Em relação a doenças cardiovasculares, julgue o item que se segue.A arritmia do tipo taquicardia por reentrada nodal (TRN) ocorre comumente em pacientes sem cardiopatia estrutural, sobretudo em mulheres jovens.
CCerto
EErrado
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Taquicardia por reentrada nodal atrioventricular (TRN)
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: a taquicardia por reentrada nodal (TRN) é a forma mais comum de taquicardia paroxística, acomete tipicamente indivíduos jovens, com predominância no sexo feminino (proporção de 3:1), e ocorre em pacientes sem doença cardíaca estrutural — exatamente o que o enunciado afirma.
A taquicardia por reentrada nodal atrioventricular (TRN ou TRNAV) é uma taquicardia supraventricular (TSV), ou seja, origina-se acima da bifurcação do feixe de His, manifestando-se com complexos QRS estreitos (duração < 120 ms) e frequência cardíaca regular, geralmente entre 130 e 250 bpm. O mecanismo subjacente é a reentrada, que depende da existência de duas vias anatômica e funcionalmente distintas dentro do nó atrioventricular (AV): uma via de condução rápida com período refratário longo e uma via de condução lenta com período refratário curto. Durante o ritmo sinusal normal, o impulso desce pela via rápida; a via lenta, embora também conduza, encontra a via final comum em período refratário. A arritmia se inicia quando uma extrassístole atrial encontra a via rápida ainda refratária, conduzindo anterogradamente pela via lenta e retornando retrogradamente pela via rápida, estabelecendo o circuito de reentrada — o padrão "lenta-rápida", responsável por cerca de 90% dos casos.
A relevância clínica da TRN está justamente no perfil epidemiológico: ao contrário de outras arritmias que se associam a cardiopatia estrutural (como a fibrilação atrial, ligada a hipertensão, doença isquêmica e valvopatias), a TRN ocorre em corações estruturalmente normais. O texto de apoio confirma: "Acomete geralmente indivíduos jovens, com predominância para o sexo feminino (3:1) e que não apresentam doença cardíaca estrutural." Essa característica é fundamental para o raciocínio clínico: diante de uma taquicardia de QRS estreito e regular em uma mulher jovem, sem cardiopatia conhecida, a TRN é o diagnóstico mais provável.
A distinção que importa é entre a TRN e a taquicardia por reentrada atrioventricular (TRAV), que utiliza uma via acessória (como na síndrome de Wolff-Parkinson-White). Enquanto a TRN é a mais comum (cerca de 60% das TSV), a TRAV responde por aproximadamente 30% e também pode ocorrer em corações sem cardiopatia estrutural, mas está associada à pré-excitação ventricular no ECG de repouso (onda delta, PR curto). A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato pode confundir a TRN com outras taquicardias que exigem cardiopatia estrutural, mas a TRN é a exceção clássica — ocorre em coração normal.
Na prática, o diagnóstico é eletrocardiográfico: durante a taquicardia, os complexos QRS são estreitos, a frequência é regular e as ondas P são de difícil visualização, podendo aparecer como "pseudo S" nas derivações inferiores e "pseudo R" em V1. O tratamento agudo envolve manobras vagais e adenosina, que bloqueiam temporariamente o nó AV e interrompem o circuito de reentrada. Em casos recorrentes, a ablação por cateter é curativa.
Guarde o perfil típico da TRN — jovem, sexo feminino, sem cardiopatia estrutural — pois é exatamente esse conjunto de características que a questão cobra e que a banca costuma explorar em questões de arritmias.
Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta porque descreve com precisão o perfil epidemiológico da TRN. O texto de apoio é explícito: "Acomete geralmente indivíduos jovens, com predominância para o sexo feminino (3:1) e que não apresentam doença cardíaca estrutural." Todos os elementos do enunciado — ocorrência comum sem cardiopatia estrutural, sobretudo em mulheres jovens — estão confirmados pela literatura. A TRN é a taquicardia paroxística mais frequente, e seu mecanismo de reentrada depende de duplas vias no nó AV, não de doença estrutural do miocárdio. Portanto, a assertiva está certa.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de arritmias, memorize o perfil epidemiológico de cada uma: TRN = jovem, mulher, coração normal; FA = idoso, hipertenso, cardiopatia estrutural; TV = cardiopatia isquêmica ou miocardiopatia. Essa distinção resolve muitas questões de prova.