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Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaPneumologia
Código
ce186242
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Uma paciente com 68 anos de idade procurou o serviço médico informando apresentar, havia um ano, quadro clínico constituído por tosse seca diária, mais frequente à noite. Negou a presença de dispneia, hemoptise, cianose, febre, sudorese, calafrios e perda de peso. Referiu ser tabagista de 35 maços por ano. Não apresentava doenças pregressas. O exame físico revelou uma oximetria não invasiva de 91% em repouso com sinais vitais normais e redução do murmúrio vesicular em ambos os hemitoraces. A radiografia de tórax revelou rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais. A espirometria revelou que a relação VEF1/CVF encontrava-se abaixo de 70%, com VEF1 atingindo 50% do predito e sem resposta volumétrica significativa com o emprego da prova farmacodinâmica. Considerando esse caso clínico e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Para a paciente em questão, indica-se a realização de uma tomografia de tórax de baixa dose, em virtude de seu histórico de tabagismo.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

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Rastreamento de câncer de pulmão em paciente tabagista com DPOC

Gabarito: CERTO. A tomografia de tórax de baixa dose está indicada para rastreamento de câncer de pulmão em pacientes tabagistas com carga tabágica ≥ 30 maços-ano, com idade entre 50 e 80 anos, que sejam fumantes atuais ou ex-fumantes que pararam há menos de 15 anos. A paciente tem 68 anos e carga tabágica de 35 maços-ano, preenchendo os critérios. A indicação independe do diagnóstico de DPOC, mas a paciente o tem, reforçando o risco.

O caso descreve uma paciente com quadro clássico de DPOC: tosse seca crônica, tabagismo de 35 maços-ano, oximetria de 91%, redução do murmúrio vesicular, hiperinsuflação pulmonar na radiografia (rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais) e espirometria com relação VEF1/CVF < 70% e VEF1 = 50% do predito, sem resposta significativa ao broncodilatador. Esse é o padrão funcional que define a DPOC: obstrução fixa ao fluxo aéreo.

O rastreamento do câncer de pulmão com tomografia de baixa dose é uma recomendação estabelecida por diretrizes internacionais (USPSTF, NCCN) e adotada no Brasil. Os critérios principais são: idade entre 50 e 80 anos, carga tabágica de pelo menos 30 maços-ano e tabagismo atual ou cessação há menos de 15 anos. A paciente preenche todos: 68 anos, 35 maços-ano, tabagista atual. A presença de DPOC aumenta ainda mais o risco de câncer de pulmão, tornando o rastreamento ainda mais relevante.

A tomografia de baixa dose é o exame de escolha para o rastreamento, pois tem alta sensibilidade para nódulos pulmonares com menor exposição à radiação em comparação com a TC convencional. A radiografia de tórax não é recomendada para rastreamento por ter baixa sensibilidade. A espirometria avalia a função pulmonar, mas não rastreia câncer.

A pegadinha da questão está em associar a indicação da TC de baixa dose apenas ao diagnóstico de DPOC. Na verdade, a indicação é pelo histórico de tabagismo (carga tabágica ≥ 30 maços-ano) e idade, independentemente da presença de DPOC. A paciente tem DPOC, mas o que justifica o rastreamento é o tabagismo.

Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A paciente tem 68 anos e carga tabágica de 35 maços-ano, sendo tabagista atual. Isso preenche os critérios de rastreamento de câncer de pulmão com tomografia de tórax de baixa dose: idade entre 50 e 80 anos, carga tabágica ≥ 30 maços-ano e tabagismo atual ou cessação há menos de 15 anos. O diagnóstico de DPOC, presente no caso, é um fator de risco adicional, mas a indicação do rastreamento se baseia no histórico de tabagismo.

Gabarito: CERTO

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