Um paciente com 45 anos de idade procurou uma unidade de saúde apresentando dor em região epigástrica associada a pirose retroesternal e empachamento pós-prandial, desencadeada pelo jejum e aliviada pela ingesta alimentar. O exame físico mostrou um índice de massa corporal de 40 kg/m² e dor à palpação da região epigástrica. Com base no caso clínico precedente, julgue o item que se segue. Tosse crônica e dispneia, caso ocorram, podem sugerir que a doença do paciente está se manifestando na forma extraesofágica.
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Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE): manifestações extraesofágicas
Gabarito: letra C — CERTO. O quadro clínico descrito (pirose retroesternal, dor epigástrica desencadeada pelo jejum e aliviada pela alimentação, em paciente obeso) é compatível com doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), e a tosse crônica e a dispneia são manifestações extraesofágicas clássicas dessa doença, conforme o Consenso de Montreal. A afirmativa está correta.
A DRGE é uma condição que se desenvolve quando o refluxo do conteúdo gástrico provoca sintomas incômodos e/ou complicações. Os sintomas típicos são a pirose (queimação retroesternal ascendente) e a regurgitação. No entanto, a doença pode se manifestar também por sintomas atípicos ou extraesofágicos, que ocorrem quando o conteúdo refluído atinge estruturas além do esôfago, como a laringe, a faringe e as vias aéreas. Esses sintomas incluem tosse crônica, dispneia, rouquidão, pigarro, asma, laringite e erosão dental. O Consenso de Montreal, que define a DRGE, reconhece explicitamente as síndromes extraesofágicas, incluindo a tosse e a dispneia, como parte do espectro da doença.
No caso apresentado, o paciente tem 45 anos, IMC de 40 kg/m² (obesidade grau III), o que é um fator de risco importante para DRGE, pois o aumento da pressão intra-abdominal favorece o refluxo. A dor epigástrica que melhora com a alimentação e piora com o jejum é típica de úlcera duodenal, mas a presença de pirose retroesternal associada aponta fortemente para a DRGE, que pode coexistir com a úlcera. A tosse crônica e a dispneia, se ocorrerem, são manifestações extraesofágicas da DRGE, seja por microaspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas, seja por reflexo vagal que desencadeia broncoconstrição.
É importante distinguir a DRGE de outras causas de tosse crônica e dispneia, como asma, DPOC, insuficiência cardíaca e tabagismo. No entanto, a associação temporal com os sintomas típicos de refluxo e a resposta ao tratamento com inibidores da bomba de prótons (IBPs) reforçam o diagnóstico. A banca explora exatamente essa associação: o candidato deve reconhecer que a DRGE não se limita ao esôfago e que sintomas respiratórios podem ser a única manifestação da doença em alguns pacientes.
A afirmativa está correta. A tosse crônica e a dispneia são manifestações extraesofágicas reconhecidas da DRGE. O Consenso de Montreal classifica as síndromes extraesofágicas em duas categorias: aquelas com associação estabelecida (como tosse, laringite, asma e erosão dental) e aquelas com associação proposta (como faringite, sinusite e fibrose pulmonar idiopática). O mecanismo envolve a microaspiração do conteúdo gástrico para as vias aéreas superiores e inferiores, causando irritação e inflamação, ou um reflexo vagal que leva à broncoconstrição. No paciente do caso, a obesidade (IMC 40 kg/m²) aumenta a pressão intra-abdominal e o risco de refluxo, tornando plausível que a doença se manifeste de forma extraesofágica. Portanto, a presença de tosse crônica e dispneia sugere que a DRGE está se manifestando além do esôfago, confirmando a assertiva.