Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186241
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta porque, embora o tabagismo seja a principal causa da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a investigação diagnóstica deve considerar outras exposições inalatórias relevantes, como poluentes ambientais, domiciliares e ocupacionais, que também podem causar ou agravar a doença. Essa abordagem está alinhada com a definição da DPOC como uma doença prevenível e tratável, associada a uma resposta inflamatória crônica anormal das vias aéreas e dos pulmões, geralmente causada pela inalação significativa de partículas ou gases nocivos.
A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é uma condição respiratória caracterizada por obstrução persistente e geralmente progressiva do fluxo aéreo, associada a uma resposta inflamatória crônica anormal dos pulmões a partículas ou gases nocivos. O diagnóstico é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução não completamente reversível, definida pela relação VEF1/CVF abaixo de 70% após o uso de broncodilatador. No caso apresentado, a paciente tabagista de 35 maços/ano, com tosse seca crônica, redução do murmúrio vesicular, hiperinsuflação pulmonar na radiografia (rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais) e espirometria com relação VEF1/CVF < 70% e VEF1 = 50% do predito, sem resposta significativa ao broncodilatador, preenche os critérios diagnósticos de DPOC grave (GOLD 3).
A DPOC é uma doença heterogênea, e o tabagismo é o principal fator de risco, mas não o único. A exposição a poluentes ambientais (como material particulado e gases tóxicos), poluentes domiciliares (como fumaça de biomassa, utilizada em fogões a lenha em ambientes fechados) e poluentes ocupacionais (como poeiras minerais, produtos químicos e fumos metálicos) também pode causar ou agravar a doença. A investigação etiológica completa é essencial para identificar esses fatores e orientar medidas de prevenção e controle, além de afastar outras causas de obstrução ao fluxo aéreo, como asma, bronquiectasias e doenças intersticiais.
A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e a classificação da gravidade da DPOC. A relação VEF1/CVF abaixo de 70% após broncodilatador confirma a obstrução ao fluxo aéreo, e o VEF1 é usado para classificar a gravidade: GOLD 1 (leve, VEF1 ≥ 80%), GOLD 2 (moderada, VEF1 50-79%), GOLD 3 (grave, VEF1 30-49%) e GOLD 4 (muito grave, VEF1 < 30%). No caso, o VEF1 de 50% do predito classifica a paciente como GOLD 3 (grave). A ausência de resposta significativa ao broncodilatador (aumento do VEF1 < 12% e < 200 ml) é característica da DPOC, diferenciando-a da asma, que geralmente apresenta reversibilidade.
A radiografia de tórax, embora não seja diagnóstica de DPOC, pode mostrar sinais de hiperinsuflação pulmonar, como rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais, como observado no caso. Esses achados, juntamente com a história clínica e a espirometria, corroboram o diagnóstico. A oximetria de pulso com SpO2 de 91% em repouso indica hipoxemia leve, que pode estar presente em casos mais avançados.
A banca explora a confusão entre a principal causa (tabagismo) e as causas secundárias (poluentes). O candidato pode pensar que, por ser tabagista, a paciente não precisa de investigação adicional, mas a afirmativa está correta ao afirmar que outras causas devem ser pesquisadas. A DPOC é uma doença multifatorial, e a identificação de todos os fatores de risco é crucial para o manejo adequado.
A banca testa se o candidato sabe que o tabagismo é a principal causa, mas não a única. A afirmativa não nega o papel do tabagismo; ela amplia a investigação para outras exposições, o que é clinicamente correto e recomendado pelas diretrizes.
Na DPOC, sempre investigue exposições ocupacionais e ambientais, além do tabagismo. Lembre-se da tríade: ambiental, domiciliar e ocupacional. Essa abordagem é essencial para o diagnóstico completo e a prevenção de novos danos.
A afirmativa está correta. A DPOC é causada pela inalação de partículas ou gases nocivos, e o tabagismo é o principal fator de risco, mas não o único. A investigação deve incluir outras exposições, como poluentes ambientais (material particulado, ozônio), domiciliares (fumaça de biomassa, mofo) e ocupacionais (poeiras minerais, produtos químicos, fumos metálicos). Essa abordagem está alinhada com a definição da doença e com as diretrizes de manejo, que recomendam a identificação e o controle de todos os fatores de risco.
Gabarito: CERTO
Link permanente: /questoes/ce186241