Questão de Medicina — Pneumologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186244
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). Para medir a gravidade do distúrbio ventilatório obstrutivo da paciente, a variável funcional a ser analisada é o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo), e não a CVF (capacidade vital forçada). A classificação de gravidade da DPOC pela espirometria baseia-se no percentual do VEF1 em relação ao predito, conforme as diretrizes da GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease). A CVF é utilizada para compor a relação VEF1/CVF, que define a presença de obstrução, mas não é o parâmetro que gradua a gravidade.
O caso clínico descreve uma paciente tabagista de 35 maços-ano, com tosse seca crônica, oximetria de 91%, redução do murmúrio vesicular, hiperinsuflação pulmonar na radiografia (rebaixamento das cúpulas diafragmáticas e aumento dos espaços intercostais) e espirometria com relação VEF1/CVF < 70% e VEF1 = 50% do predito, sem resposta ao broncodilatador. Esse conjunto é clássico de DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), com padrão obstrutivo não reversível. A espirometria é o exame fundamental para o diagnóstico e a classificação de gravidade da DPOC.
A espirometria mede volumes e capacidades pulmonares durante uma manobra de expiração forçada. As principais variáveis são:
VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo): volume de ar exalado no primeiro segundo da manobra forçada.
CVF (capacidade vital forçada): volume total de ar exalado durante a manobra forçada completa.
Relação VEF1/CVF: proporção entre os dois, que define a presença de obstrução quando < 70% (ou abaixo do limite inferior da normalidade).
Na DPOC, a obstrução ao fluxo aéreo é caracterizada pela redução da relação VEF1/CVF. Uma vez confirmada a obstrução, a gravidade é classificada pelo valor do VEF1 pós-broncodilatador em percentual do predito:
Classificação GOLD | VEF1 (% do predito) |
|---|---|
GOLD 1 (leve) | ≥ 80% |
GOLD 2 (moderada) | 50–79% |
GOLD 3 (grave) | 30–49% |
GOLD 4 (muito grave) | < 30% |
No caso, a paciente apresenta VEF1 = 50% do predito, o que a classifica como GOLD 2 (DPOC moderada). A CVF, por sua vez, é utilizada apenas para o cálculo da relação VEF1/CVF e para avaliar a presença de padrão restritivo associado, mas não é o parâmetro que define a gravidade da obstrução.
A distinção entre os parâmetros espirométricos é essencial: enquanto a relação VEF1/CVF diagnostica a obstrução, o VEF1 classifica a gravidade. Essa é a lógica das principais diretrizes de DPOC (GOLD) e também da asma (GINA), que utilizam o VEF1 como marcador de gravidade e acompanhamento.
A pegadinha da questão está em trocar o papel da CVF pelo do VEF1. O candidato que confunde os parâmetros pode marcar "certo", mas a banca explora exatamente essa inversão de conceitos.
A afirmativa está incorreta porque a variável funcional respiratória utilizada para medir a gravidade do distúrbio obstrutivo é o VEF1, e não a CVF. A CVF é um dos componentes da relação VEF1/CVF, que serve para diagnosticar a obstrução (quando < 70%), mas a classificação de gravidade da DPOC é feita pelo percentual do VEF1 em relação ao predito. No caso, o VEF1 de 50% do predito classifica a paciente como DPOC moderada (GOLD 2).
Na espirometria, memorize a divisão de papéis: a relação VEF1/CVF define se há obstrução (diagnóstico); o VEF1 em % do predito define a gravidade (classificação GOLD). A CVF isolada é usada para avaliar padrão restritivo e compor a relação. Quando a questão perguntar sobre gravidade da DPOC, procure o valor do VEF1 — nunca a CVF.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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