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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce186250
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
STJ
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
Em relação a doenças cardiovasculares, julgue o item que se segue.A doença prévia mais comum que leva ao desenvolvimento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) é a cardiopatia isquêmica.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp)

Gabarito: letra E (ERRADO). A doença prévia mais comum que leva ao desenvolvimento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) não é a cardiopatia isquêmica, mas sim a hipertensão arterial sistêmica (HAS). A cardiopatia isquêmica é a principal causa de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr), não da ICFEp.

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa, caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue de forma adequada para atender às necessidades metabólicas do organismo, ou de fazê-lo apenas à custa de mecanismos compensatórios. Ela representa a via final comum de diversas doenças que afetam o coração, incluindo doenças do miocárdio, valvas, pericárdio e até mesmo condições sistêmicas. A classificação da IC pode ser feita de várias formas, mas uma das mais importantes e utilizadas na prática clínica é baseada na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), que mede a porcentagem de sangue ejetada do ventrículo esquerdo a cada batimento. Essa classificação divide a IC em três grandes grupos: IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr), quando a FEVE é menor que 40%; IC com fração de ejeção preservada (ICFEp), quando a FEVE é maior ou igual a 50%; e IC com fração de ejeção levemente reduzida (ICFEi), quando a FEVE está entre 40% e 49%.

A distinção entre ICFEr e ICFEp não é meramente numérica; ela reflete fisiopatologias distintas. Na ICFEr, o problema central é a disfunção sistólica, ou seja, a capacidade de contração do músculo cardíaco está comprometida, resultando em um coração dilatado e com baixa capacidade de bombear sangue. As causas mais comuns de ICFEr são a cardiopatia isquêmica (decorrente de infarto do miocárdio ou doença arterial coronariana) e a cardiomiopatia dilatada. Já na ICFEp, o problema central é a disfunção diastólica, ou seja, o ventrículo esquerdo torna-se espessado e rígido, com dificuldade de relaxar e se encher adequadamente durante a diástole. Isso leva a um aumento das pressões de enchimento ventricular, que se transmite retrogradamente para o átrio esquerdo, veias pulmonares e circulação pulmonar, causando congestão. A causa mais comum de ICFEp é a hipertensão arterial sistêmica (HAS), que, ao longo do tempo, leva à hipertrofia ventricular esquerda e à rigidez miocárdica. Outras causas incluem o envelhecimento, diabetes mellitus, obesidade, fibrilação atrial e doenças infiltrativas como a amiloidose.

Para ilustrar a diferença na prática, imagine dois pacientes: um com 60 anos, tabagista, com histórico de infarto do miocárdio prévio, que apresenta dispneia aos esforços e FEVE de 30% — esse paciente tem ICFEr, e a causa mais provável é a cardiopatia isquêmica. Outro paciente, também com 60 anos, mas com histórico de hipertensão arterial mal controlada por muitos anos, que apresenta dispneia aos esforços, mas com FEVE de 60% e sinais de hipertrofia ventricular esquerda ao ecocardiograma — esse paciente tem ICFEp, e a causa mais provável é a HAS. A distinção é crucial porque o tratamento e o prognóstico diferem entre os dois fenótipos.

A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que a cardiopatia isquêmica é a principal causa de IC em geral pode marcar a alternativa como correta, sem perceber que a questão especifica a ICFEp. A pegadinha está em transferir a etiologia mais comum da ICFEr para a ICFEp. É fundamental lembrar que, embora a cardiopatia isquêmica possa causar ICFEp em alguns casos, ela não é a causa mais comum; esse posto pertence à hipertensão arterial. Guarde essa fronteira: ICFEr → cardiopatia isquêmica; ICFEp → hipertensão arterial. É exatamente nessa distinção que a questão se resolve.

Critério

ICFEr

ICFEp

FEVE

< 40%

≥ 50%

Principal causa

Cardiopatia isquêmica

Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

Mecanismo fisiopatológico central

Disfunção sistólica (contração comprometida)

Disfunção diastólica (relaxamento/enchimento comprometido)

Item — ❌ ERRADO

A afirmação de que a doença prévia mais comum que leva ao desenvolvimento da ICFEp é a cardiopatia isquêmica está incorreta. O erro está na troca da etiologia predominante: a cardiopatia isquêmica é a principal causa de ICFEr, enquanto a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é a principal causa de ICFEp. A HAS, ao promover hipertrofia ventricular esquerda e rigidez miocárdica, leva à disfunção diastólica, que é o mecanismo fisiopatológico central da ICFEp. A cardiopatia isquêmica, por sua vez, ao causar necrose e fibrose miocárdica, compromete a função sistólica, resultando em ICFEr. Portanto, a assertiva está errada.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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