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Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaPneumologia
Código
ce186244
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Uma paciente com 68 anos de idade procurou o serviço médico informando apresentar, havia um ano, quadro clínico constituído por tosse seca diária, mais frequente à noite. Negou a presença de dispneia, hemoptise, cianose, febre, sudorese, calafrios e perda de peso. Referiu ser tabagista de 35 maços por ano. Não apresentava doenças pregressas. O exame físico revelou uma oximetria não invasiva de 91% em repouso com sinais vitais normais e redução do murmúrio vesicular em ambos os hemitoraces. A radiografia de tórax revelou rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais. A espirometria revelou que a relação VEF1/CVF encontrava-se abaixo de 70%, com VEF1 atingindo 50% do predito e sem resposta volumétrica significativa com o emprego da prova farmacodinâmica. Considerando esse caso clínico e os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Para se medir a gravidade do distúrbio respiratório da paciente, a variável funcional respiratória a ser analisada é a medida da capacidade vital forçada (CVF).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Espirometria na DPOC: gravidade e variáveis funcionais

Gabarito: letra E (ERRADO). Para medir a gravidade do distúrbio ventilatório obstrutivo da paciente, a variável funcional a ser analisada é o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo), e não a CVF (capacidade vital forçada). A classificação de gravidade da DPOC pela espirometria baseia-se no percentual do VEF1 em relação ao predito, conforme as diretrizes da GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease). A CVF é utilizada para compor a relação VEF1/CVF, que define a presença de obstrução, mas não é o parâmetro que gradua a gravidade.

O caso clínico descreve uma paciente tabagista de 35 maços-ano, com tosse seca crônica, oximetria de 91%, redução do murmúrio vesicular, hiperinsuflação pulmonar na radiografia (rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais) e espirometria com relação VEF1/CVF < 70% e VEF1 = 50% do predito, sem resposta ao broncodilatador. Esse conjunto é clássico de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), com padrão obstrutivo não reversível. A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e a classificação de gravidade da DPOC.

A espirometria mede volumes e capacidades pulmonares durante uma manobra de expiração forçada. As principais variáveis são:

  • VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo): volume de ar exalado no primeiro segundo da manobra forçada.

  • CVF (capacidade vital forçada): volume total de ar exalado durante a manobra forçada completa.

  • Relação VEF1/CVF: proporção entre os dois, que define a presença de obstrução quando < 70% (ou abaixo do limite inferior da normalidade).

Na DPOC, a obstrução ao fluxo aéreo é caracterizada pela redução da relação VEF1/CVF. Uma vez confirmada a obstrução, a gravidade é classificada pelo valor do VEF1 pós-broncodilatador em percentual do predito:

Classificação GOLD

VEF1 (% do predito)

GOLD 1 (leve)

≥ 80%

GOLD 2 (moderada)

50–79%

GOLD 3 (grave)

30–49%

GOLD 4 (muito grave)

< 30%

No caso, a paciente apresenta VEF1 = 50% do predito, o que a classifica como GOLD 2 (DPOC moderada). A CVF, por sua vez, é utilizada apenas para o cálculo da relação VEF1/CVF e para avaliar a presença de padrão restritivo associado, mas não é o parâmetro que define a gravidade da obstrução.

A distinção entre os parâmetros espirométricos é essencial: enquanto a relação VEF1/CVF diagnostica a obstrução, o VEF1 classifica a gravidade. Essa é a lógica das principais diretrizes de DPOC (GOLD) e também da asma (GINA), que utilizam o VEF1 como marcador de gravidade e acompanhamento.

A pegadinha da questão está em trocar o papel da CVF pelo do VEF1. O candidato que confunde os parâmetros pode marcar "certo", mas a banca explora exatamente essa inversão de conceitos.

Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está incorreta porque a variável funcional respiratória utilizada para medir a gravidade do distúrbio obstrutivo é o VEF1, e não a CVF. A CVF é um dos componentes da relação VEF1/CVF, que serve para diagnosticar a obstrução (quando < 70%), mas a classificação de gravidade da DPOC é feita pelo percentual do VEF1 em relação ao predito. No caso, o VEF1 de 50% do predito classifica a paciente como DPOC moderada (GOLD 2).

PEGA ESSA DICA!

Na espirometria, memorize a divisão de papéis: a relação VEF1/CVF define se há obstrução (diagnóstico); o VEF1 em % do predito define a gravidade (classificação GOLD). A CVF isolada é usada para avaliar padrão restritivo e compor a relação. Quando a questão perguntar sobre gravidade da DPOC, procure o valor do VEF1 — nunca a CVF.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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