Questão de Medicina — Nefrologia — CESPE / CEBRASPE 2024
- Código
- ce186253
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- STJ
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Analista Judiciário - Área: Apoio Especializado - Especialidade: Medicina (Ramo: Clínica Médica)
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A afirmativa está correta: episódio prévio de insuficiência renal aguda (IRA), tabagismo e história de doença renal na infância/adolescência são fatores de risco reconhecidos para o desenvolvimento de doença renal crônica (DRC), conforme o consenso atual da literatura nefrológica e diretrizes de sociedades de nefrologia.
A doença renal crônica (DRC), anteriormente denominada insuficiência renal crônica (IRC), é definida pela presença de lesão renal ou redução da taxa de filtração glomerular (TFG) por período igual ou superior a três meses. A identificação precoce dos fatores de risco é essencial para o rastreamento e a prevenção da progressão da doença. Os fatores de risco clássicos e bem estabelecidos incluem diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, que respondem pela maioria dos casos. No entanto, a literatura mais recente e as diretrizes de consenso ampliaram esse espectro, incluindo condições antes subvalorizadas.
O episódio anterior de insuficiência renal aguda (IRA) é um fator de risco independente para o desenvolvimento de DRC. Estudos demonstram que pacientes que sobrevivem a um episódio de IRA, mesmo com recuperação aparente da função renal, apresentam maior risco de progressão para DRC e doença renal terminal. Isso ocorre porque a lesão aguda pode desencadear processos de fibrose e perda de néfrons que comprometem a reserva funcional renal a longo prazo.
O tabagismo é um fator de risco modificável bem documentado para DRC. A exposição ao tabaco promove dano endotelial, aterosclerose e estresse oxidativo, contribuindo para a progressão da doença renal, especialmente em pacientes com diabetes ou hipertensão. A cessação do tabagismo é recomendada como parte do manejo da DRC.
A história de doença renal na infância e adolescência, mesmo que aparentemente resolvida, também é considerada fator de risco para DRC na vida adulta. Condições como infecções urinárias de repetição, nefropatias congênitas ou glomerulopatias na infância podem deixar sequelas que se manifestam tardiamente. A avaliação clínica deve incluir a pesquisa de antecedentes urinários, conforme destacado na literatura de propedêutica médica.
É importante distinguir os fatores de risco para DRC dos fatores de risco para doença renal aguda. Enquanto a IRA está associada a causas como isquemia, nefrotoxinas e obstrução, a DRC tem como principais fatores de risco as doenças crônicas (diabetes, hipertensão) e os fatores modificáveis (tabagismo, obesidade). A banca explora a confusão entre esses conceitos, mas a afirmativa apresentada está alinhada com o consenso atual.
A afirmativa está correta porque lista três fatores de risco reconhecidos para DRC: episódio anterior de IRA, tabagismo e história de doença renal na infância/adolescência. Esses fatores são citados em diretrizes de nefrologia e na literatura médica como preditores de desenvolvimento e progressão da doença renal crônica. A inclusão da IRA como fator de risco é respaldada por estudos que mostram maior incidência de DRC em pacientes com episódios prévios de lesão renal aguda, mesmo após recuperação aparente.
Para questões sobre fatores de risco de DRC, lembre-se dos grupos principais: (1) doenças crônicas (diabetes, hipertensão), (2) fatores modificáveis (tabagismo, obesidade, dislipidemia), (3) histórico de lesão renal (IRA prévia, doença renal na infância) e (4) fatores genéticos/familiares. Essa categorização ajuda a identificar rapidamente as alternativas corretas.
Gabarito: letra C (CERTO).
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