem pouca eficácia no tratamento da doença do paciente, devendo-se dar mais valor ao tratamento medicamentoso.
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Dispepsia e doença ulcerosa péptica: tratamento
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a mudança de hábitos alimentares é parte fundamental do tratamento da doença ulcerosa péptica, especialmente em um paciente com obesidade (IMC 40 kg/m²), e não deve ser preterida em favor do tratamento medicamentoso. O manejo adequado combina medidas dietéticas, correção de fatores de risco e terapia farmacológica, conforme a etiologia da doença.
A dispepsia é um conjunto de sintomas que inclui dor ou desconforto na região epigástrica, queimação, plenitude pós-prandial e saciação precoce. No caso apresentado, o paciente tem dor epigástrica desencadeada pelo jejum e aliviada pela ingesta alimentar, associada a pirose retroesternal e empachamento pós-prandial. Esse padrão é clássico de úlcera duodenal, como descrito no material de apoio: "Dor epigástrica muito bem localizada, que, em alguns casos, irradia-se para o dorso, desencadeada por período mais prolongado de jejum, com melhora nítida com a ingestão de água, leite ou alimentos, sugere úlcera duodenal." Além disso, o paciente apresenta obesidade grau III (IMC 40 kg/m²), fator que agrava o refluxo gastroesofágico e a dispepsia.
O tratamento da úlcera péptica envolve, além da erradicação do Helicobacter pylori quando presente e do uso de inibidores da bomba de prótons (IBPs), a orientação dietética e a modificação de hábitos de vida. A dieta influencia diretamente a secreção ácida, o esvaziamento gástrico e a integridade da mucosa. Alimentos gordurosos, cafeína, álcool e refeições volumosas podem piorar os sintomas, enquanto refeições fracionadas e a redução de irritantes gástricos ajudam no controle. No paciente obeso, a perda de peso é essencial, pois reduz a pressão intra-abdominal, melhora o refluxo e a dispepsia, e diminui o risco de complicações. Portanto, afirmar que a mudança de hábitos alimentares tem "pouca eficácia" é um erro grave, pois ela é um pilar terapêutico, não um mero coadjuvante.
A banca explora a falsa dicotomia entre tratamento medicamentoso e não medicamentoso. Na prática clínica, ambos são complementares e indispensáveis. O tratamento medicamentoso (IBPs, procinéticos, erradicação do H. pylori) é eficaz para cicatrizar a úlcera e aliviar os sintomas, mas sem a correção dos hábitos alimentares e de vida, a recidiva é mais provável e a obesidade, se não tratada, perpetua o refluxo e a dispepsia. A abordagem ideal é integrada, com ênfase na educação do paciente sobre a importância da dieta, do controle de peso e da adesão à medicação.
Tratamento da úlcera péptica/dispepsia: Tratamento medicamentoso (IBP, Erradicação do H. pylori, Procinéticos); Mudança de hábitos alimentares (Refeições fracionadas, Reduzir irritantes (gordura, cafeína, álcool), Perda de peso (obesidade)); Abordagem ideal (Integrada (dieta + medicação), Sem dieta, maior risco de recidiva)
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada porque desvaloriza a mudança de hábitos alimentares, que é um componente essencial do tratamento da doença ulcerosa péptica e da dispepsia, especialmente em um paciente com obesidade. O tratamento medicamentoso é importante, mas não substitui a necessidade de orientação dietética e modificação do estilo de vida. A dieta influencia diretamente a fisiopatologia da doença, e a perda de peso no paciente obeso é crucial para reduzir o refluxo e melhorar os sintomas. Portanto, a mudança de hábitos alimentares tem alta eficácia e deve ser valorizada tanto quanto, ou até mais, que o tratamento medicamentoso em alguns aspectos.